Uma ideia na cabeça

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“Ele gostava tanto de estar com ela. Ela lhe despertava uma sensação de acolhimento, de conforto, de aconchego. O sorriso dela rasgava seu corpo num pentecostes afetivo. Suava-lhe as mãos, lhe tirava a respiração do ritmo. Cada vez que ela lhe dirigia a palavra, a brasa do carvão de seu afeto cintilava mais forte. Ela nem desconfiava que causava tudo aquilo nele. Talvez sim. Não. Certamente que ela sabia de tudo. Porque ela também se sentia leve com ele, com sua atenção, com seu querer transformado em olhar sorridente. Ela sentia vindo dele aquela admiração que cimenta as relações eternas. Por ele nutria igual sentimento.  Os dois se sabiam. Mas jamais disseram nada. Medo de estragar o que tinham. Receio de ter de refazer o que era incompatível com a situação. Porque um instante só, se começasse, não faria justiça àquilo que mereciam. Mereciam o integral, não a fração. Mereciam o universo e não só quarto. Mereciam alma, não só corpo. Guardaram, no entanto, o melhor dos dois para o mundo do subentendido. O mundo ganhou uma linda amizade. Perdeu um amor exemplar”.  SF

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Um comentário em “Uma ideia na cabeça

    anamaria disse:
    24/05/2013 às 14:14

    nossa Sergio!sem palavras!muito gosotoso ler seus textos!me senti leve como o personagem !muito bom!

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