Mundo topocêntrico

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Vivemos a ilusão de que o mundo se organiza por meio das pessoas. Na verdade, o mundo se organiza por meio de uma teia de lugares sociais que as pessoas ocupam. Quando a permanência em alguns desses lugares são mais perenes, apaga-se mais facilmente essa constituição. Quando são mais efêmeros, visualiza-se. Alguns perdem os lugares, caem na relação simbólica valorizada e não conseguem lidar com isso. Viram fantasmas obsessores do lugar perdido. Saber lidar com os sentidos produzidos pela relação de lugares faz com que o sujeito sofra menos quando as pessoas passam a tratá-lo diferentemente porque já não é mais quem era no xadrez do tabuleiro social. A sabedoria popular criou um ditado para isso: “Rei morto, rei posto”. No fundo, na sociedade de hoje, não interessa quem você é, como indivíduo empírico, mas de onde você fala e qual o grau de legitimação desse lugar de fala. Parece cruel, mas no mundo líquido de hoje, a ciranda é rápida, a identidade é determinada pela alteridade e somos todos lugares e não pessoas. Vivemos uma ilusão necessária de um humanismo, mas o mundo é centrado no valor simbólico do lugar.

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