Passou, passarinho…

Postado em

“Arrumando suas coisas, ela achou um livro que ele havia lhe dado. Ele comprou aquele Quintana num balaio de promoções da Feira do Livro quando estiveram em Porto Alegre. Ele sabia que ela adorava Quintana. Ele sabia tanta coisa dela… Havia uma dedicatória escrita por ele, feita com cuidado na Usina do Gasômetro, olhando o Guaíba. Ela leu a dedicatória e, engraçado, não havia mais os sentidos que um dia ali fizeram morada. Os sentidos haviam evaporado com o tempo. As letras ainda estavam legíveis, mas o afeto não. Como ele podia ter jurado amor eterno e não ter cumprido? Promissória vencida, não resgatável. Há amores que amarelam como as páginas de livro antigo. Marcado com um guardanapo de papel com dois corações entrelaçados desenhados por ele estava uma página. Nela, Quintana a lhe dizer que amar é trocar a alma de casa. Ela nem lembrava mais dele. Muito menos de que sua alma havia morado naquela casa. Ele passou. Ela, passarinho.” SF

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s