Quero-quero.

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Quero a pausa do silêncio. Quero a melodia da música.
Quero a segurança do Mac. Quero a universalidade do Windows.
Quero a afetuosidade de Vinícius. Quero a deslinguagem de Manoel de Barros.
Quero o gás do jovem. Quero a serenidade do velho.
Quero o pique do moço. Quero a boca da moça.
Quero o frio do inverno. Quero o calor do inferno.
Quero a porralouquice da esquerda. Quero a paz-de-espírito da direita.
Quero a novidade do mundo. Quero a oca da taba.

O que interessa não é o objeto direto. Mas o verbo. Eu quero.

Quero a refrescância da coca-cola. Quero o laço social do café.
Quero o perfume francês. Quero o aroma da mulher.
Quero a rapidez do e-book. Quero o cheiro do livro.
Quero a companhia de todos. Quero o momento só meu.
Quero a direção certa do rio. Quero a espalhafatosidade do mar.
Quero a suntuosidade do Taj Mahal. Quero o à-vontade da cabaninha.
Quero o cuidado da noite. Quero o desleixo do dia.
Quero a fugacidade de um Tchan. Quero a eternidade dos Beatles.

O que interessa não é o objeto direto. Mas o verbo. Eu quero.

Quero a confusão constitutiva do inimigo. Quero o silêncio entendedor da amizade.
Quero a cumplicidade do amor. Quero o descompasso do sexo.
Quero o abraço gratuito de filho. Quero o deslimite das mães.
Quero o brilho ofuscante do sol. Quero a ternura que emana da lua.
Quero a fidelidade cega do cão. Quero o olhar escrutinador do gato.
Quero o cheiro da bata da mãe. Quero o orgulho inchado do pai.
Quero o aconchego do conhecido. Quero o sabor do inédito.
Quero o entalo do invejoso. Quero a cumplicidade sincera do admirador.
Quero a beleza da Ingrid Bergman. Quero a bandideza da Bonnie.

Porque o que  interessa não é o objeto direto. Mas o verbo. Eu quero…

Quero o sono do jovem. Quero o despertar cedo do velho.
Quero a doçura do mel. Quero o ardor da murupi.
Quero a downloadibilidade do MP3. Quero o charme do LP.
Quero o eco da oração. Quero o coro do juiz ladrão.
Quero a tradição do Aurélio. Quero a terminologia do Houaiss.
Quero a chiqueza das mesóclises. Quero a liberdade da oralidade.
Quero o café do Negro. Quero o leite do Solimões.
Quero a sossego do casamento. Quero o plantão das ficadas.
Quero os olhos da Betty Boop. Quero os lábios da Angelina Jolie.
Quero a sedução do perfume francês. Quero o beijo com gosto de cerveja.

Porque o que  interessa não é o objeto direto. Mas o verbo. Eu quero.

Quero a tese. Quero a antítese. E de quebra quero a síntese.
Quero a firmeza das raízes. Quero as possibilidades das asas.
Quero o pensamento da leitura. Quero a reflexão do livro que se fecha.

Quero a majestade do Sabiá. Quero o chafurdo na lama do Quero-quero…

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