Ano Novo

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Ele era um incrédulo. Um desacreditador. Um desseguidor de tudo. Achava que esse negócio de Ano Novo era uma bobagem. Lista de resoluções, uma besteira de gente sem atitude que sempre deixa as coisas para depois e joga tudo nas costas do novo ano. Se irritava com fogos, como um cachorro. Àqueles que criticavam seu azedume dizia que as pessoas se apegam nessas datas simbólicas para tentar dar conta dos seus caos particulares. Odiava esses comportamentos classe média padrão. Ele os encarava com certo cinismo, sarcasmo, desdém. “A rotina é o ópio dos medíocres” era seu mantra. Mas naquele ano ele conheceu uma menina. Classe média, como milhares de meninas. Passou o Reveillon na festa de família dela. Eles comeram chester e lentilha, fizeram contagem regressiva, cantaram “Adeus Ano Velho. Feliz Ano Novo” e ” Esse ano quero paz no meu coração”, estouraram uma Sidra do Carrefour. Ela, à meia-noite, lhe deu um beijo, lhe olhou nos olhos e disse “Eu te amo. Feliz Ano Novo!” Estouraram no céu fogos brilhantes, que saíram de dentro dele. Ele já planeja em qual Escola de Samba descerá na avenida com ela. Sair no carnaval é o item três da sua lista de 2013. Feliz 2013, com fogos internos e amor que muda o mundo. SF

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