Gotas Bailarinas

Postado em

Sérgio Freire

Da torneira velha, ferrugens do tempo,
Semiengasgada de água a jorrar,
Brotam gotas novas, a seiva da vida,
Que, adormecidas, saem a dançar…

São as mãos da moça que abrem a torneira
Em seus movimentos, giro circular.
Entre seus barulhos, gritados ao vento,
Das suas entranhas, sem eira nem beira,
Uma água viva começa a vazar…

A torneira velha, pensada sem força,
Viu-se viço novo por causa da moça,
E da juventude pôs-se a se alembrar…
A água que brota dessa sua nascente,
Bebe dessa benção, dessa mão ardente
Que a tal torneira lhe pôs a girar….

Anos de secura, a água vai à forra,
Sai do nada, cresce, avoluma e jorra
Mas no fim, cansada, volta a rarear.
Aguardando atenta, a mão que envolve,
Vida velha e lenta (e santa?), que dissolve…

A velha torneira acordou do sonho
Veio-lhe o medo grande, um medo medonho
De a sua água-vida nunca mais bailar…

Um comentário em “Gotas Bailarinas

    Olhos de metáfora | disse:
    28/03/2013 às 10:04

    […] – que fica mais rica – quanto para a escrita – que fica mais poética. Olha o que eu fiz aqui: peguei um amor de um homem mais velho por uma moça mais nova, descrevi uma transa dos dois e como […]

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