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		<title>Alguém igual a você</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 02:47:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[amor desfeito]]></category>
		<category><![CDATA[Leia essa música]]></category>

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		<description><![CDATA[I heard that you&#8217;re settled down/That you found a girl and you&#8217;re married now/I heard that your dreams came true/Guess she gave you things, I didn&#8217;t give to you/Old friend, /Why are you so shy?/It ain&#8217;t like you to hold back/Or hide from the light/I hate to turn up out of the blue uninvited/But I [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2509&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2012/01/heart2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2512" title="" src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2012/01/heart2.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a>I heard that you&#8217;re settled down/That you found a girl and you&#8217;re married now/I heard that your dreams came true/Guess she gave you things, I didn&#8217;t give to you/Old friend, /Why are you so shy?/It ain&#8217;t like you to hold back/Or hide from the light/I hate to turn up out of the blue uninvited/But I couldn&#8217;t stay away, I couldn&#8217;t fight it/I hoped you&#8217;d see my face and that you&#8217;d be reminded/That for me, it isn&#8217;t over./Never mind, I&#8217;ll find someone like you/I wish nothing but the best for you, too/Don&#8217;t forget me, I beg, I remember you said/Sometimes it lasts in love/But sometimes it hurts instead /Sometimes it lasts in love/But sometimes it hurts instead, yeah/You&#8217;d know how the time flies/Only yesterday was the time of our lives/We were born and raised in a summery haze/Bound by the surprise of our glory days/I hate to turn up out of the blue uninvited/But I couldn&#8217;t stay away, I couldn&#8217;t fight it/I hoped you&#8217;d see my face and that you&#8217;d be reminded/That for me, it isn&#8217;t over yet/ Never mind, I&#8217;ll find someone like you/I wish nothing but the best for you, too/Don&#8217;t forget me, I beg, I remember you said/Sometimes it lasts in love/But sometimes it hurts instead/Sometimes it lasts in love/But sometimes it hurts instead, yeah/Nothing compares, no worries or cares/Regrets and mistakes they&#8217;re memories made/Who would have known how bitter-sweet this would taste/ Never mind, I&#8217;ll find someone like you/I wish nothing but the best for you, too/Don&#8217;t forget me, I beg, I remember you said/Sometimes it lasts in love/But sometimes it hurts instead/Sometimes it lasts in love/But sometimes it hurts instead, yeah&#8230;yeah</em></p>
<p>E aí? Soube que agora você é uma cara de família, deu uma estabilizada na vida&#8230; Show. Me contaram – sempre contam! &#8211;  que você encontrou uma pessoa e casou.  Disseram também que seus sonhos se realizaram. Legal. Legal que você achou alguém que lhe deu coisas que eu não pude dar. Legal mesmo. Super legal. Pois é, meu amigo&#8230; Posso te chamar de amigo, né?&#8230; Olha! É impressão minha ou você está meio sem jeito falando comigo? Como diz o Chico: “É desconcertante rever um grande amor”, né? Mas saiba, meu amigo, que essa timidez não combina com você. Não é seu esse lance de ficar retraído, de se esconder da luz. Não é aquela pessoa que eu conheci, com quem dividi sonhos, planos, cama&#8230;</p>
<p>Olha, eu sei que é muito estranho eu aparecer assim do nada, de repente, sem ser convidada. Odeio fazer isso. Quero deixar isso bem claro. Não me leve a mal, mas é que não deu pra ficar longe. Não tive força pra isso. A minha esperança é de que vendo o meu rosto você se lembre que pra mim nunca acabou, que eu nunca superei. Quer dizer&#8230; foi mal&#8230; deixa pra lá&#8230; um dia eu acho alguém que nem você&#8230; Olha só, lhe desejo tudo de bom, tá? Boa sorte! De verdadão! Mas, por favor, nunca me esqueça. Eu lembro que você me dizia que ou o amor faz as coisas se perpetuarem ou as coisas acabam desmoronando e acabando com a gente, que eram as opções lógicas, né? Eu lembro. Você falava isso&#8230; Você sempre foi muito razão.</p>
<p>Escuta, você também tem a impressão de que o tempo passa rápido também? Ainda ontem a gente estava junto, vivendo a melhor época de nossa vida. Parecia que não ia acabar nunca. Nosso amor nasceu  e foi como uma chuva de verão, rápida e forte. Torrencial. Nos inundou. O que mantinha a gente unido era a glória de cada momento daqueles tempos. Cada momento era a glória, né? Tempos bons, né, meu amigo? Pois é&#8230;</p>
<p>Olha&#8230; sério&#8230; foi mal aparecer assim, de repente. Mas não deu, cara. É mais forte do que eu ainda. O que eu queria mesmo era que você me olhasse e se visse no meu olhar, como antes&#8230; Assim, só por dizer, sabe&#8230; Esquece, esquece&#8230; Você tá bem&#8230; E eu sei que vou encontrar alguém assim como você, eu sei. Mas só mais uma coisa: sabia que nada é igual depois da gente? Perdi você ao perder nosso cotidiano. Nossos arrependimentos, nossos medos&#8230; tudo virou história. Nossa história. Minha, né? Você está aí,  casado, feliz&#8230; então&#8230; Quem diria que aquilo, tão doce, ia ficar tão amargo?&#8230; Mas ó&#8230; esquece, tá? Você tá bem e não quero atrapalhar. Eu vou encontrar alguém como você. Tem de ser exatamente igual a você. Senão não serve. Senão não serve&#8230; Eu ainda amo você&#8230;</p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blogsergiofreire.wordpress.com/2012/01/25/alguem-igual-a-voce/"><img src="http://img.youtube.com/vi/hLQl3WQQoQ0/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogsergiofreire.wordpress.com/2509/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2509&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mouse pintado não basta</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 14:13:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[discurso]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<category><![CDATA[controle social]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2012/01/vela.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2505" title="" src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2012/01/vela.jpg?w=300&#038;h=196" alt="" width="300" height="196" /></a>O Grupo de Pesquisa Discurso e Práticas Sociais (UFAM/CNPq), que coordeno, tem analisado na Universidade questões sobre contemporaneidade e redes digitais. Uma das áreas em que tenho orientando pesquisando é a da democracia na interface com o mundo digital. O que temos percebido é que as redes digitais estão sugando a indignação das pessoas quanto às questões  políticas dando a impressão de que aumentou o controle social e, portanto, a pressão política. Por que &#8220;dando a impressão&#8221;? Porque essa indignação manifesta nas redes não tem tido força para sair do mundo dos bits &amp; bytes. Vide no Brasil casos como o &#8220;Fora, Sarney!&#8221; e toda pressão sobre Belo Monte.</p>
<p>Com o advento das tecnologias de informação e comunicação (TIC), a mobilização que tem efeito político real para políticos da era pré-internet [a maioria que ainda decide o jogo] perdeu força. Por mais que a tese seja controversa para alguns, a Internet não gera revolução via hashtags ou botão de curtir. E a Primavera Árabe? O que aconteceu na Primavera Árabe, vejam só, foi o resultado de um acúmulo de situações históricas que levaram a indignação às ruas, em efeito dominó. As TIC desempenham um papel importante não como disparadoras, mas como propagadoras. Aí sim.</p>
<p>Isso tudo para dizer que vimos todos os dias nas redes indignação de toda sorte. É com a segurança que assusta, com a educação de má qualidade, com o transporte que não serve, com a cidade tomada pelo lixo, com os aluguéis estranhos de casa de amigos, com shows caríssimos mal explicados, mas tudo segue do mesmo jeito. O poder público parece nem se importar com o vulcão revolto das redes porque percebeu que ele está circunscrito às telas de computadores, como a vela digital que fizeram para Steve Jobs. Vivemos com o vulcão digital em permanente erupção. Na tela do computador.</p>
<p>Papo de acadêmico? Pode ser. Divisão social do trabalho é assim. A saída parece não ser gritar mais alto nas redes. Nâo somente isso. Isso também. Mas mudar efetivamente a matriz política que está aí, lembrando de todas essas indignações na hora de votar. O que precisamos é fazer as indignações se materializar num quadro político que entenda que a internet não é uma coisa à parte da sociedade, mas parte integrante dessa nova sociedade. Políticos e agentes públicos em geral que vivenciam a internet têm mais condição de transformar as lavas do vulcão digital em combustível propulsor de mudanças. Os outros estão velhos demais para isso, não se importam e continuam a não se incomodar com o que rola nas redes digitais. E como eles estão numa rede de poder real, dão as cartas com a Poker Face de sempre. Vendem as ilusões de uma cidade e de um estado lindos nas propagandas, de um judiciário não corporativista e de um legislativo que vem fazendo a sua parte sem advogar administrativamente &#8211; coisas contra as quais muita gente se indigna tanto [na internet] &#8211; E seguem as estripulias.</p>
<p>No fundo, mudou o cenário, mas o enredo é o mesmo. No entanto, não é o cenário que temos de mudar: é a história e os protagonistas. Isso a Primavera Árabe nos mostrou lá fora. Mas temos exemplos aqui mesmo em casa, como o movimento das Diretas Já. É preciso mais do que pintar o mouse de verde e amarelo. É necessário mesmo é pintar as caras, como alguns fizeram um dia nesse país.</p>
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// </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogsergiofreire.wordpress.com/2504/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2504&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Canção pra você viver mais</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 22:02:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Leia essa música]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Nunca pensei um dia chegar/ E te ouvir dizer: “Não é por mal, mas vou te fazer chorar/Hoje vou te fazer chorar&#8230; Não tenho muito tempo. Tenho medo de ser um só/Tenho medo de ser só um alguém pra se lembrar,/alguém pra se lembrar/alguém pra se lembrar&#8230;”/Faz um tempo eu quis/fazer uma canção/pra você viver [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2496&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2012/01/arrependimento.jpg"><img class="alignleft  wp-image-2498" title="" src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2012/01/arrependimento.jpg?w=261&#038;h=207" alt="" width="261" height="207" /></a>Nunca pensei um dia chegar/ E te ouvir dizer: “Não é por mal, mas vou te fazer chorar/Hoje vou te fazer chorar&#8230; Não tenho muito tempo. Tenho medo de ser um só/Tenho medo de ser só um alguém pra se lembrar,/alguém pra se lembrar/alguém pra se lembrar&#8230;”/Faz um tempo eu quis/fazer uma canção/pra você viver mais/Faz um tempo que eu quis/fazer uma canção/pra você viver mais/Deixei que tudo desaparecesse/E perto do fim/não pude mais encontrar/O amor ainda estava lá/O amor ainda estava lá!/Faz um tempo eu quis/fazer uma canção/pra você viver mais&#8230;</em></p>
<p>A única certeza que temos sobre o que nos vai acontecer no futuro é a morte. Ela vem, infalível. Vem para mim, vem para você, vem para todos.</p>
<p>Elizabeth Kubler-Ross, psiquiatra suíça, ficou famosa por seus escritos sobre a morte. Em 1969, ela escreveu “<em>On Death and Dying</em>”. Nesse livro, a autora apresenta os estágios pelos quais as pessoas passam quando estão na fase final de vida: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.</p>
<p>O primeiro estágio, a negação, ocorre porque o Ego não aceita a notícia. Surge uma dor psíquica pela incompatibilidade do destino anunciado e os planos para a vida. Como o Ego não dá conta da coisa, vem a raiva. “Por que logo comigo? O que fiz para merecer?” Perguntas retóricas brotam férteis. O mundo todo recebe a culpa da proximidade do derradeiro destino. A pessoa fica amarga e revoltada. Sem forças para agredir o mundo, que é maior, passa-se a negociar com Deus uma sobrevida em troca de promessas de uma vida de fé, dedicada a outras pessoas, à caridade ou algo assim. Como Deus não fala mais diretamente com a gente, como fazia no Antigo Testamento, a impressão é a de que fica tudo na mesma. Daí vem a depressão, a tristeza, o fundo do poço. Sem forças para reverter o destino fatal, se aceita a morte como inevitável.</p>
<p>Kubler-Ross falava desses estágios vividos a partir de alguém destinado a fechar os olhos e perder seus 21 gramas de alma. Mas eu acho que os estágios servem para qualquer tipo de morte, não somente àquela que nos leva aos sete palmos do <em>laborum meta</em>. Servem para as mortes simbólicas também.</p>
<p>Quando a morte de um amor é anunciada, por exemplo, ocorre a mesma coisa: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Quando perdemos um emprego, idem. Um amigo que nos trai a amizade? Mesma coisa. Um relacionamento? Uma fé que falha? A gente nega, fica chateado, tenta negociar, se desespera e, por fim, aceita. Ou não, ficando estagnado em uma dessas etapas, com a vida congelada. Isso é importante: não estagnar. É necessário fechar ciclos. Faz parte de nossa constituição simbólica. A vida nos exige o clique no cadeado na saída.</p>
<p>Se tomarmos os estágios de Kibler-Ross como parâmetros da morte, real ou simbólica, talvez tenhamos mais margem de manobra de nossas dores, pois saberemos o caminho a ser percorrido. Talvez. Receitas não funcionam na dor. Certo é que a nossa morte real ou a morte simbólica daquilo que nos compõe a vida não é uma decisão nossa e elas vêm, infalíveis. Vêm para mim, vêm para você, vêm para todos.</p>
<p>Não queremos pensar no dia em que isso vai chegar. Mas tudo o que a gente gosta vai morrer. Não é por mal que quem vai vai nos fazer chorar. Vai porque tem de ir. Se é tão certo que a morte vem, é certo também que o amor sempre vai estar lá. Não deixemos, pois, que tudo desapareça antes do fim para que, arrependidos, perto do fim, não possamos mais encontrá-lo. Se ajeite, respire fundo e faça as pazes com quem você gosta e de quem você anda afastado. Seja você a dar o primeiro passo. É triste cantar a linda música do Pato Fu para alguém real, alguém que gostaríamos que tivesse vivido um pouquinho mais a ponto de receber um abraço reparador. Esse, amigo leitor, é um arrependimento irremediável.</p>
<p>Faz um tempo eu digo às pessoas que gosto o quanto gosto delas. Faço isso desavergonhadamente. Antes que elas se vão. Porque elas vão. Receber o calor do abraço amoroso de alguém é muito bom. Sabe, leitor, faz um tempo eu quis fazer uma canção pra você viver mais. Mais tempo, mais intensamente.</p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blogsergiofreire.wordpress.com/2012/01/04/cancao-pra-voce-viver-mais/"><img src="http://img.youtube.com/vi/WXkqwMdg9lQ/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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			<media:title type="html">Sérgio Freire</media:title>
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		<title>Lista de desejos para 2012</title>
		<link>http://blogsergiofreire.wordpress.com/2011/12/27/lista-de-desejos-para-2012/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 16:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[2012]]></category>

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		<description><![CDATA[“Sonho que se sonha só é sonho. Sonho que se sonha junto é realidade”. Dom Helder Câmara As festas de ano novo dobrando a esquina. Queima de fogos, lista de intenções. Falando em intenções, quero então fazer uma lista de desejos para o ano que se achega. Ao contrário do que se acredita, desejos a gente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2486&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/wishlist.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2487" title="wishlist" src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/wishlist.jpg?w=300&#038;h=131" alt="" width="300" height="131" /></a>“Sonho que se sonha só é sonho. Sonho que se sonha junto é realidade”.</strong></em><strong><em> </em></strong><em><strong>Dom Helder Câmara</strong></em></p>
<p>As festas de ano novo dobrando a esquina. Queima de fogos, lista de intenções.</p>
<p>Falando em intenções, quero então fazer uma lista de desejos para o ano que se achega. Ao contrário do que se acredita, desejos a gente revela, sim, para que os outros desejem conosco olhando para a mesma estrela. Assim podemos dar vida às palavras de Dom Helder, aí em cima na epígrafe.</p>
<p>Então, que em 2012 a meta primeira de todas as pessoas seja atingida. Ticar mais um xiszinho nas tarefas a realizar na vida é sempre gratificante. Muitas vezes, dessa meta dependem outras metas, metas-corolárias – corolária é uma palavra difícil, mas linda.</p>
<p>Que em 2012 as pessoas amem mais e sofram menos por causa de outras. Que entendam que há sempre um caminho para felicidade, mesmo que o que as leve para lá não seja aquele trajeto tão cuidadosamente planejado. Que descubram, no novo e por vezes improvisado caminho, o riacho límpido que perderiam se não houvesse o desvio feito a contragosto. E que não destruam o caminho caminhado, pois foi ele que lhes trouxe até aqui.</p>
<p>Que em 2012 possamos dar continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo no nosso espaço profissional. Há uma sede desértica e uma fome de mudança africana por mudanças qualitativas na sociedade. Que possamos nos regozijar com uma esperada justiça social – regozijar também é uma palavra linda.</p>
<p>Que em 2012 quem se perdeu se ache. Quem se achar, se curta. Quem se curtir, que sonhe. Que use como barômetro da vida não as pequeninas coisas do dia a dia, as más e mesquinhas, mas as pequeninas coisas do dia a dia, as boas e agradáveis. Que, assim, nosso bem-querer e nossa disposição em viver nossa vida, única e nossa, beijem a boca e despertem do sono a Pollyana bela e adormecida que existe em cada um de nós. Robertocarlianamente, é preciso saber viver. Sonhar não custa nada, frase trivial e tão verdadeira. É da trivialidade que surgem os geniais insights. Devemos olhar com cuidado o comum que nos cerca, pois ele guarda surpresas inimagináveis e mudanças de vida impensáveis.</p>
<p>Que em 2012 as inevitáveis lágrimas que rolarem em nossas faces sirvam para enxágue da alma. Que sirvam para limpar os olhos dos travos de amargura que porventura tenham tocado a boca de nosso espírito. Que as lágrimas vertidas sirvam para regar o verde do jardim de nossa alma, por vezes cinzentas. A dor é o maior aprendizado do ser humano. Sempre haverá algo a doer. Quanto mais cedo reagimos e aprendemos a domesticá-la, mais cedo creio que seremos mais serenos e lépidos diante das drummondianas pedras no meio do caminho.</p>
<p>Que em 2012 novas pessoas especiais surjam em nossas vidas. A cada ano, acredito, um bom punhado delas é colocado a dedo no traçado de nossa existência com alguma missão que só muito mais tarde descobriremos. Ou não. Pessoas que simples e profundamente nos fazem bem. Pessoas cujo simples cruzar de olhar já dá um tom especial à melodia do nosso dia até então desafinado. Pessoas que fazem o coração jovializar surpreso e agradado ao vê-las inesperadamente e que levam esse mesmo coração a esperar ansioso pelo próximo encontro. Pessoas que atrasam nossas programações mais mundanas por conta de suas inestimáveis companhias, quase divinas. Pessoas especiais a quem nossa linguagem chama autonomamente de amigas, independente do tempo de convívio. Pessoas como essa em quem você está pensando agora.</p>
<p>Que em 2012 as velhas mágoas se aposentem e vão curtir a vida em qualquer outro lugar. Que abram vaga nova no coração, onde nunca deveriam ter ocupado assento. Que em seus lugares, alegrias joviais e cheias de gás, recém-nascidas ou formadas, assumam e sintam o prazer em servir doses sem medida de paciência, tolerância e carinho em relação aos que nos circundam.</p>
<p>Que em 2012 aquele velho amigo que se pôs distante ponha-se achegado. Que as gargalhadas e risadagens compartilhadas e registradas no amarelado álbum do tempo, e suspensas pelos rumos da vida, retomem seu viço e seu som estridente de então, quando lágrimas corriam soltas lavando a alma de felicidade. Uma amizade resgatada é como uma nota de cinquenta achada no bolso daquela bermuda que há muito a gente não usa: alegra e permite a retomada de planos. E que também aquele amigo que se porá distante no ano que entra não se desachegue. Que vá, mas fique, deixando sua presença fraterna no lugar de sua presença física. Deixando seu cheiro em nossa alma para a lembrança eterna.</p>
<p>Que em 2012 aquele velho projeto secreto tenha sua vez. Ele sempre esperou quietinho por ela. Chegou a hora. Desengavete-o!</p>
<p>Que em 2012 seja o Ano Internacional do Reencontro. Reencontro consigo, com seus amigos, com sua família. Reencontro com aqueles de quem nos desencontramos por causa da teia dos acontecimentos cotidianos. Reencontro com aqueles de quem nos perdemos no tumulto da multidão dos fatos. Reencontro com nossos valores mais pueris de solidariedade, afetividade e humildade. Reencontro com Deus, grande maestro do show da vida e de vida que nos cerca.</p>
<p>Que 2012 seja o ano da virada. Seja lá qual for essa virada. Desde que seja para melhor. Que seja o ano do recomeço, seja lá o que for que precise ser recomeçado. Rupturas virão, ao certo, mas novos laços imediatamente surgirão para não deixar o entremeado tecido da vida roto e maltrapilho. A roupa que veste a vida espelha a aura que reveste a alma. E vice-versa.</p>
<p>Que 2012 seja o ano da coragem. Da coragem de rever autocriticamente nossas pisadas de bola e nossas mancadas, sem punições ou autoflagelos. Quem não dá testadas nessa vida de quando em vez? Que sejam momentos de introspecção positiva. Momentos de rever nossos planos, conceitos e preconceitos daninhos. Coragem para, tudo revisto, assumir posturas claras. Coragem para não esquecer que ninguém é eterno e que a vida é efêmera como uma florzinha no campo. Exatamente por isso não vale a pena ficar ruminando em cima daquela questiúncula miudinha e pequena. Coragem para dizer diretamente o que tem a ser dito, mas de forma tranquila, serena e verdadeira, como só os corajosos sabem fazer. Os fracos de alma sentem a necessidade de dizer por terceiros, de mandar recados. Aliás, não é necessidade: é falta de opção. É a única forma que sabem fazê-lo. Então, que aprendam outras formas em 2012.</p>
<p>Que em 2012 aquele dia anual de cabeça quente sirva para aquecer o coração. Explodir para quê? Que o calor da cabeça gere energia termoelétrica para processar as perguntas sem respostas, refletir a vida, refletir as tomadas de rumos, refletir os novos momentos e sua significação. Refletir a reflexão. Dormir antes de decidir.</p>
<p>Que 2012 seja um ano de tolerância. Que se perceba que as pessoas são diferentes e que nessa diferença reside a beleza de uma relação. Mapear o amor que sentimos e que funda nossa relação com os outros é uma das tarefas mais primordiais e gostosas de qualquer relação. É bom demais construir nossa história, riscar nossos corações nas árvores dos fatos, nas calçadas da mente. E lembrar, sem dramas, que cada um às vezes precisa de um minuto sozinho no seu cantinho. Não é nem preciso verbalizar essa necessidade para o outro. O amor proficiente no amor aprende a ler silêncios, textualizar olhares, significar sorrisos e gestos. Enfim, compreende a necessidade de transcender as palavras enunciadas. O não-dito grita o que as palavras calam.</p>
<p>Que em 2012 aquele velho conselho de Victor Hugo prevaleça: tenha dinheiro, mas não esqueça quem manda em quem. Dinheiro é conseqüência e não meta. Pense nisso, mas não se desvalorize enquanto profissional. A felicidade no trabalho é elemento importante para o equilíbrio da felicidade global, mesmo que por vezes ela pareça encurralada por desânimos e sensações de imobilidade. Os ritmos das pessoas para a cadência da vida são diferentes: alguns sambam, outros valsam. Alguns bregam com Michel Teló, outros viajam na mais deliciosa MPB. Ninguém muda tudo, mas alguma coisa se muda. Concentre-se nesse alguma coisa e toque a canoa que o chibé lhe espera.</p>
<p>Que em 2012 as pessoas façam algo que nunca fizeram. Ou porque não gostam ou porque não tiveram chance. Que descubram nessas coisas diferentes um prazer diferente. Que tomem Guaraná Baré, comam tucumã no pão, bife com ketchup. Que criem coragem para provar Yaksoba e berinjela. Que assistam filmes do Almodóvar , experimentem uma bala de araçá-boi. Que se desapoquentem ouvindo Jorge Aragão ou Carpenters. Que assistam ao Domingão do Faustão e se deliciem com aquelas velhas videocassetadas de dez anos atrás. Que tome um delicioso banho de chuva a dois ao som de “Que maravilha”, cantada pelo Toquinho. Que leia um livro à cama, trocando calorzinho pelos pés que se chamegam por baixo do edredom. Que comam o doce abio e riam juntos do beijo de boca grudenta que a fruta proporciona. Que riam dos outros e, acima de tudo, riam de si. Aprender a ri de si é fundamental.</p>
<p>Que em 2012 a saudade venha e venha forte. Só sente saudade quem viveu intensamente. Que haja vida intensa no ano que rebenta. Que essa intensidade não signifique assoberbamento, mas compactação, viçosidade e viscosidade ao vinho da celebração aos fatos. Que brindemos à vida sem ficar de porre, mas apenas levemente felizes.</p>
<p>Que 2012, enfim, seja seu ano. Ao desejar um 2012 maravilhoso, peço a você que me lê para não esquecer algo fundamental: de bater um papo com Deus nas suas mais diversas formas. Sempre faz bem.</p>
<p>Meu último, mas nem por isso menos importante, desejo é o de que em 2012 minha lista de desejos tenha apenas uma frase: um 2013 igual a 2012: feliz. Aliás, feliz é uma palavra muito linda.</p>
<p>Sérgio Freire</p>
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		<title>Vamos pecar em 2012</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 14:39:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[2012]]></category>
		<category><![CDATA[ano novo]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta época, nossas caixas-postais se enchem de reflexões. Particularmente, espero que cada um de nós exercite seu lado pecador em 2012. Um mundo novo sempre é possível se capricharmos nos pecados capitais. Que a ira acometa o coração de todos nós. Que nos iremos contra as injustiças, contra o terror, contra as formas de fazer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2476&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/2012.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2477" title="2012" src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/2012.jpg?w=300&#038;h=200" alt="" width="300" height="200" /></a>Nesta época, nossas caixas-postais se enchem de reflexões. Particularmente, espero que cada um de nós exercite seu lado pecador em 2012. Um mundo novo sempre é possível se capricharmos nos pecados capitais.</p>
<p>Que a ira acometa o coração de todos nós. Que nos iremos contra as injustiças, contra o terror, contra as formas de fazer o mal. Que a cólera nos tome em acessos para que, com os dons a nós dados gratuitamente pelo bom Deus, possamos fazer diferença na defesa dos fracos e humildes. Que o furor de cidadania guie nossas ações contra um mundo indignamente famélico num planeta farto.</p>
<p>Que em 2012 tenhamos gula. Gula de amores, de carinhos, de solidariedade. Que sejamos vorazes em nosso consumo de bom humor. Glutões de paz, que possamos rir soltos juntos às crianças, ajudar a um desconhecido, abrir a porta para alguém, devolver uma carteira forrada de grana ao dono. Que consumamos mais amizades, de todas as cores e sabores.</p>
<p>No ano que nasce, que brote em cada de um nós uma luxúria desenfreada. Por que não se esbaldar sem rédeas de vez em quando? Por que não deixar as crianças pisarem na areia, comerem uma barra inteira de chocolate? Que tenhamos um tempo para pequenos prazeres com nossos irmãos. Que resgatemos o gosto do sorvete de domingo. Que o viço retorne à nossa vida, se por acaso tivermos permitido que ela tenha desbotado.</p>
<p>Um ano novo começa. Que tenhamos muita inveja nos próximos 366 dias. Inveja de quem faz trabalho voluntário, de quem vive pensando no outro, de quem cuida de si, de quem cresce sem derrubar os outros. Invejemos a pureza e a inocência das crianças. Permitamo-nos cobiçar a mulher do próximo para querê-la bem e para aproximar mais o próximo da gente. Muita inveja da capacidade de catalisar o bem para todos nós em 2012.</p>
<p>Que a virada do ano nos traga momentos de muita preguiça. Preguiça na hora de fazer atos ou praticar omissões que só façam mal, na hora de corromper o guarda, de praguejar, de cometer o menor dos delitos. Que cada vez que formos convocados para o mal em suas várias formas possamos usar nossa mandriice como álibi. E se o malvado que lhe convidou lhe perguntar o que que significa <em>mandriice</em>, mande-o pastar.</p>
<p>2012 é um bom ano para ser avaro. Sejamos econômicos com nosso mau-humor e com nossos momentos nervosinhos. Sejamos morrinha quando as situações conspirarem para sermos mesquinhos: que nessa hora pensemos somente em nós. Pensemos que não vale a pena fazer nada contra os outros. Pensemos em suas coisas em 2012: na nossa família, nos nossos filhos, nos nossos amigos, no nosso mundo. Sejamos sovinas de fofocas, de maledicências, de derrubações.</p>
<div>Sejamos, por fim, bastante orgulhosos no ano novo. Tenhamos orgulho de nossos aprendizados, de tal forma que possam servir de exemplo para os que vêm depois de nós. Sejamos presunçosos quanto à nossa capacidade de fazer um mundo melhor. E não nos acanhemos em sermos arrogantes com os que não acreditarem em nós quanto a isso. Assoberbemo-nos de boas intenções para o raiar do primeiro dia do ano.</div>
<p>“Pecar” significa “errar o alvo”. Pois que erremos o alvo. Desejo que pequemos muito e com fervor. E sejamos felizes. É o que lhe desejo para 2012: doces pecados capitais para uma vida melhor e mais feliz. E quem não quer ser feliz que atire a primeira pedra.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogsergiofreire.wordpress.com/2476/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2476&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Longe perto</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 10:27:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[irmão]]></category>
		<category><![CDATA[Leia essa música]]></category>

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		<description><![CDATA[A etimologia nem sempre é o único lugar para começar, mas é um lugar. Rezam os registros dos deuses da linguística que a palavra “irmão” vem do latim “germen”, semente. Irmão seria, portanto, aquele vem da mesma semente. Quando falamos em “semente”, que também é uma palavra latina, nos referimos à origem. Qualquer pessoa mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2472&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/familia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2474" title="Minha família." src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/familia.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a>A etimologia nem sempre é o único lugar para começar, mas é um lugar. Rezam os registros dos deuses da linguística que a palavra “irmão” vem do latim “germen”, semente. Irmão seria, portanto, aquele vem da mesma semente. Quando falamos em “semente”, que também é uma palavra latina, nos referimos à origem. Qualquer pessoa mais sensível para as belezas do mundo sabe que a semente aqui referida não se limita à origem biológica, mas a origem enquanto lugar de partida, o ninho.</p>
<p>Irmão para mim é aquele que sai do mesmo lugar, simbolicamente falando. Aquele que mesmo divergindo nos caminhos converge em princípios e em bem-querer não só para os conterrâneos de origem, mas todos os bons do mundo. Irmão chora junto e enxuga as lágrimas. Estoura a champagne e faz o churrasco da vitória. Irmão segreda segredos secretos. Irmão é cúmplice. Na fala. No silêncio. Na arte. Irmão sente a presença da ausência do outro.</p>
<p>Fico pensando se fosse filho único. Não ter irmão para mim é um non-sense, um não sentido. Com quem aprender a dividir? De quem sonegar no egoísmo infantil? Na cabeça de quem bater o martelo de madeira? A quem recorrer nas ausências da alma? Ser irmão é falar, mesmo no silêncio. É estar presente, mesmo na distância. É compartilhar as coisas boas do mundo e puxar da lama das ruins, quando atolamos. Ser irmão é ter códigos secretos, impenetráveis. Uma linguagem criada pela história de vida que não é compreendida por nenhum forasteiro, por mais atento que seja.</p>
<p>Irmão protege. Ou sendo escudo, para receber em si as pedras da existência, ou abrindo a porta, para que nosso aprendizado se dê calejando os pés em caminhos não tão macios, mas necessários no crescimento do ser. Ser irmão é dizer o que é preciso, com o carinho e a verdade dos que amam. Ser irmão é ouvir o que é necessário: ninguém que nos ama nos diria algo se não fosse exclusivamente para nos ver bem. A vida nos põe junto dos irmãos por um motivo. Ela os escolhe para nós. O segredo da felicidade é compreender as razões secretas desse quebra-cabeça. Descobrir o que aprender com cada irmão.</p>
<p>Segundo os dicionários, há os irmãos de leite: indivíduos amamentados pela mesma mulher que é mãe de um e ama do outro; os irmãos uterinos: irmãos filhos da mesma mãe e de pais diferentes; os irmãos consanguíneos: irmãos filhos do mesmo pai e de mães diferentes; os irmãos germanos: irmãos filhos do mesmo pai e da mesma mãe; e os irmãos siameses: biologicamente grudados. Irmão, para mim, resume-se ao siamesismo de alma. É a alma grudada que faz com que, nas nossas diferenças, sintamos a presença dos irmãos em nós, na nossa vida, na nossa existência.</p>
<p>Hoje é aniversário de um dos meus quatro irmãos. Pensei nele e no quanto dele tem em mim. Eu seria menos eu se não o tivesse tido. Caminhos bifurcam e se encontram sempre lá na frente. O poeta T.S. Eliot diz: “E, ao final de nossas longas explorações, chegamos ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez”. O poeta Nilson Chavez reza na música que dá título a este texto: “Toda vez que eu viajar é sinal que estou aqui e, quando estiver por lá quer dizer: nunca parti. A vontade de voltar não impede a de seguir. E, por onde quer que eu vá, estarei vivendo em ti”. Vale para lugares. Vale para pessoas. Te amo, mano.</p>
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			<media:title type="html">Sérgio Freire</media:title>
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		<title>Detalhes</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 14:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
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		<description><![CDATA[Não adianta nem tentar me esquecer/Durante muito tempo em sua vida eu vou viver&#8230;/Detalhes tão pequenos de nós dois/são coisas muito grandes pra esquecer/E a toda hora vão estar presents/Você vai ver&#8230;/Se um outro cabeludo/aparecer na sua rua e isto lhe trouxer saudades minhas a culpa é sua&#8230;/O ronco barulhento do seu carro/A velha calça [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2468&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/detalhes.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2469" title="Detalhes..." src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/detalhes.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a>Não adianta nem tentar me esquecer/Durante muito tempo em sua vida eu vou viver&#8230;/Detalhes tão pequenos de nós dois/são coisas muito grandes pra esquecer/E a toda hora vão estar presents/Você vai ver&#8230;/Se um outro cabeludo/aparecer na sua rua e isto lhe trouxer saudades minhas a culpa é sua&#8230;/O ronco barulhento do seu carro/A velha calça desbotada ou coisa assim/ Imediatamente você vai lembrar de mim&#8230;/Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido palavras de amor como eu falei/Mas eu duvido, duvido que ele tenha tanto amor/e até os erros do meu português ruim/E nessa hora você vai lembrar de mim&#8230;/A noite envolvida no silêncio do seu quarto/Antes de dormir você procura o meu retrato/mas da moldura não sou eu quem lhe sorri/Mas você vê o meu sorriso mesmo assim/E tudo isso vai fazer você/lembrar de mim&#8230;/Se alguém tocar seu corpo como eu não diga nada/Não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada&#8230;/Pensando ter amor nesse momento desesperada você tenta até o fim/E até nesse momento você vai lembrar de mim&#8230;/Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada do tempo que transforma todo amor em quase nada/Mas &#8220;quase&#8221; também é mais um detalhe/Um grande amor não vai morrer assim/Por isso, de vez em quando você vai, vai lembrar de mim&#8230;/Não adianta nem tentar me esquecer/Durante muito, muito tempo em sua vida eu vou viver/Não, não adianta nem tentar me esquecer&#8230;</em></p>
<p>Um amor nunca acaba. Um verdadeiro amor se entranha na gente. Por mais que ele passe no tempo cronológico e os corpos deixem de se encaixar ligando as almas, um amor dos vera finca morada e por muito tempo insiste em viver ali, dentro de nós.</p>
<p>Passado um tempo, a cada esquina o dia a dia nos traz lembranças de um momento de uma vida a dois que se prometeu para sempre. No entanto, a promessa por alguma razão foi interrompida, abortada. Encerrou, mas não acabou.  Porque continuamos esbarrando em cheiros, cores, lugares e pessoas que são máquinas do tempo nos levando àquela época que hoje parece uma dimensão paralela, um tempo de cuja existência esquecemos quando nos pegamos distraídos com a vida. Pegos no susto da lembrança, exclamamos, surpresos: puxa, eu já amei essa pessoa!</p>
<p>Os detalhes tão pequenos de uma trama de afeto são coisas muito grandes para cair no vale do esquecimento. O tamanho de tudo quando se fala em amor não é físico, mas simbólico. Pode caber no espaço de um pingente ou numa aliança tosca de compromisso feita de tucumã. Há detalhes. Aquela história, aquele pôr-do-sol, aquela viagem. Aquela mania, aquela preferência, aquela implicância. O lugar na cama, a tampa da manteiga sempre aberta, a roupa sempre espalhada. Aquele perfume, aquela música, aquele boteco, aquele jeito de sentir prazer. Aquele defeito tão bonito. Como nós não podemos apagar o mundo que circunda aqueles que passaram em nossa vida, os detalhes sempre se farão presentes. Os detalhes moram do mundo, mas pertencem a enredo de dois.</p>
<p>No curso da vida surgirão outros amores. Esses amores novos nos amarão bem menos e pior do que o que se foi. Por isso, amores capengas nos farão lembrar do amor que passou justamente pela intensidade e pela qualidade de tudo o que vivemos e que não temos mais. Alguns outros amores, por outro lado, nos amarão bem mais e melhor do que o suspenso. Esses nos trarão à memória a tristeza da potencialidade não exercida daquele amor que acabou, que não foi tudo aquilo que poderia ter sido. Não tem jeito: a memória é um beco saída. Uma vez dentro, nos encurralamos contra o muro da lembrança. Só tem saudade quem viveu.</p>
<p>Se há uma coisa que constrange o coração é reconhecer em um novo amor a presença de um antigo. Um mesmo hábito, o mesmo jeito de sorrir, o mesmo perfume. A maneira de mexer no cabelo, os movimentos dos abraços ou do quadril&#8230; Ou falta de tudo isso. O novo faz assim, mas o antigo fazia assado. Ou cozido. Detalhes. Diz a frase que o diabo mora nos detalhes. Se assim é, o diabo e as lembranças são colegas de quarto. Nos detalhes, a essência do que se foi.</p>
<p>Sabe o que mais dói quando um amor entra em suspensão? É a perda dos detalhes do outro. Perde-se alguém quando se perde seu cotidiano, sua micro-história, suas tristezas e alegrias, que ficam incompartilháveis. Mais: outra pessoa está presente naquele dia a dia que era nosso por direito. Com certeza a vaca ou o babaca está lá com menos afinco do que nós. Outra pessoa está ouvindo frases que eram nossas, fazendo carinhos que deveriam estar vindo de nós e para nós. Humanos pretensiosos, temos a mais absoluta certeza de que o outro que está falando palavras de amor no ouvido que se foi não tem tanto amor como nós tínhamos. Apostamos um dedo polegar em que o impostor não fala do jeito que nós falávamos. É um ultraje esse outro viver a nossa vida, protagonizar os nossos atos, atuar em nossos enredos. Um canastrão qualquer agora encena esse papel que era nosso. Que triste espetáculo!</p>
<p>Detalhes. Arrumando as coisas, uma foto dentro de um livro. No livro, uma dedicatória feita em tempos outros para nós, que já não existimos mais. Como era verdadeira aquela dedicatória&#8230; Até a letra era caprichada. Há dúvidas se o cheiro de mofo é do livro ou dos sentidos contidos naquele pedaço de texto. Na foto, um sorriso que preenchia boa parte do nosso dia. Instante de um momento cujas circunstâncias passamos a recordar. Com detalhes. Mas tal qual em “De volta para o futuro”, a companhia da foto está esmaecida porque o futuro não aconteceu por um desvio de rota no passado.</p>
<p>Jogamos fora as fotos, apagamos e-mails e posts, colocamos uma outra foto no porta-retratos. De que adianta tudo isso se o cérebro continua mandando torpedos para o coração? Do que vale trocar as fotos se nas molduras onde há a presença de outra pessoa que lhe sorri, nós continuamos a ver outro sorriso mesmo assim? A lembrança é um espírito obsessor que nos acompanha no carro, no banho, na lua cheia que olhamos, pensando em cenas românticas.</p>
<p>Amores e suores. Delícias de enredos a dois. Se fosse um filme, seria um clássico. Se fosse um livro, seria um best-seller. Se fosse uma música, uma do Roberto. Mas foram-se as histórias. Saíram de cartaz. A vida seguiu e outros amores vieram para beijar nossa boca, lamber nossa carne, tocar nosso corpo. Evitamos falar qualquer coisa no frenesi do balé dançado nos lençóis com o receio apavorante e real de dizer o nome acostumado sem querer à pessoa errada. O breve segundo de consciência sobre quem está encaixado em nós nos a concentração. Desesperados, tentamos artifícios para ir até o fim. Recorremos aos olhos fechados para garantir a presença ausente naquele corpo que agora explora o nosso. Por instantes, fingimos acreditar em prazeres novos, nos iludindo em um hedonismo da carne, do sexo e da luxúria, sem sustança afetiva. O sexo é bom. Mas não é igual. É legítimo dublar corpos?</p>
<p>A longa estrada do tempo tem seus caprichos. Ela tende a transformar todo um amor imenso em quase nada, apagando os detalhes, deixando só os rascunhos da história em linhas muito gerais. Quase nada. Mas o <em>quase</em> é mais um detalhe também. É por esse fio de memória que um grande amor se oxigena na história de nossas vidas e não morre nunca. No máximo, fica cataléptico. Dorme para despertar ao seu capricho.</p>
<p>Não, não adianta tentar esquecer. Durante muito tempo os detalhes vão viver. Fato é que tentar apagar detalhes entranhados em nossa carne, em nossa alma, em nossa história é querer apagar uma parte de nós. Não se passa borracha em vidas. Memórias não são retornáveis. Nem devem ser. A antologia universal do amor guarda algumas páginas para os nossos amores. Amores que se foram, é verdade. Mas que deixaram em nós traços de si, nos tornando melhores e nos preparando para outro alguém que tecerá uma vida cheia de mais outros detalhes, feito um manto do Arlequim. É mais prudente guardar nossa caixa de detalhes dos que cruzaram nossas vidas e acarinhar cada souvenir deixado por quem passou do que fingir que não existiu histórias que nos trouxera até aqui. Ciclos precisam se fechar para que outros se abram. Mas não precisam sumir. Se o novo amor exige isso, livre-se dele. Ele não respeita seus pedaços. Ele não entende que nós somos o que nós temos sido. Que amores que passaram e de certa forma ficaram fizeram de nós as pessoas por quem ele se apaixonou.</p>
<p>Porque um amor nunca acaba. Um verdadeiro amor se entranha na gente. Por mais que ele passe no tempo cronológico e os corpos deixem de se encaixar ligando as almas, um amor dos vera finca morada dentro de nós e por muito tempo insiste em viver ali. Em detalhes.</p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blogsergiofreire.wordpress.com/2011/12/11/detalhes/"><img src="http://img.youtube.com/vi/9YfVoRBaKY4/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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			<media:title type="html">Sérgio Freire</media:title>
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		<title>Dias de chuva</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 02:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[amor desfeito]]></category>
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		<description><![CDATA[Sim, a gente se desentendeu&#8230;/Pense não ser bom fugir,/da paixão se proteger./Volta ao normal/Antes de nascer o sol/Se pintar tristeza, ouça o coração/Vi que ficou cinza a cor do azul/Mas por que chamar a dor/Antes de acontecer/Traga com o Sol/Paz aqui pro coração/Peça pra esse inverno chamar o verão/Bom demais sentir você por perto mesmo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogsergiofreire.wordpress.com&amp;blog=6296681&amp;post=2462&amp;subd=blogsergiofreire&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/rainydays.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-2464" title="Dias de Chuva" src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2011/12/rainydays.png?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a>Sim, a gente se desentendeu&#8230;/Pense não ser bom fugir,/da paixão se proteger./Volta ao normal/Antes de nascer o sol/Se pintar tristeza, ouça o coração/Vi que ficou cinza a cor do azul/Mas por que chamar a dor/Antes de acontecer/Traga com o Sol/Paz aqui pro coração/Peça pra esse inverno chamar o verão/Bom demais sentir você por perto mesmo sem te ver/Estar feliz a todo tempo/Claro para nós que não há nada mais a se fazer/Fazer voltar os bons momentos/Eu já sei de cor a cor do azul/Passou o vendaval/Voltou a brilhar o Sol/Tudo é amor/Se a paixão nos fez chorar/Não passou de chuvas, chuvas de verão/Bom demais sentir você por perto mesmo sem te ver/Estar feliz a todo tempo/Claro para nós que não há nada mais a se fazer/Fazer voltar os bons momentos/Me perdoa por você chorar/Dias de chuva são/Véspera de tempo bom/Sigo com o Sol/Cai a chuva pelo chão/Deixo a tristeza e ouço o coração/Siga com o Sol/Cai a chuva pelo chão/Deixa a tristeza e ouça o coração.</em></p>
<p>Sim, a gente se desentendeu.  Mas quem não? Ah, eu não compraria um carro usado de um casal que diz que nunca brigou. Um amor idealizado, sem brigas, sem rusgas, é um amor que não range suas diferenças, fundamental para fazer a engrenagem da vida a dois rolar, tecendo a rede de memória que alicerça a história da relação. Buscar uma assepsia impossível na relação acaba com o sistema imunológico do amor. É preciso por os pés descalços na lama para pisar firme na grama.</p>
<p>Nossa briga é desvio, não caminho. Por isso, me ouça. Pense que não é uma boa fugir de nós. Eu sei, parece que a distância ajuda na hora da carne aberta pela navalha da palavra mal dita, pela lâmina do erro maldito. Todas as pessoas erram, mas só as que são grandes pedem desculpas olhando nos olhos. Olhe nos meus olhos. Quero-me grande para você, ainda que agora seja liliputiano. Quero pedir desculpas sinceras. Se veja no meu olhar sincero e me permita que eu me veja no seu. Foi assim que nos entendemos na primeira vez, lembra? Ficar longe, sem querer conversar, é se proteger da paixão.</p>
<p>Precisamos – eu, você, nós – voltar ao normal antes do nascer do sol. Está escrito nos estatutos do amor que ninguém que ama deve dormir sem dar um beijo de boa-noite para fechar o dia, tenha sido ele bom ou ruim. O beijo de boa-noite noite é Deus rendendo nossos anjos da guarda. Permita que Deus entre. Quem tem um lastro, uma história, como nós, pode apostar no coração como avalista quando pintar a tristeza. É preciso ouvir o coração. Como um velho sábio das montanhas do Tibet, ele sussurrará no ouvido de sua alma o que melhor há de fazer.</p>
<p>Na cromotipia da vida, às vezes a cor do azul fica cinza. Nublam o celeste as tristezas gris. Um erro, um deslize, um momento em falso pode alterar a meteorologia de nosso afeto. Mas nuvens, chuva, raios e trovoadas estão ali por instantes. O normal é a cor azul e sua paz infinita.  Mas por que chamar a dor antes de acontecer? Há um ponto tênue de controle entre o silêncio regulador e a palavra descarrilada. Um ínfimo hesitar ou um micromovimento que altera tudo o que somos, tudo o que temos, tudo o que podemos vir a ser. Não nos abortemos por migalhas.</p>
<p>Não esmaeça por minha causa. Não se esvazie do seu gás por causa de uma alfinetada minha. Traga com o sol paz aqui para o coração. Sua luz se expande ao tocar em meus pontos escuros. E vice-versa. Porque somos diferentes. Precisamos da diferença para, dividindo a vida, somar os caminhos e multiplicar as possibilidades. Ah, “navegar é preciso, mas viver não é preciso”, como precisa é a aritmética. Olhe nos meus olhos&#8230; Invento joguinhos de palavras piegas e cito o  poeta para fazer uma ponte entre nossos olhares, a única forma de cruzar esse Rio Amazonas que nos separa.</p>
<p>Um inverno. De repente um gelo inesperado. Um inferno. Andávamos há pouco descalços na areia da praia, sob o calor do sol e das nossas mãos dadas. Um erro, um deslize, um passo em falso&#8230; Mas e nós? Olha, peça para esse inverno chamar o verão! Tem aquela praia que desenhamos no guardanapo, com um coqueiro e uma casinha esperando por nós, lembra? Lembra?</p>
<p>É bom demais sentir você por perto, mesmo sem te ver. O amor é fisicamente incoerente: o vazio da ausência não cabe dentro da gente. Transborda. [...] Ei, eu estou desesperado com teu silêncio. [...] Queria estar feliz a todo tempo, como antes. Claro para nós que não há nada mais a se fazer: só fazer voltar os bons momentos. [...]</p>
<p>Um sorriso.</p>
<p>Você está me olhando nos olhos&#8230;</p>
<p>Eu já sei de cor a cor do azul. Passou o vendaval e voltou a brilhar o Sol. Tudo é amor. Se a paixão nos fez chorar, não passou de chuvas, chuvas de verão. As chuvas alimentam a vida à custa da falta de sol momentânea. Que nossas chuvas sejam nutrientes de nosso ecossistema e não deslizadoras das montanhas de nossas geografias. Bom demais sentir você por perto. Bom demais sentir o teu cheiro. Bom demais, ponto. Uma vida, uma história, uma trilha sonora, nossos detalhes, nossas manias: recuperamos tudo de uma quase perda total. Que buraco ficaria na antologia universal do amor!</p>
<p>Me perdoa por você chorar? É que dias de chuva são véspera de um tempo bom&#8230; Comecemos novamente o nosso tempo bom. Eu sigo com o sol, cai a chuva pelo chão e eu deixo a tristeza e ouço o coração. Siga você também com o sol, pois cai a chuva pelo chão. Deixe sua tristeza e ouça o coração&#8230;</p>
<p>Há um ponto tênue de controle entre o silêncio regulador e a palavra descarrilada. Um ínfimo hesitar ou um micromovimento que altera tudo o que somos, tudo o que temos, tudo o que podemos vir a ser. Dias de chuva sempre vêm. Mas o sol surge indefectível. Um beijo, meu bem. Boa noite.</p>
<p style="text-align:center;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blogsergiofreire.wordpress.com/2011/12/06/dias-de-chuva/"><img src="http://img.youtube.com/vi/gpoaoagK29w/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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			<media:title type="html">Dias de Chuva</media:title>
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		<title>Olhai os lírios do campo</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2011 02:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[escritos]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2010/08/lirios1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2460" title="" src="http://blogsergiofreire.files.wordpress.com/2010/08/lirios1.jpg?w=221&#038;h=171" alt="" width="221" height="171" /></a>“Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho”. Assim diz a Bíblia no Gênesis, falando da criação do mundo. Na minha época de catecismo na igreja de Aparecida, havia uma professora catequista cujo nome a memória guardou em algum lugar inacessível. Seu rosto de boneca Emília, no entanto, me é bem nítido. Num daqueles sábados ensolarados, aquela jovem professora me disse que as respostas para todas as nossas perguntas estavam naquele livrinho grosso com um fecho éclair. Aquela frase me pegou de jeito. Naquela época eu achava que as todas as respostas estavam no Manual dos Escoteiros Mirins do Huguinho, Zezinho e Luizinho, sobrinhos do Pato Donald. Das duas uma: ou a Bíblia tinha plagiado o Almanaque Disney ou o Almanaque Disney havia copiado as ideias da Bíblia. Verificando que o livro religioso era mais velho do que o gibi, dei o crédito para Deus, sem no entanto deixar de desejar o Manual, um livro mágico que certamente mexeu com a imaginação de muito guri na década de 70.</p>
<p>Tenho andado meio angustiado e cansado das coisas. Lembrando então da professora catequista, resolvi pegar a minha Bíblia para tentar entender a razão. Fui buscar respostas onde deveriam estar, como prometera a professora. Sendo catequista, claro que ela deveria saber o que estava dizendo. Abri a Bíblia aleatoriamente e fui bater exatamente na passagem que começa esse escrito. Tentei então fazer a ponte: o que Deus queria me dizer com isso? Será que eu tenho que descansar? Descansar do quê, mais especificamente? Fiquei imaginando a época em que a gente podia tirar essas dúvidas diretamente com Deus, como fizeram Moisés e Abraão. “Como assim, Deus?”, “Deus, dá pra explicar melhor esse negócio aí?”, “Ok, Deus, escreve aqui nessas tábuas um resumo do que tens para me dizer e depois a gente conversa para tirar as dúvidas”. Seria mais interessante ouvir a voz de Deus diretamente, sem a necessidade de padres e pastores que a interpretam para nós, sempre a partir de seus anseios e desejos humanos. Fechei os olhos e tentei ouvir a voz de Deus, como Charlton Heston em <em>Os Dez Mandamentos</em>. Queria ser o próprio Pablito Calvo, o menino de Marcelino Pão e Vinho e ficar<em> tête-à-tête</em> com Ele. Como queria falar com Deus, fiz o que manda o Gilberto Gil na música. Apaguei a luz, calei a voz, folguei os nós dos sapatos, dos desejos, dos anseios. E dormi.</p>
<p>Acho que Deus passou, falou e o belezinha aqui dormiu. No entanto, quando acordei já tinha a resposta. A inspiração divina ficou. O Todo – Todo-Poderoso é só para os menos chegados – queria me dizer exatamente o que diz no Gênesis: se até eu que sou Eu descansei, quem és tu, pobre caboquinho pávulo baré, para querer viver numa roda-viva sem descanso, vivendo mais angustiado do que barata de barriga pra cima, zanzando de um lado para o outro, que nem bolacha em boca de velha? Foi aí que Deus se encontrou com Karl Marx.</p>
<p>Marx dizia que é preciso entender como a sociedade se estrutura para poder propor análises e mudanças. Por isso estudou a fundo o capitalismo, elaborando conceitos interessantíssimos que ainda hoje – no capitalismo tardio – vivemos literalmente na pele. Um desses conceitos é a noção de mais-valia. Para quem fugiu das aulas de sociologia, aqui vai um exemplo caricato: um professor recebe xis por uma hora-aula, que é o tempo em que está na sala de aula com seus alunos. Só que para estar lá, ele precisa ler, estudar, preparar a aula, corrigir as provas, etc etc. Esse tempo excedente não é pago pelo patrão. Ele (o patrão) se apropria desse tempo, acumulando esse excedente e transformando em lucro. É a essência do capitalismo: quanto maior a produção e menor o salário, maior será o lucro. “Sim, mas cadê o encontro de Deus com Marx?”, já pergunta um leitor mais ansioso.</p>
<p>A tese de Deus: é preciso trabalhar e fazer bem feito, mas é necessário descansar também, meu filho. A antítese de Marx: no sistema capitalista, parte do trabalho do homem é apropriada pelo outro, companheiro. A síntese do Sérgio: quanto mais eu trabalho, menos eu descanso e mais sou explorado, meu caboco. Alguém vai ficando muito mais rico e eu vou ficando bem mais cansado. Por sua vez, o cansaço atinge não somente o meu corpo, mas também minh’alma, para usar uma contração que tem um charme religioso. Que faço eu? Deixo de trabalhar, então? Deus, o que fazer? Recorri à receita de Gilberto Gil de novo: deitei e esqueci a data, perdi as contas, tive as mãos vazias e pus a alma e o corpo nus. Dormi de novo, na esperança de que a resposta me fosse dada.</p>
<p>Essa técnica do Gil funciona mesmo. Ao acordar, tinha na cabeça a ideia que buscava. De início veio uma frase surrada: “O trabalho é importante e dignifica o homem”. Além disso, é o trabalho que garante o toddynho e o croissant com provolone do papai aqui. Então não posso deixar de trabalhar. A bem da verdade, nem quero. Gosto muito do que faço e já escrevi sobre isso. Mas preciso olhar com mais cuidado para minh’alma. E para dar uma boa guaribada em minh’alma, eu definitivamente preciso descansar. Descansar não significa dormir o dia inteiro. Descansar é esquecer do trabalho, mas lembrando das pequenas grandes coisas da vida. Abri de Bíblia de novo e ela me diz, em Eclesiastes 3, que “há um tempo para cada coisa na face da terra. Comer, beber e gozar do fruto do trabalho é um dom de Deus”. Juntando Marx e Deus de novo, decidi que vou trabalhar somente nos meus dias e horários de trabalho (essa é minha colaboração contra o capitalismo, companheiro professor), portanto fazendo o meu trabalho ser mais bem pago. Vou usar a experiência para tentar fazer mais em menos tempo. No tempo da mais-valia, apropriado por meu patrão, vou comer, beber e gozar o fruto de minha lida do horário trabalhado e efetivamente pago.</p>
<p>Portanto, já decretei: não mais trabalho aos domingos e feriados. Nesses dias, quero encontrar a minha família, rir com meus irmãos, espairecer com meus amigos, cafungar a minha mulher. De segunda a sábado, tudo bem, batente. Mas domingos e feriados são dias de descanso. Descanso junto à família, aos pais, irmãos, amigos, cônjuge, gato, o escambau a quatro que não seja ligado ao trabalho. Chega de ouvir minha mãe reclamando que ando sumido, meu pai mandando recado dizendo que está com saudade, como se vivêssemos em países distantes. Esse tempo precisa ser recuperado. É tempo para rir, se divertir, ver um filme de Chaplin, ouvir a coleção inteira do John Lennon, tomar café da manhã na estrada, jogar boliche, ler Florbela Espanca, coçar o saco, que seja. É tempo de tomar um banho na piscina do condomínio caro que pago e raramente uso porque tenho que trabalhar em casa. Isso já me rendeu até uma bronca do Roberto, o porteiro do meu prédio: “Seu Sérgio, aproveite seu patrimônio. Vá pra piscina, seu Sérgio&#8230;” Agora decidi mesmo: quero esquecer completamente as pequenezas e picuinhas do trabalho. De preferência de bubuia na piscina. Quero ler um livro sem culpa pela pilha de trabalhos para corrigir, sem ficar angustiado pela prova que ainda tenho que elaborar ou por aquele parecer sobre aquele processo que eu preciso dar.</p>
<p>Arrisco dizer que esse mundo véio sem porteira seria bem melhor se as pessoas ouvissem um pouco mais a Deus e a Marx. A Neila, a menina que limpa e arruma aqui em casa, me disse sobre o assunto em questão: “Seu Sérgio, o trabalho existe para nos ajudar a viver. Viver para o trabalho é inverter a ordem das coisas. É uma questão vetorial. Se nós não invertêssemos as coisas, não precisaríamos tanto de analistas e psicólogos, de Dorflexes e Lexotans. Não reclamaríamos tanto de falta de tempo para conversar com nossos queridos e seriamos certamente menos estressados. Teríamos filhos mais bem educados, seríamos menos neuróticos e mais tolerantes. Teríamos uma vida qualitativamente muito melhor e menos belicosa”. Pare aí e pense, leitor querido: a Neila tem ou não tem razão? Você trabalha para viver ou vive para trabalhar? Você permite que seu patrão se aproprie do tempo em que você deveria estar com sua família para que ele possa cada vez mais usufruir a dele? É justo isso? Você entra mesmo nesse jogo capitalista de corpo e alma? Avalie seriamente essa questão, reflita e me mande um e-mail. Aposto minha coleção de corujas que a maioria das pessoas vai reconhecer que veste demais da conta a camisa da empresa para a qual trabalha, despindo necessariamente para isso a camisa de outros times, entre as quais a do família e amigos.</p>
<p>Para mim, a mensagem foi clara como a luz do sol, clareira luminosa na escuridão. Trabalho é trabalho. Deve ser bem feito e caprichado. Descanso é descanso. Deve ser bem feito e caprichado. Agora é trabalhar isso na minha cabeça. Melhor dizendo: melhor é descansar minha cabeça do excesso de trabalho. Desligar. Puxar momentaneamente o plugue. E olhar os lírios do campo. Para entender como lidar melhor com o trabalho em uma sociedade como a nossa, sinto a necessidade de reler Marx. Para lidar com o cansaço d’alma, nada como ouvir a voz silenciosa de Deus. Ainda tem gente que acha que esses dois não combinam. Bom, vamos dar um desconto. Certamente essas pessoas devem estar estressadas e já não veem as coisas tão facilmente. Estão precisando descansar. Amém, companheiro.</p>
<p style="text-align:right;">22 de abril de 2004</p>
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		<title>Curso de Produção Textual</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 04:01:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Freire</dc:creator>
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