A oração da Linguagem

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“Quando ele disse: ‘eu gosto de você’, ela ficou sem fala. Ela já sabia disso. Ela já tinha dito de outras formas, por meio de gestos, de olhares, de indiretas. Mas ouvir as palavras ditas naquela oração simples a deixou nas nuvens. Um sentimento que já lhe habitava tomou forma por pronome, sujeito e predicado. Flutuou pelos ares nos fonemas surdos e sonoros e bailou na prosódia. As palavras mexeram com a semântica de seus afetos e bagunçaram a sua sintaxe particular. A linguagem pode ter coordenadas sindéticas de várias formas, comparativos sintéticos e analíticos, verbos regulares e defectivos. Pode brincar com suas adjetivas restritivas e explicativas.  Mas a força da linguagem surge mesmo quando se fala – mesmo pelo silêncio. Porque a língua surge em forma de oração. Por isso é divina. Quando se trata de amor, não há oração sem sujeito.” SF

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