Carnaval de pai

Postado em Atualizado em

Carnaval na UnimedUma fantasiada de joaninha. A outra de sapinho. A mãe cuidou de tudo para que o carnaval das meninas fosse show de bola. Comprou confete, serpentina e maquiagem. Preparou-lhes o espírito para o carnaval, de que tanto gosta e que tantas memórias lhe traz da época das baladas.

Tudo pronto para o baile infantil. Só faltou um detalhe: qual baile infantil? Perguntei à minha mulher aonde iríamos e ela disse que não tinha a menor ideia . Quatro foliões em busca de um baile, como os “Seis personagens em busca de um autor”, de Pirandello. O papai tinha de dar um jeito. Seria inadmissível um sapo e uma joaninha passarem o carnaval vendo Discovery Kids. Fomos para a casa da vovó, montamos o nosso QG e começamos a odisseia.

Primeiro liguei para o Tropical Hotel, pois sempre há baile infantil lá. Por R$35 reais a cabeça, comecei a gostar da hipótese da Discovery. Na verdade, de início, queria estabelecer no imaginário de minhas filhas que carnaval é época de descanso, para ficar em casa. Se começasse a trabalhar isso cedo talvez me livrasse da dor de cotovelo que os pais ficam quando suas filhas se entregam às folias momescas.  Mas meu estilo prafentex – que se nota pelo uso de prafrentex – e a autoridade da Bia sobre minhas decisões me convenceram que elas não podem ignorar a cultura brasileira. Mas R$ 140 nem pensar.

Plano dois: levar as meninas ao SESC. Ligamos para minha cunhada e para meu irmão, que têm filhos que regulam com os nossos, e descobrimos que a festa infantil havia sido no dia anterior. Meu irmão foi e não avisou, o traíra. R$ 140 dá cinco livros. Não.

Alternativa três: uma mãezinha da escola das meninas, que é médica, havia falado sobre o carnaval da Unimed. Tudo bem que é uma festa para os cooperados e ser analista do discurso não me credencia a ter CRM. Mas eu disse, convicto: vamos à Unimed! Com o pensamento firme em Pollyana, lembrei que o papai aqui furou várias vezes o black-tie do Rio Negro, tradicional festa de Manaus. Ao dar os retoques finais, a mãe descobre que as sapatilhas ficaram em casa. Quem vai buscar?

De volta e tudo pronto, demos tchau para o vovô e para a vovó e zarpamos. No carro, a pergunta: onde é o clube da Unimed? Silêncio. Não sabíamos. Quer dizer, eu tinha uma vaga lembrança porque há muitos anos havia ido lá almoçar no restaurante da Cida, uma prima. Mas põe tempo nisso. Meus neurônios fizeram um viradão e encontramos a festa.

A ideia era que se tentassem nos barrar nós usaríamos o nome de um tio meu, médico, casado com uma tia professora da Ufam, como eu, e engajada na campanha da Márcia Perales para reitora, como eu. Ia dizer a ela: “Ou o tio Ivan coloca a gente pra dentro ou vou fazer campanha para aquele outro candidato faraônico”. Ela ia topar. Mas não precisou. Entramos na boa e ainda recebemos dois saquinhos com confetes, serpentinas e colares havaianos.

As meninas se divertiram muito. Eu passei uma hora na fila do refri, encontrei todos os 75 irmãos da Cida lá, além de uns coleguinhas de escola das meninas com suas mãezinhas. Bati muitas fotos, como de praxe. Botamos o bloco na rua. Só teria sido melhor se a Unimed tivesse distribuído uns refrigerantes. Falta de consideração com os convidados.

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7 comentários em “Carnaval de pai

    Soriany disse:
    23/02/2009 às 10:21

    Gostei da ludicidade como foi contada a história, é muito mais gostoso assim, sem planejar nada, pode crê. E uma lição: há sempre uma forma de curtir o carnaval, afinal mesmo que você (Eu)esteja enfiado nos livros, no fundo queria mesmo estar pulando sem compromisso, tipo deixa a vida me levar….rsrrsrrsrsrsrrs

    Wanderléia disse:
    23/02/2009 às 10:57

    Falta de consideração… convidar e não pagar as despesas…kkk

    Suelen de Andrade Viana disse:
    23/02/2009 às 12:45

    huhauahuahua
    Sérgio, você é ótimo. Sem contar que como analista de discurso você dá um ótimo aproveitador do discurso…deu um jeito de meter a Perales na história. ‘Tá parecendo o Leonard rsrs

    Bom carnaval!!

    Sue

    Larissa disse:
    23/02/2009 às 14:14

    Não existe mais baile infantil no Cassam, não? Ainda existe Cassam (he, he, he!)… passei vários lá, a long time ago!
    Enfim, valeu pela diversão das meninas, estavam lindas!

    Larissa disse:
    23/02/2009 às 14:15

    Ainda existe Cassam? — isso que eu quis dizer…. 😛

    Shanay disse:
    24/02/2009 às 12:12

    Hehehe… Não sei em que planeta você compraria 5 livros por R$140,00. Me avise que eu vou agora… =)

    Luiza disse:
    26/02/2009 às 15:16

    Sérgio, demorei a conhecer seu site, mas é genial! Também sou professora e adoro ler e escrever e essa do carnaval foi sensacional, também passamos pelo mesmo sufoco e olha que moro na Vila que fica “o” Cassam; moral da história no outro dia soube que teve baile infantil lá… :{
    Deveríamos fazer um baile o ano que vem para os filhos dos servidores da UFAM, pediremos apoio dos futuros candidatos a reitor, devem incluir no calendário acad. o que acha??? KKKKKK
    Boa quaresma, pois o carnaval… passou 🙂

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