Arqueólogo de si

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“Era uma pessoa muito apegada ao passado. Nostalgia e saudade de um tempo que se foi. Sabia que a memória tecia sua personalidade. Pessoas, fotos, fatos, músicas que passaram e ficaram. Sabia que que essa melancolia era uma forma de ocupar o tempo para não pensar no futuro. Também sabia que alguns amigos seus, que alegam não gostar de museus e que afirmam que não querem viver no passado, se exilam como ele, mas um exílio no futuro. Recusam-se a falar do passado, afirmam a necessidade de viver para o que ainda vem. Não é que eles não tenham pessoas, fotos, fatos, músicas  em sua história. Não é que eles não tenham história. Eles têm é  medo de ter de ver, ouvir, sentir o que passou, ainda que inconsciente. Suas histórias bagunçam suas certezas, incertas se trazidas às suas raízes. Não falar sobre não significa que não existe a presença da coisa calada. A presença que se faz mais forte é que se apresenta pela falta. O futuro não existe. O presente vira passado no segundo seguinte. Só o passado existe. Por isso ele gostava de fazer arqueologia dos seus sentidos…” SF

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