Desrazão

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“Ele era tudo aquilo que não deveria ser. Uma pessoa que certamente não servia para ela. O contrário de todos os predicativos de todas as suas listas daquilo que ela queria em alguém. A olho nu, todos os seus amigos percebiam a incompatibilidade e sabiam que aquilo ainda lhe faria um mal imenso. Mesmo avisada, ela sucumbiu ao visgo do seu olhar e à chama do seu sorriso que a bagunçava. Apaixonadamente, se entregou ao desejo com a voracidade dos marujos que voltam ao continente depois de longa temporada. Nunca sentiu algo tão forte. Nunca sentiu um prazer como o que ele lhe proporcionava. Seu corpo ficava dormente, formigando junto ao dele. Ele lhe despertava uma insaciabilidade que ela nem desconfiava que lhe habitava as carnes. Pura entrega. Já não era mais dona de si com ele.  Ela mergulhou de cabeça no inevitável raso. Depois aconteceu tudo conforme o previsto. Ela sofreu, chorou, se maldisse, jurou o nunca mais de praxe. Não foi enganada.  Ela sempre soube que iria acontecer assim, exatamente desse jeito. Mas há certas pessoas que mesmo mal recomendadas pela intuição e pelos fatos nos arrebatam de uma forma incontrolável para fora de nossa razão. Ele era uma dessas pessoas. No fundo e só para si, ela rezava todo dia para que ele não reaparecesse com aquela magia inexplicável para a qual não tinha a menor defesa.”  SF

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