Paz pra sofrer

Postado em

“Não. Não quero falar com ninguém. Não quero amigos me dando colo. Colo é para o que tem consolo e aqui não tem consolo que dê jeito. Não, não quero ninguém dizendo que passa. Não tenho vislumbre de luz no fim do túnel. O trem já passou sobre minhas pernas que estão estiradas sobre os trilhos. Meu sangue se esvai, a vista escurece, estou indo. Sim, é uma metáfora. Não me peça que explique uma metáfora. Se você não entende uma simples metáfora, como pretende me ajudar? Desligue o som! Cale os cachorros! Ponha os gatos para fora! Senão eu chuto. E deixe de querer pagar de defensor dos animais! Politicamente correto para quem está no inferno é um luxo que não quero. Isso! Aproveite sua raiva, vire as costas e me deixe! Mas leve os bichos! Amargo… sim, estou amargo. A bile é, no entanto, minha. Deixe que eu a sorva em paz. Sem frases bonitinhas de Facebook pra mim! Dorflexs de linguagem… Nada de frases de religião também para confortar e racionalizar a minha dor. A religião liga e eu quero ficar desligado. Entendeu? Desligado! Feche a porta e apague a luz. Ponha umas nuvens aí no céu que a luz está me incomodando. Deixa eu curtir meu lado triste. Quero chorar, gritar, colocar pra fora isso que me consome por dentro, isso que me paralisa minha vida. Quero gastar isso. Até o fim. E aí, se depois do meu tempo no meu inferno particular, eu voltar e você ainda estiver me esperando, eu te peço desculpas. E você vai me desculpar. Porque você é amigo. Senão estiver lá quando eu abrir a porta, troque de lugar comigo e vá você pro inferno! Saco! Um ser humano precisa ir ao inferno para poder sair dele…” SF

Anúncios

4 comentários em “Paz pra sofrer

    Rafael Sobral disse:
    17/10/2012 às 11:07

    “Fique então neste inferno torto, seu louco! E aproveite que já está por aí para tentar encontrar algum conforto nas chamas deste purgatório que inventou pra si. Sugiro, inclusive, que faça um bom churrasquinho – dos mais torriscados – com a sua dor. Aí “pelos quintos” certamente não vão faltar brasas para assar espetinhos de sofrimento e angústia. E se acaso esbarrar com o “Coisa Ruim”, peça-o gentilmente para desligar um pouco o maçarico nos verões cariocas. Afinal de contas o “calor dos infernos” não é artigo de exportação e deve ficar restrito só por aí mesmo. Mas me prometa tomar bastante cuidado, meu amigo: não deixe que tanto calor frite seus miolos. Gaste toda a sua aflição por aí, mas não se perca em idéias que não lhe ajudarão em nada. Sou seu amigo da vida inteira e estarei sempre atrás de todas as portas esperando pela sua entrada. Lamento, contudo, não poder lhe ser útil neste momento tão soturno e desesperador. Respeito sua dor – e até acredito que seja importante vivê-la sozinho. Faz parte de todo processo de amadurecimento… Ao inferno devemos mandar tudo o que não presta! Mas você… Cara, você presta demais! Seu lugar é aqui conosco! Saia logo destas trevas! Estou aqui fora a lhe esperar para, juntos, tomar uma gelada, jogar conversa fora e, principalmente, esfriar a cabeça…” RS

      Sérgio Freire respondido:
      17/10/2012 às 11:13

      Vou dar o recado ao eu-lírico. Pode deixar. 🙂

      Rosiane Maria disse:
      17/10/2012 às 13:22

      Seus textos ganham vida quando lemos! São vicerais. Instigantes. Reflexivos. É bom ler as coisas daqui. Abração!

      Lucyele Santana disse:
      02/12/2012 às 20:53

      Nossa esse é o melhor de todos! os seus textos me tocam.. como se fossem vivos! e são! Maravilhosos! Sensacionais!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s