Marina

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Hoje é o aniversário da minha caçula, Marina.

Temos, Bia e eu, duas filhas. A mais velha é a Ana Clara, que acabou de fazer aniversário bem no Dia dos Namorados. Clara foi muito desejada e esperada. Teve a ajuda da ciência em uma inseminação artificial em que tudo deu certo de primeira. Soubemos da Marina quando Ana Clara tinha apenas três meses. Diferente de Clara, Marina veio por conta própria. Quando nos tocamos, ela já estava na porta de nossas vidas com as malas na mão, olhos do gato do Shrek, dizendo “cheguei!”. O susto de sua chegada foi logo absorvido pela alegria de mais uma vida a fazer diferença na nossa. Se com uma criança era lindo demais, com duas seria lindo em dobro. E é, apesar de todo trabalho e preocupações que um filho traz a qualquer família.

Marina é o tipo de pessoinha que quando chega brilha o ambiente. Seu sorriso largo, fácil e frouxo espanta a sisudez da vida. Seu carinho gratuito, que nada pede de volta, sinaliza que sua alma é leve e brincante. Sua alegria como estilo de vida nos diz todo dia que ela foi escolhida a dedo por Deus entre os anjos que são feitos especificamente para alimentar a alegria do mundo. Seus olhos graúdos sorriem diretamente para a alma de quem os fita. Faz cócegas em nosso pensamento. Sua memória prodigiosa nos surpreende a cada dia num mundo em que, em tempos de Google, a memória passou a ser um item secundário. Ontem ela perguntou: “Pai, já é dia 2?”. “”- Ainda não. Por que, filha?” “Porque dia 2 estreia Shrek”. Ela tinha visto a informação no trailer quando fomos assistir a Toy Story. Detalhes, Marina é dos detalhes. Presta uma atenção silenciosa no mundo como ninguém.

Quando estamos os quatros deitados juntos na cama, no sofá ou no chão das brincadeiras, Marina sempre nos envolve com um abraço com o alcance que seus bracinhos permitem e grita, anunciando ao mundo: “FAMÍLIA!”. Marina é muito família. Sensível, preenche os espaços em branco. Se peço um beijo de Clara, que tem jeitos e tempos diferentes de mostrar carinho, e não recebo, logo chega um beijo de Marina, voando, como se sentindo obrigada a cumprir a tarefa a ela designada de trazer a alegria e a serenidade ao mundo. Marina é, com seus quatro aninhos, a pessoa mais solidária que conheço. Abre mão fácil do que é seu para ver o outro feliz. É dela. Assim, fácil.

Escrevo sobre a minha filha e dos meus olhos minam lágrimas silenciosas, poucas e densas, querendo transbordar. Porque sempre me quis pai, mas nunca imaginei como seria tão bom ser pai. A alegria que me dá, isso vai sem eu dizer. Mas também nunca imaginei como ser pai seria tão vulnerável. Minhas filhas são minha vulnerabilidade eterna.   Com elas aprendi a cuidar mais de mim e melhor do mundo. Com elas aprendi um novo tipo de amor que só vivencia quem é pai ou mãe. Com elas eu reaprendi a rezar.

Parei. Não saem mais letras, só lágrimas. Marina, minha filha, você é bonita com que Deus lhe deu. Termino trazendo a frase com que minha mãe sempre acordava a gente nos nossos aniversários naqueles tempos de mansidão da infância: “Eu te amo, minha criança. Deus te abençoe, te mantenha sempre assim e te faça feliz”. Na verdade, ela ainda faz isso com suas “crianças” até hoje. Como eu quero fazer até o dia em que não puder mais, Marina morena…

17 comentários em “Marina

    Rafaella Weiss disse:
    27/06/2010 às 10:28

    parabéns! que belo texto!
    me emocionei, muito bacana mesmo.
    a paternidade, de qualquer forma concebida, deve ser algo fantástico! parabéns para marina também! 🙂
    e que ela permaneça muitos anos trazendo felicidade pra vocês!
    abraço

    Jô Angel disse:
    27/06/2010 às 10:42

    São poucos os pais que têm uma percepção tão materna sobre os filhos. Chorei lendo o post. Identifiquei-me no amor pelos meus filhos. Vida longa e feliz às crianças. Minha mãe fala assim comigo e com meus filhos até hoje:” Deus te abençoe e te faça feliz.” Lindo, lindo, lindo…

      Sérgio Freire respondido:
      27/06/2010 às 18:48

      Minha irmã diz que lá em casa os homens têm alma feminina. Será? =)

    Jô Angel disse:
    27/06/2010 às 10:43

    Errei meu site rsrsr

    danibranquinho disse:
    27/06/2010 às 13:31

    já tive a oportunidade de ver a Marina pessoalmente, brincando no Habib’s, e ela é linda mesmo! Parabéns!

    Adrienne disse:
    27/06/2010 às 15:29

    Eu sempre desconfiei que ela fosse a sua preferida…

      Sérgio Freire respondido:
      27/06/2010 às 18:11

      Adri, tem isso não. Quem não tem filho não acredita nessa de que não tem um preferido. Por isso, não vou nem argumentar… Amo as duas na igual medida, ou seja, sem medidas. =) SF

        Adrienne disse:
        27/06/2010 às 18:20

        É, talvez o que falte pra mim é ser mãe e comprovar isso. Quem sabe um dia eu lhe diga isso? 🙂

        Sérgio Freire respondido:
        27/06/2010 às 18:47

        Só sendo… Mas não se apresse… =)

    Tatiana Sobreira disse:
    27/06/2010 às 18:27

    Quando parí meus primogenitos(gêmeos), Matheus e Gabriel,disse uma frase para um amigo querido: “Fui salva de minha loucuras”. Assim se deu logo após com o nascimento da mais nova, Sophia e em seguida com a adoção da mais velha, Amanda. Filhos são toques do céus a calarem nossas mentes insanas e as vezes desenfreadas. Somente os filhos nos abrandam e nos direcionam na medida certa com sentimentos nobres. Equilibram a nossa verdade e ajuízam a nossa razão. Parabéns à você, Bia, que tiveram a honra de brindar a humanidade com mais duas flores a coroar nossos dias. Felicidades à filhota. Muito amor na vida de toda a família Freire.
    Que assim seja, com carinho
    Família de:
    Tatiana Sobreira.

    Céu disse:
    29/06/2010 às 09:37

    A Lena me avisou sobre esse texto e fiquei ofendida por não receber mais o aviso das publicações!
    Mas o assunto é a Nina… tu conseguiste descrever uma parte dela, pq o todo é impossível!!! Minha afilhada é uma das pessoinhas mais iluminadas q já vi, por isso a consagrei junto à boneca de NS Auxiliadora, que com certeza a manterá especial até o fim, pra nossa felicidade.
    Páro por aqui…estou emocionada, como quase sempre q te leio.

    Adriana disse:
    29/06/2010 às 10:50

    Sergio parabéns pelo texto,vc sem duvida é um paizão que junto com a Bia formam uma familia linda e muito admirada por todos.Li o texto e me emocionei, pois a Marina é muito especial na nossa familia,foi a primeira coleguinha que o Omar nos comentou ao chegar a primeira vez da Escola,coincidência ou não,se ele fosse menina se chamaria Marina,confesso que senti um ciuminho (rsrs),mas como só ela sabe ser Marina, me conquistou de primeira e entrei tbm para os fãs de Marina “A conquistora”.

    Erlen Dias disse:
    29/06/2010 às 19:42

    Nao me surpreendo mais! Me surpreenderia se suas palavras nao nos emocionassem mais, pq, como ja falei (meio aos trancos e barrancos—ai aquela entrevista) eu te admiro pela sua inteligencia e simplicidade..mas nao fica muito bobo c isso nao viu…parabens pelo texto…um belo texto! abraços rubro-negros ..hihihihihi

    Marina Pé de Pêra (@bossanueva) disse:
    26/06/2012 às 20:13

    Parabéns pelo texto! Me emocionei. Um super beijo na Marina. 🙂

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