A maçã

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“A gente não se podia, mas se permitiu. Tudo tinha, no começo, o gosto de fruta roubada por sobre o muro, comida entre risadas sob uma árvore depois da carreira para não ser pegos. Uma travessura apenas. Fomos nos querendo mais, deixando os fios das impossibilidades se emaranharem em cada fugida, em cada encontro furtivo, em cada regra quebrada. Quando os suores se misturaram perigosamente, percebemos que estávamos saltando num abismo de cujo fundo seria difícil voltar. Tivemos de pensar sobre o que não queríamos. Na encruzilhada, enquanto pensávamos no que fazer, fizemos amor mais uma vez para não perder um tempo que não era nosso. Mas acabou. Teve de acabar. Os tempos ficaram poucos; os espaços, claustrofóbicos. O formato mínimo do amor se maximizava em nós e se exigia primário e máximo. Nós ainda nos vemos vez por outra e conversamos pelo Whats, com muito carinho. É quando falamos da maçã, mas nunca do suor. É quando lembramos do sorvete que dividimos. Lembrar do sorvete é a nossa forma de lembrar daquelas loucas horas. Sempre terminamos dizendo um pro outro: ‘Te cuida. Gosto muito de ti…'”. SF

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