Banzeiro

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“O tempo por vezes requer uma viagem ao interior de si. Parar sem pressa e pôr os pés em nascentes dos rios da alma que sequer imaginávamos que existissem. Olhar para cima e ver os filetes de sol da reflexão rasgando a copa dos problemas que cobrem nossa flora, nossas flores. Caminhar descalços dos conceitos e regras da cidade externa ao corpo e à alma, despidos do mundo que insiste em regrar nossos comportamentos: pôr regras naquilo que queremos solto. Mergulhar nos rios de contemplação, no silêncio quebrado pela paz da música dos uirapurus. Deixar a correnteza levar os despojos das sujeiras que grudaram em nós por causa de nossa caminhada no dia-a-dia. Fazer renascer o nosso sol depois de noites intermináveis; fazer brilhar nossas estrelas, esmaecidas pelas nuvens escuras que insistiram em pairar sobre nossas cabeças. Retonar à cidade da realidade ouvindo o tuque-tuque melódico do motor, deitado na rede da meditação, com o vento a lamber-nos o rosto e o banzeiro a ninar o barco no leito do rio. Fazer do inferno astral o verão boreal, a antítese, o contrário, o avesso da alma da ida. A linguagem é o silêncio. Só nos ouvimos no silêncio de dentro de nós. Por isso a rede. Por isso a viagem. Por isso o retorno ao silêncio, o estado mais puro da linguagem”. SF

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