Onde foi…?

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“Vazio de borboletas. É assim que se encontra o meu interior. Nem sequer uma daquelas branquinhas, mais comuns, voa onde antes desfilavam muitas, de variadas e inéditas cores e desenhos. O que foi feito daquele espaço dentro de mim que acolhia o panapaná, num balé que só os tomados pela paixão sentem? Em que ponto do caminho as borboletas cansaram de nós? Desde quando nosso encontro passou a acontecer sem o frenesi, sem a cor, sem a vibração que antes eram parte de nossa festa particular? Desconfio que foi quando a admiração que tínhamos um pelo outro se foi, abrindo caminho para o êxodo de nossas borboletas. Suspeito que tenha sido naquele momento em que o descuido do coração começou a deixar sair palavras desnecessárias, ferinas, sem razão de ser. Espanamos para nós mesmos, como um parafuso cuspido do qual se desiste. Tenho para mim que as borboletas se foram talvez no momento em que mudamos o que nos fazia feliz: deixamos de ficar feliz com felicidade do outro para se satisfazer com as palavras desagradáveis e constrangedoras. Quando a admiração acaba, acaba o amor. Na vida a dois, amar é fazer tudo para ver o outro feliz, sorrindo, leve. E daí tirar a nossa felicidade. Agora, eu vivo entre as larvas e um certo mato alto, que é só que me restou daquele espaço acolhedor. Tenho de inventar tempo para esperar a ecdise das lagartas, com forças sabe Deus de onde. Não sei viver sem borboletas zoando dentro de mim…” SF

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