A vida online e os neoluditas

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NeoluditasA Internet veio para alterar muita coisa. Até aí morreu o neves. O que muita gente ainda não percebeu é que essas muitas coisas que estão sendo alteradas requerem a movimentação de um novo sujeito , do ponto de vista social e comportamental.

Eu não sou afetado pela greve dos bancos nem pela dos correios. Pago todas as minhas contas online, cuja segunda via também possa tirar online. Leio minhas revistas e jornais também na Web. Virtualmente tudo que me chega via correio e que posso fazer numa agência bancária, posso substituir online. Não é à toa que essas greves não têm o efeito que os grevistas desejam. Há de se pensar em outras formas de posicionamento político. Estratégias da Revolução Industrial em tempo de sociedade da informação dá nisso.

Cds, eu só compro quando gosto muito. Uma faixa ou outra, baixo o MP3. Não me aponte o dedo, leitor: tenho mais de 2 mil Cds originais. Locadora de vídeo, faz tempo que não visito. Ou compro o DVD, cujos preços caíram absurdamente, ou baixo e assisto depois apago do pendrive.  Os melhores papos que tenho levado atualmente não têm sido em mesas de bar, mas no Twitter. Gente interessante, gente nem tanto assim. Gente.

Quando a internet surgiu na década de 90, ouvia e lia muito catastrófico prevendo o fim dos livros e da televisão. Acabaria com a socialização. Hoje compro livro e vejo a programação da TV pela Internet. E vejam isso: o rádio levou 38 anos para ter 50 milhões de ouvintes. A televisão, 15 anos para ter 50 milhões de expectadores. A Internet,  4 anos para ter 50 milhões de usuários. Se o Facebook fosse um país, seria o 4º em população.  Segundo dados disponíveis na Rede, 96% dos jovens da Geração Y estão conectados a alguma rede social. Oitenta por cento das pessoas que tuitam usam celulares. São mais de 200 milhões de blogs. Um breve resumo de dados que estão aqui: http://www.youtube.com/watch?v=sIFYPQjYhv8

Fato é que toda comunicação unidirecional está perdendo espaço para a online, interativa. Os jornais de papel perdendo circulação, a TV perdendo audiência. Se hoje buscamos produtos e serviços, num futuro próximo eles nos buscarão via mídia social. Além de sujeitos coletivos, somos cada vez mais sujeitos conectivos. Foi-se a época em que éramos apenas consumidores. Hoje consumimos e produzimos. Somos prossumidores. De informação, de notícia, de tudo.

A pergunta de um milhão de dólares é: o que isso tudo altera a política, o jornalismo, as relações públicas, os serviços, os negócios, a educação, a literatura, as relações afetivas, a ecologia, a discussão dos problemas sociais? Para cada área, mil páginas de discussão. Sem uma árvore sequer derrubada. Do átomo ao bit.

Sempre há os integrados, que tudo aceitam como panaceia. Há sempre também os apocalípticos, que tudo rejeitam por catastrofismo. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O lance é que os neoluditas surgem e insurgem-se contra o inevitável: uma nova subjetividade está se configurando tributário do noco cenário. A todo dia. Toda hora. O mundo não vai parar para se adequar à gente.  Só resta o contrário. Com a prudência e a canja de galinha de sempre, dá para fazer isso sem dor. E com prazer. Mas há quem prefira a fila do banco. Nesse caso, be my guest.

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