Não est@mos sós

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A internet como extensão do corpoEstamos conectados de várias formas. Orkut, Twitter, MSN, Facebook. A ideia de privacidade está sendo refeita. Vivemos na era da exposição e o público e privado começam a se confundir. Saímos da invasão de privacidade vista como um problema para a evasão de privacidade entendida como uma necessidade. As pessoas não param de falar e não querem parar de receber. Elas querem se exibir e querem ver. Tudo.

A narrativa do cotidiano, o diário on-line, a rádio e TV viraram pessoais. É a comunicação do trivial.  Expor, receber e partilhar pela internet parece ser a nova exigência social do século XXI. A busca por essa nova discursividade do virtual começa a ser  estudada por pesquisadores que, nas opções lógicas,  são adesistas, catastróficos ou relativistas. Alguns dizem que o aumento do uso das redes sociais ocorre porque a  internet permite que se tenha “microfama” num mundo da celebração do holofote. É uma hipótese.

Sou um observador atento de tudo isso. Gosto de tecnologia. Meu primeiro computador foi um TK-85, em 1984. Meu primeiro celular foi um tijolo da Motorola, em 1992. Meu aparelho de telefone atual tem Wi-fi, Bluetooth e toca MP3.  Ao mesmo tempo em que sou usuário, penso, por dever de ofício, no que tudo isso representa do ponto de vista social. O sujeito social está mudando com o novo cenário. Nada para se apavorar, ainda que para os que nasceram antes dos anos 1970 o aprendizado assuste mais. Quem nasceu depois já naturalizou a mudança. Quando disparo minha Nikkon digital, minha filha de dois anos pede para ver como ficou a foto. Simples assim.

Nos movimentos conceituais da sociedade sempre há ganhos e perdas. Na passagem da sociedade nômade para a agrária, ganhou-se em tecnologia de alimento e perdeu-se em exploração geográfica. Com o advento da revolução industrial, ganhou-se em produtos que aumentaram a qualidade de vida e perdeu-se na desigualdade social que o capitalismo trouxe. E agora, com a explosão da cibercultura, o que se ganha e o que se perde? São perguntas que os estudiosos estão se fazendo, alucinados para compreender tudo isso.

Arrisco meu pitaco. Ganhamos em instantaneidade, em sociabilidade e em acesso à informação. O avião caiu no Rio Hudson e dois minutos depois tinha uma foto no Twitter enviada por celular por alguém que estava numa balsa por perto.  Acabo de conhecer uma prima de Fortaleza que me achou no Orkut. Fui avisado pela lista de discussão da Comunidade Virtual da Linguagem (CVL) que dois novos livros na área de discurso foram lançados. Como o volume de informação aumentou exponencialmente, precisamos exercitar a capacidade cognitiva para lidar com tanta informação sem nos afogar nelas.

E o que perdemos? Perdemos fundamentalmente a capacidade de estar sozinhos. Há sempre uma conexão por perto, um SMS no celular,  um scrap no Orkut. Sem isso, temos crises de abstinência. O exibicionismo e voyeurismo típicos da rede criaram um Big Brother particular. Não ter um e-mail é não ser cidadão virtual. É ser um sem-arroba.

Fato é que isso tudo esta aí, criando novos desejos, novos mundos, novos sujeitos, novas linguagens. Nós estamos no meio dessa pororoca de bits & bytes. Nunca sós. E você, leitor, tem MSN? Orkut?

4 comentários em “Não est@mos sós

    Sue disse:
    26/05/2009 às 13:41

    Eu tenho tudo: msn, gmsg, twitter, facebook, blog, weblog, orkut, myspace, e o que vier. Minha capacidade de estar e ficar sozinha está intacta, o que pega é a capacidade dos outros entenderem esta minha necessidade de ficar só de vez em quando. Daí não entendem porque não respondo scraps, emails, msg, sms, desligo o celular, apago as luzes…Pensam que sou ET ou um tal inca venusiano..rs

    Outro dia dando aula sobre o cyberspace usei um video com opiniões bem interessantes de Neil Postman (tá no youtube e é antigo, porém atual).

    bjs

      Sérgio Freire respondido:
      26/05/2009 às 18:44

      Postman, no clássico Tecnopólio, já adiantou muito dessas preocupações… valeu, Sue! Bj S.

    Sue disse:
    26/05/2009 às 13:47

    Naquela época Postman já falava da information super highway. Ele dizia: “information has become garbage”… Acho mesmo que hoje o conceito de informação vem sido confundido com o de comunicação. Comunica-se muita coisa, mas nem tudo que se comunica informa…Será?
    S.

    Larissa disse:
    27/05/2009 às 23:34

    Penso em minha vida hj e penso em minha vida 15 anos mais nova… meu deus, como eu conseguia viver sem toda essa tecnologia?? hein, hein???

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