Quem errou?

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“As coisas ainda estavam no mesmo lugar. O velho relógio na parede, parado no tempo, parecia mostrar a hora exata em que ela se fora. Teias de aranha ligavam quinas de móveis que testemunharam um passado cheio de história. A poeira cobria as superfícies de tempos profundos. No quarto, os lençois ainda desarrumados, em desalinho, traziam o formato de dois corpos que um dia o marcaram com as manchas do clímax do amor agora esquecido e apagado dos anais da história. A vasilha do gato o lembrou de quando assistiam, os três, no fim de noite, a filmes ruins deitados no chão da sala, comendo pipoca com catchup, se lambuzando de proximidade. A carta que ela deixara ainda estava sobre a mesa, manchada de sua lágrimas atônitas, agora secas sobre o papel. Por que havia jogado tudo aquilo fora, como se joga o lixo do dia, por causa de tão pouca aventura? Tinha saudades dela. E da casa limpa com a cândida do afeto. E do gato. E de si próprio antes daquilo.” SF

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