Sinais

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“Romeu amanheceu com aquele vazio sem remetente. Um entalo de angústia não identificada. Há sensações que despertam com a gente, se aproveitando de nosso sono, da nossa falta de vigília. Repassou todo o seu script de vida para ver se descobria o que era: trabalho, amor, amizade, família. Tudo, no entanto, parecia estar no lugar. Foi até sua escrivaninha xerife, onde mantinha sua vida ainda por organizar, tentou escrever para ver se o entalo saía nas letras, mas foi inútil. Na varanda, olhava o horizonte na esperança de um sinal divino que lhe esclarecesse a agonia. As avencas ali penduradas lhe faziam companhia. Ele estava frágil, como elas. Ele estava à flor da pele e não sabia por quê. Um casal de araras vermelhas passou rasgando o céu azul. Seria esse o sinal divino? Com ele, Deus sempre brincava de enigmas. Sim, porque Deus tem um jeito diferente de falar com cada um. Araras, entalo, dia azul… Essa era difícil. Deus sorria de canto de boca…” SF

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