Rédeas perdidas

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“Era quando ele estava bem que ela surgia. Chegava do nada e o balançava. Tirava-lhe da boca o sorriso, da respiração o compasso, da mão a secura. Mandava que ele fosse para algum lugar isolado, roubando-lhe as companhias. Ele fechava os olhos, qual criança com medo do bicho-papão, na esperança que ela desaparecesse. Não ousava abrir os olhos para conferir. Mesmo de olhos fechados, sua mente formigava com assuntos plantados ali que o consumiam por dentro. Durante boa parte do tempo, ele ainda conseguia se esgueirar de tudo, refugiando-se na música, em sorrisos amigos, em carinhos infantis. O seu refúgio lhe protegia. Mas a relação de tempo começava a ficar desigual. Passava cada vez menos tempo em seu bunker protetor e cada vez mais tempo enfurnado dentro de si. Temia seriamente não mais voltar um dia…” SF

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