Andando em silêncio

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Para os que ainda amam e precisam lutar pelo amor.

Eu às vezes paro e pergunto à lua/Meu amor, por que você não vem/Eu preciso tanto ter você por perto/Pra esquecer de vez a solidão/As palavras vagam noite adentro/Não há noite não há nada, é só você/Não adianta o amor se derramar em prantos/Revelando um novo escândalo/Não servirá…Falta pouco tempo para um novo século/ E o que fizemos quase se perdeu/Da janela vejo quase tudo/À espera de um sorriso igual ao seu/Você é meu silêncio/Meu maior segredo/Tudo aquilo que escondo de mim/Pra não te ver chorar…

Há dias em que paramos para olhar o céu e se perguntar sobre a vida. Que rumos distintos daqueles rabiscados no guardanapo de papel tomaram aqueles nossos planos, não é?  Onde estávamos com a cabeça quando deixamos de lado aqueles sorrisos ainda impressos em nossas fotos daquele tempo que, que coisa!, eram tão bons? Cada descoberta, cada alegria, cada frio na barriga. O primeiro olhar, o beijo que nos laçou naquele sentimento que juramos para sempre. O chegar de mansinho com medo de pisar em falso… Que é deles?

Inevitável, no meio do corre-corre, colocar a vida em ponto-morto e perguntar à lua, que, aliás, anda linda, por que você não vem mais. Fico parado na esquina do meu pensamento desejando que tudo aquilo que aconteceu e que levou você de mim não passe de um pesadelo. Tudo vai sumir ao meu abrir de olhos no dia seguinte, dando aquele alívio leve que o acordar traz depois de uma noite ruim. Meu desejo… Sem você, engraçado, minhas noites têm sido ruins. Meu pensamento é meu lugar mais seguro, porque fora dele eu estou só. E eu preciso ter você por perto para esquecer a solidão. Você me enchia a vida. Hoje a presença da tua ausência me sufoca, me rouba os ares, me desconcentra. Vou perdendo o rumo porque você era a minha bússola, a minha nau, o meu marujo, o meu rum, o meu porto. Quando você foi, perdi o meu mapa, meu mar e minha terra firme. Quando deixei você ir, eu queimei meus navios.

Preencho, em vão, os buracos que você deixou com coisas mil. Alegrias chinesas que quebram ao menor choque com o real. Eu me engano no ritmo alucinante para fugir da alucinação da certeza da sua falta em mim. Mas agora estou gritando para o mundo: você me faz falta. Uma falta imensa. Doída. Lancinante. Era você e eu deixei ir. Fraquejei. Errei no cálculo. Qualquer lugar sem você é só mais um deserto. Eu, sedento de nós, na areia quente. Onde o oásis do seu corpo? Onde o remanso da sua companhia? Onde você? Queria de novo saber do teu cotidiano, que eu perdi…

Minha cabeça é invadida de palavras. Minhas, me questionando sobre minhas decisões;  suas, me trazendo momentos tão nossos, como nossa música, as nossas manias, os nossos apelidos secretos, a nossa história. Aquela noite especial? Aquela loucura de amor? Lembra? A lua olha e me ouve. E as palavras vagam noite a dentro. Perco o prumo, a referência, as vontades. Não há noite, não há nada. É só você.

O que que eu faço? Vou atrás de você? Você me quer ainda? Você pensa como eu penso? Você chora como eu choro? Porque eu choro com saudades da gente sem que ninguém saiba. Ninguém sabe. Só eu. – Puxa! Eu gostava tanto da gente junto… – Eu me fiz de forte  quando você foi. Hoje confesso: fiquei um trapo. Essas quatro paredes do meu quarto estão cada vez mais se fechando sobre mim. Você está em cada canto da casa, entrelaçada à minha sorte. Por que eu não disse as coisas que eu pensei em dizer? Podia até gritar como um dia gritei para que todos ouvissem. Que bobagem a minha achar que iam me considerar um fraco por voltar atrás sem mesmo ter ido! E quem tinha a ver com isso, senão eu e você? Como eu pude deixar você ir?… Agora, eu posso gritar, me derramar em prantos, fazer um escândalo… Não servirá. Você não está por perto.

Da janela eu vejo quase tudo. Fico à espera de um sorriso igual ao seu. Que não virá. Quero um cheiro igual ao seu. Que não existe. Querer você de volta é algo que não consigo falar, muito menos gritar, apesar do desejo estar alucinadamente frenético dentro do meu peito. Você é meu silêncio. Meu maior segredo. Ninguém sabe. Só eu. Vão passar anos, anos e ainda vou amar você.

Uma cigana me disse que você foi o amor da minha vida. Ela me disse também que o fim do mundo é a gente que faz. O fim do mundo é o horizonte. Sabe… eu preciso ser feliz. E eu só vou ser feliz com você. Hoje eu sei. Por você, para lhe ter a sorrir seu sorriso para mim, eu irei até o fim do mundo e se preciso for mais longe e mais longe. Preciso me despir das vergonhas, dos julgamentos, do medo. Preciso deixar para traz os temores, a ansiedade, a falsa alegria que engana a tristeza. Preciso me jogar na reconquista como os navegadores do Século XVI.

Existem provas vivas de que a gente se amou. Você sabe. Não, não há tempo certo para ser feliz. Todo o tempo é tempo de felicidade. A demora  só faz o caminho ficar mais pedregoso. Mas mesmo com uma pedra no meio do caminho, eu vou. Porque há sempre um tempo para quem se perdeu ter nova chance de se encontrar. Eu quero você de volta. Sem você, eu tenho andado em silêncio.

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2 comentários em “Andando em silêncio

    van disse:
    06/06/2012 às 22:56

    muito lindo !!!

    Harr Thomas Jr disse:
    07/06/2012 às 14:49

    Lindo texto!

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