Memória discursiva ou Interdiscurso

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REBELIÃO NO IPATUm dos conceitos fundamentais em discurso é o de memória discursiva. Diferentemente da memória biológica, a memória discursiva é algo que funciona antes, em outro lugar e independentemente do sujeito, mas cuja mobilização ocorre todas as vezes que o sentido é produzido. A foto ao lado, de Clóvis Miranda, repórter fotográfico de A Crítica, tem o efeito que tem porque mobiliza no interdiscurso (a memória discursiva) o discurso religioso e remete à imagem do martírio de Cristo sendo retirado da cruz, possibilitando o sentido do martírio do preso, por deslizamento. Como estamos teorizando, lembramos essa ida à memória como necessária para a produção do sentido, mas quando estamos no dispositivo ideológico da interpretaçào, ou seja, no dia-a-dia da linguagem, esquecemos que precisamos da memória discursiva para fazer sentido. Em outras palavras: é preciso que já haja sentido para haver sentido. Estou com saudade das aulas de Análise de Discurso, como deu para notar.

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10 comentários em “Memória discursiva ou Interdiscurso

    Gisele disse:
    05/02/2009 às 14:00

    Oi Professor!!!
    Suas aulas de AD foram geniais! Vai ter AD 2???
    Abraços!

    andréia disse:
    21/04/2009 às 00:23

    sou acadêmica do curso de História e infelizmente não tive essa disciplina AD (presente em vários cursos). Teu pequeno texto é muito bom, claro e este exemplo da foto é bastante explicativo…. a frase: “é preciso que já haja sentido para haver sentido” ( penso seja tua pois não há referência alguma) é perfeita… “memória discursiva” não é mais um mistério para mim…..obrigada……..

    nilson disse:
    03/08/2009 às 21:59

    Prezado professor, no dia em que assisti a uma aula sobre AD sofri duas crises: a) uma de “ignorância/cegueira” por pensar que tudo que eu enunciava/enxergava era meu ou era somente do outro, era novo e meu discurso era inédito; b) outra de felicidade, por saber que minha cegueira estava sendo “curada”, já que, com tais leituras de diferentes acontecimentos de linguagem e mediado pelas teorias da AD, começava a enxergar melhor e a sair dos apagões do esquecimento. Eis o efeito de memória como postula Courtine. Vivo, desde então, a perambular nessa contradição, mas, se ela existe, é porque a contradição parte de nós sujeitos. Amei or resumo acima. Abraço.

      Valdir disse:
      24/11/2009 às 17:27

      Oi professor, esotu terminando meu curso de letras na Uniube e preciso fazer meu tcc, pra ser entregue em janeiro, só que nosso tcc é uma sintese do curso todo, abordando todos os assuntos estudados, estou meio perdido, como fazer. Poderia me dar uma ajudinha? Abraços, adorei o seu comentário sobre memória discursiva, terei prova sábado e acho q aquele comentário vai me ajudar.

    Josy disse:
    23/06/2010 às 14:20

    oi,
    Adorei a tua postagem. Por acaso estou estudando sobre esse assunto na faculdade e pediram-nos para dissertar sobre a seguinte citação:
    ” O autor não é dono de seu texto, mas somente veicula sentidos que partem de outros lugares, do interdiscurso.”
    o que tu me diria sobre isso?!

    Vitor Haidar disse:
    25/06/2010 às 13:33

    Olá Prof,

    Me chamo Vitor, sou formando no curso de licenciatura em Letras da Unicamp, dou aula na região de Campinas e estudo analise do discurso para aplicar na sala de aula do Ensino Médio, naquilo, claro, que a disciplina nos permite utilizar. Estou trabalhando Intertexto e me utilizo de imagens e videos para construir minhas aulas, sempre que possível, digitei interdiscurso no google imagens e peguei a imagem do post acima, excelente como elemento didático.
    Utilizarei esta imagem para explicar os efeitos do Interdiscurso , farei, claro a devida citação de seu pequeno artigo, bem como não a utilizarei isoladamente, mas como uma das dezenas de imagens utilizadas em que mostrarei as noções de intertexto e interdiscurso… Espero sua autorização e com isso, podermos trocar informações e visões sobre a educação e a linguagem…
    Um grande abraço e excelente idéia e idéias sobre o/no site…

    Vitor

      Sérgio Freire respondido:
      25/06/2010 às 13:41

      Oi, Vitor!

      Pode usar, claro! Depois conte a experiência. Qualquer coisa, estamos por aqui!

      Abração,

      SF

    Marcia disse:
    25/10/2010 às 21:01

    Olá professor Sérgio,

    Pretendo trabalhar com o interdiscurso na propaganda impressa e gostaria de saber quais os teóricos que devo estudar, além de Pêchaux. Que outros autores poderiam servir de base? Bakhtin? Maingueneau?

    Obrigada,
    Marcia

    Eder disse:
    25/02/2011 às 12:55

    Primeiro, parabéns pelo blog. Bela atitude!
    Segundo, no caso desta imagem, por se tratar de imagem, talvez o conceito de intericonidade seja mais próprio que de interdiscurso. Pelo menos pra gente pensar nessa relação confusa entre imagens (icônico) e palavras (linguístico).
    Abraços!

    Memória | Universo Biologico disse:
    24/09/2013 às 07:33

    […] Memória discursiva; […]

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