Um texto antigo para recordar

Postado em Atualizado em

Fisioterapia de emergência

para Fabiana

[Escrito em 28 de julho de 2002, sob a inspiração de uma conversa telefônica]

Eu, antes da Bia...Alô, moça! Você aí tão distante! É, você que está surpresa a se apontar! Sei, sei que não me conhece, mas quero me apresentar. Sou um homem que existe, que ama e que quer amar.

Não, moça, não ria. Eu sei que parece tolo. Eu sei que os homens hoje em dia só querem ficar de rolo. Mas, moça, ouça minha trama: mando rosas, faço bolo. Levo até café na cama. Com um chocolatinho Lolo.

Declaro-me em guardanapo, em texto ponho minha vida. Eu sei que estou um farrapo, é minha dor, minha ferida. Mas olhe, isso tudo passa. E, saiba, que eu bem legal, que eu bem feliz, por inteiro, mudo tudo por alguém, ponho o carnaval em janeiro.

Moça, por favor, me olhe. Apenas peço que olhe. Meu coração está quebrado, meu corpo só anda mole. Não há vontade de vida, minha alma me abandonou, não tenho um cão que console, solidão telefonou e ordenou que eu me isole.

Mas me deram o seu nome, me fizeram ir a ti, essa dor que me consome, fez-se branda só assim. Pergunto o por quê? Feliz com as possibilidades das respostas…

Moça, da veste branca. Traz pra mim a sua paz. Minha cabeça, coitada, em guerra, não güenta mais.

Moça da voz suave, que canta tão belamente, cante de novo a canção, dentre várias escolhida, a canção que nessa hora é a canção de minha vida. Que escolha coincidente…

Moça dos flamboyants, quem lhe disse que espero alguém entrar por essa porta agora? Moça, você é vidente! Dou-lhe mais que meia hora para mudar a minha vida. Dou-lhe de fato minha vida, pra acalmar a minha mente. Entre por essa hora agora, você tem minha hora, para ser a porta de minha nova vida.

Moça que olha a lua no quarto, pela janela. Moça, a mesma lua eu olho, de forma um tanto singela. Será que a gente olha igual? É com a mesma intensidade? O que sinto é normal? E essa minha ansiedade? E esse medo de de novo ir e sair no meio? Será parte de minha vida? Será só um devaneio? Será que você é ela? Será que aquele sou eu? Um dia será que chega o que Deus nos prometeu?

Moça do riso belo, que não vi, mas que descrevo. Moça que não conheço, mas que inspira o que escrevo. Moça, de onde veio? De que céu você fugiu? Por que veio ao meu socorro? Se os caça-anjos lhe pegam? Se o jardineiro lhe poda? Se alguém desliga as crianças na brincadeira de roda?

Moça, você existe? Será que entendi direito: mora perto do Unimart ou do planetinha Marte? Você não é uma canção? Já lhe vi em Vila Lobos? Você já ouviu Bachiana? Nossa, como sou bobo! Procurando mil palavras pra rimar com Fabiana…

Moça, vou lhe falar. Minha vida está torcida, minha alma lesionada, meu coração desmentido, meus afetos bem luxados. Moça, você, de repente, é na minha vida um achado! Por que foi parar ali, com eles, no bar, no embalo? Por que no seu vai e vem, eles tiveram o estalo? “Que história mais maluca”, diriam os que não amam mais. “Que coincidência divina, daquelas que são tão raras, daquelas que caem os queixos e que emudecem as falas”, retrucaria o poeta, o Vinicius de Moraes.

Ria seu riso frouxo, ele me faz tanto bem. Use suas mãos de fada, mande-me fazer que eu faço, mande-me sonhar que eu sonho. Basta um olhar e eu lhe abraço, um de afeto, paz e calma. Tire-me com destreza desse infindável cansaço, do torcicolo da alma. Ria, de novo ria. Seu riso me faz tão bem. Vamos, moça, não pare. Eu lavo os copos da pia, arrumo os livros na estante. Eu levo o lixo lá fora, prometo me dar bastante. Vamos, em campo aberto. Venha e me dê a mão. A ti entrego o afeto, cedo a ti minha afeição. Só preciso que me olhes e que seja minha guia. Que refaça o meu corpo, minha mente e alegria. Entrego-me, olhos fechados, à sua fisioterapia…

4 comentários em “Um texto antigo para recordar

    B. disse:
    28/08/2009 às 13:40

    Lindo! (Re)Descobri esse seu espaço novamente! Adoro seus escritos. Um beijo na família. Barbara

    Barthes disse:
    28/01/2010 às 10:11

    Belíssimo texto.

    Vambora: uma história de amor « disse:
    05/01/2011 às 21:16

    […] E conversamos por horas naquele dia. E no dia seguinte. E no outro. E no outro… Dois dias depois, escrevi este texto. […]

    THIAGO BRELAZ FONSECA disse:
    13/01/2011 às 22:26

    AMO ESCREVER TMBM, GOSTEI MUITO DE SUA HISTÓRIA A MIM RECOMENDADA QUE, DE ANTE MÃO, VIVO SITUAÇÕES PARECIDAS COM O SEU TERCEIRO CAAMENTO.
    MAS APENAS GOTARIA DE PARABENIZAR-LHE E PEDIR INFORMAÇOES DE COMO FAZER EDIÇÕES DO MESMO MODO QUE ESSE SIT, TENHO MUITO POEMA E HISTÓRIAS E TENHO O DESEJO DE TORNA-LAS PÚBLICAS, LIGA PRA MIM SE POSSIVEL, SEI LÁ ENVIA E-MAIL.

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