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“Aí eu abro o browser. E vi que ele curtiu um post meu. Uma sensação de ser pega no flagra me invade porque eu não consigo disfarçar o sorriso que veio automático. Eu nunca o vi pessoalmente. Só nas redes sociais. Sei do que ele gosta, o que pensa, onde está. Sei quando está triste, quando está alegre, quando está irônico. Sei que músicas ele ouve, a que séries assiste, o que está lendo. Não, não sou stalker. Apenas fico feliz em saber que ele existe. Ai, que boba eu… Saber dele me faz bem. Desconfio de que ele me sabe também. Mas a gente mantém a distância prudente. Eu às vezes sinalizo. Ele às vezes mostra que me entende. A gente flerta veladamente, embora não admitamos. Aí ele posta uma foto com a namorada. Eu curto. Ele entende o que essa curtida quer dizer. Ele vai e curte uma foto minha de um álbum antigo. Mas ele nunca curte uma foto minha acompanhada. Eu entendo o que ele quer dizer. A gente nunca se cutucou. Quem se quer de verdade não se cutuca nunca. E assim a gente vai construindo a nossa história. Sim, a gente já tem uma história. Todo dia de manhã, quando eu entro no Face, vou direto no perfil dele e falo em voz alta para ele, meio que cantando: ‘Bom dia, meu amor!’ Não quero nunca encontrá-lo de verdade. Eu morro de medo de no encontro perder a intimidade que já temos. E que cresce a cada dia. A gente se sabe tanto já…” SF

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