Pulverizado no mundo

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Se meu amor não lhe serve
Diz-me logo num segundo
Não vou jogá-lo assim fora
Prefiro doá-lo ao mundo

Pulverizando seu pó
Cremado pelo teu não
Espalho cinzas sem dó
Pelo céu, no mar, no chão

Que cura e saúde traga
Que a África alimente
Que acabe todas as pragas
Que sare todo doente

Que ajuste a economia
Que tire do mundo as drogas,
Que acabe com a covardia
Que pacifique as sogras

Que encha o sertão de chuvas,
Seque os rios que inundarem
Que console os certinhos
Quando suas vidas mudarem

Que cale os falsos profetas,
De incrédulos a ascetas,
Que plante onde é desmatado,
Salvando o mico dourado

Sele a camada de ozônio,
Que finde, assim, a ozênica
Que os ambientalistas sorriem
Com o fim da soja transgênica

Que toque corações de pedra,
Que deles faça uma rima,
Que erga quem desce em queda
Que ilumine quem tá em cima

Que aumente o salário, amor
Que seja o máximo, mais
Que a vida tenha sabor
Que a grana nos traga paz

Que abra cem corações,
Que inspire mil poesias,
Que componha seis mil canções.
Na dança das maresias

Que vença a copa do mundo
Que faça a pole position
Que produza um banquete
Pra gente que come lixo

Acolha quem sofre agora
A perda de um grande amor
Quem soluça, queima, chora
Pra purgar a sua dor

Que aproxime a família
E não faça distinção
A mãe, o pai e a filha
E o filho em comunhão

Pulverizado na selva
Que acabe com a indiferença
Vibre com a causa indígena
Lute por ela e vença

Pulverizado no mar
Que salve então as baleias
Que não seja criatura
Irreal como as sereias

Que meu amor, nada agraz,
Converta os que não têm fé
Que cause alívio e paz
Em Jesus de Nazaré

Que unifique as igrejas
Que delas tire o rancor
Que sua palavra de ordem
Em todas: seja o amor

Que ilumine os políticos
Governadores e alcaides
Que meu amor, tão seguro,
Nos traga a cura da Aids

Que meu amor, tão bonito,
Que canta sempre um ninar
Inspirem uns novos gênios
Um Mozart, um Litz, um Bach

Que feche as prisões do mundo
Que converta o assassino
Faça do ódio imundo
Alegria de menino

Que ajude a acertar em cheio
Quem sem querer sempre erra
Que sejam suas mãos mágicas
Fisioterapia da Terra

Que meu grande amor, enfim,
Incansável em seu buscar
Sarando tudo ruim,
Da terra, do céu, do mar

Olhando em volta e não tendo
Mais nada, nada a fazer
Vendo que o mundo é belo
Que ele é lindo de morrer

Volte sua vista feliz
Para então lhe agradecer
O dia em que o não quis
Forçando-o a se dissolver

E não lhe vendo por perto
Que ore, reze e agradeça
Pela sua felicidade
Por sua imensa grandeza

De abrir mão de um grande amor
Por um mundo bem melhor
Foi essa sua intenção?
Se não foi, amor, que dó.
Se não foi, amor, que dó…

Julho de 2002

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