Quando três é dez

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Escolhendo no voto

Meus irmãos brincam dizendo que eu adoro o número três, resumindo tudo sempre em  três pontos. Lembrei disso ao pensar nos critérios para exercer cargos públicos. Para mim, esses critérios são três, claro.

O primeiro critério é o da competência. Quem tem preparo técnico para um cargo tende a ser mais eficientemente do que quem não tem.  É a lógica. É preciso um mínimo de coincidência entre o perfil do gestor e o do cargo que ocupa para dar certo. Ser secretário de educação, digamos,  sendo especialista em foguetes é complicado. Incompetência técnica faz a coisa ir para o espaço.

O segundo é o do compromisso político. De pouco adianta a competência técnica se o gestor não se afinar com as diretrizes do grupo que administra. O melhor técnico liberal vai perturbar uma administração estatizante e vice-versa. Choque conceitual dá curto-circuito.

A resiliência também conta. Quem administra deve ter jogo de cintura para saber lidar com quem está acima, abaixo e ao lado na hierarquia. O excelente técnico, afinadíssimo no diapasão de seu grupo, será uma enxaqueca para a administração se lhe faltar tato para encarar as contrariedades do jogo administrativo. Showzinhos combinam com sambódromo, não com gestão pública.

Quando se contemplam os três requisitos temos o melhor dos mundos, mas se um deles capengar a coisa pega. Mesmo com compromisso político e jogo de cintura, assumir um cargo para o qual não se tem preparo é irresponsabilidade, carreirismo ou as duas coisas. Ainda que se tenha a formação necessária e a plasticidade para gerenciar o adverso, pleitear uma posição sem compartilhar projetos comuns é deslealdade com o grupo  e desonestidade intelectual consigo. Ser leal às direções políticas,  ser tecnicamente competente, mas incapaz de gerenciar pressões é pôr o grupo de que se faz parte em situação delicada, arriscando um projeto coletivo em detrimento do individual. Aí é vaidade.

Um candidato a cargo público tem de avaliar seus limites e possibilidades nos três aspectos. Antes uma autocensura vindo da autocrítica do que uma reprovação coletiva vinda da ausência dela. Autocrítica e humildade, aliás, são fundamentais para quem se quer gestor. Municiado por elas, um líder também deve levar em conta esses critérios para a escolha dos seus, sob o risco de virar samambaia de plástico. Quanto maior a responsabilidade de um gestor, mais ele precisa de gente para pensar com ele.

Assim faço minhas escolhas. Para síndico, vereador ou presidente. Entende do riscado? Seus princípios batem com os meus? Sabe ser conciliador de diferenças? Se a resposta for sim, sinto-me à vontade para sapecar o voto. Se não for, escolho pelo menos complicado em termos de efeitos para a coletividade que receberá as ações do cargo proposto.

Na avaliação dos candidatos à reitoria da Universidade Federal do Amazonas não é diferente. Escolhi alguém tecnicamente qualificado, cujo grupo apresenta conceitos de Universidade de que compartilho, além de possuir o perfil que quem se pretende interlocutor da Ufam com a sociedade precisa ter. Argumentando pela teoria do três dos meus irmãos, meu voto é 10, para Márcia Perales. Porque a Ufam que nós queremos já está aí, sempre presente e muito viva no aqui e agora, se é que me faço entender.

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