Estações de amores

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“Pode-se, sim, amar à distância. Porque amor é tudo aquilo de bom que é disparado pela lembrança da pessoa que amamos. Sorrimos e choramos de felicidade à sua imagem na mente, vagamos em pensamentos nas lembranças, viajamos em fotos, bilhetes, objetos, perfumes. Mas é um tipo de amor diferente. Nem pior, nem melhor: diferente. Um tipo de amor que temos de aprender quando a pessoa que amamos vai fisicamente para longe. No fundo, admitamos, vai, é um simulacro. Porque nada substitui o cheiro da pessoa, o abraço apertado, o estalo do beijo na pele, o carinho particular criado a dois. Nada substitui a presença das mãos, do cheiro, do olhar e do sorriso de quem amamos. Tocar a materialidade é preencher um espaço com o real da história. Quando passamos um tempo sem quem amamos, a súbita presença floreia tudo numa primavera instantânea, matando a saudade com a presença da presença. Mas quando quem amamos não pode voltar, mesmo os mais ensolarados verões viram, na consciência doída da impossibilidade, nosso inverno mais frio e escuro. Aproveite os seus de perto. No privilégio cotidiano da presença ou na sazonalidade da primavera que vem de vez em quando. Porque vai chegar o tempo do inverno. É da vida. E o calor de quem a gente ama não vai mais no aquecer como antes, nos restando o amor à distância, ainda que tão dentro de nós…” SF

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