A Feira de livro e o bola murcha

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Estou escrevendo de Ribeirão Preto. Estou aqui a convite da Fundação Feira do Livro participando da 9ª FeiraCafé Filosófico na 9a. Feira do Livro, em Ribeirão Preto. Sérgio Freire. Nacional do Livro. Na segunda-feira, fui o palestrante convidado de um café filosófico, falando sobre o que sei e gosto: linguagem. Foi excelente, como no ano passado, quando estive aqui pela primeira vez.

A Feira, a segunda maior a céu aberto do Brasil, começou no dia 18 e vai até 28 de junho. Em dez dias estão programados mais de 600 eventos gratuitos, abrangendo literatura e manifestações artísticas. Há mais de 100 escritores da literatura nacional e internacional que participaram e participarão de palestras e debates. São nomes como Milton Hatoum, Carlos Heitor Cony, Fernando Morais, Thiago de Melo, Moacyr Scliar, Márcio Souza, Eliane Brum, entre tantos outros. Há mais de 60 apresentações musicais, com grandes nomes da MPB e apresentação da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, além de shows dos chilenos Tita Parra e Antar Parra e de Adriana Calcanhotto, João Bosco, Jorge Vercilo, Lenine, Luiz Melodia, Maria Rita, Oswaldo Montenegro, Paula Toller, Paulinho da Viola, Toquinho, MPB4 e Vanessa da Mata.

A cada ano, a Feira homenageia um país, um estado e uma personalidade. Este ano foram o Chile, o Amazonas e Cora Coralina. E aqui entra um misto de alegria, de espanto e de indignação.

A alegria vem pela escolha do Amazonas como Estado homenageado. Ela se estende porque represento meu Estado junto com Márcio Souza, Thiago de Melo e Milton Hatoum, grandes nomes da literatura da minha terra. O espanto se dá por ter constatado, para um Estado homenageado com uma cultura artística e literária rica, a ausência dessa riqueza. Onde está nossa música? Por que somente nós quatro? Ressalte-se a presença da Editora Valer, disseminando a publicação regional. A indignação emerge por saber que a ausência do Estado não se deu por causa da organização da Feira, mas por vaidade de quem gere a cultura no Amazonas.

A Feira enviou um emissário a Manaus para articular a presença do Estado no evento, com público de mais de 400 mil pessoas. Foram 21 dias em Manaus tentando falar com quem decide. No Município, a secretária de cultura marcou e furou, deixando o representante esperando. No Estado, os ofícios da Fundação foram solenemente ignorados pelo Secretário que, estou começando a desconfiar, tem bronca com livros. Sua vaidade não permite que uma feira de livro aconteça em Manaus. Razão: numa feira de livro quem brilha são os autores e não quem organiza, como num Festival de Ópera ou de Cinema, quando holofotes se voltam para sua figura de black-tie. E não é falta de competência. Quando ele quer, a coisa sai bonita. Quando ele não quer, no entanto, ignora o potencial de retorno estratégico e turístico que um evento como esse tem, deixando de fazer seu papel institucional.

Fico pensando nessa vaidade toda em época de copa do mundo. Ou alguém convida o secretário para dar o pontapé inicial no primeiro jogo em Manaus ou não sei não. Fica aqui a indignação dirigida ao governador Eduardo Braga, para quem a imagem externa do Amazonas parece ter algum valor. Já que falamos em futebol, pisaram na bola, Governador. E feio. E o secretário é o bola murcha do ano.

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2 comentários em “A Feira de livro e o bola murcha

    Lívia disse:
    23/06/2009 às 18:54

    Professor, tô de boca “abrida” de perplexidade.
    Um evento desta magnitude só acrescentaria à nossa gente…
    Enfim, vamos torcer para que o seu pronunciamento faça algum zum zum zum e mexa com o pessoal aí.
    Tô contigo e não abro.
    (Ótimo texto, as usual.)

    Talita Brasilino disse:
    27/06/2009 às 15:55

    Professor Sérgio Freire, estive em sua palestra na Feira do Livro de Ribeirão Preto. Fui prestigiá-lo no café filosófico que aliás, foi um dos melhores que participei em termos de linguagem sua abordagem é fantástica. Bom, lendo seu texto sobre a cultura do seu estado. Concordo com o senhor, pois no lugar de paraense que sou, conheço muito bem a cultura do norte e, e do estado do Amazonas e também notei uma certa ausência de divulgação da mesma. Apesar de termos recebido o TESC, e alguns escritores e a Editora, precesiva ter mais destaque da nossa cultura. Afinal, o Amazonas faz parte dos homenageados da Feira.

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