Démodé

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Tranquilidade“Num mundo de mudanças, do efêmero, do líquido, temos posta a urgência de correr, de se movimentar, de sempre partir, de sempre pular, de pisar no barro da trilha, de se atirar em queda-livre, de celebrar o novo. O estável, o perene, o sólido não são bem vistos. Contemplar sem pressa, ficar, preferir a endorfina à adrenalina são coisas que nos tornam cada vez mais anacrônicos, sujeitos fora do tempo. Como novos fumantes, negar a urgência nos leva a aproveitar o perene necessariamente em um canto retirado, escondido, para que a vida em fast-forward não nos veja e nos reprove. Querer o passo seguro, acostumado, manter os pés no chão, preferir caminhos conhecidos, olhar o penhasco de longe da segurança da planície e acariciar o velho patinado da vida… tudo isso nos põe à margem do espírito do tempo das urgências. Chegará o dia em que o ato de escrever uma carta de amor será banido pelo Zeitgeist. Porque cartas serão marcas de um passado distante, de uma gente que se organizava em torno do átomo e não do bit, do real e não do virtual. E porque o amor, sempre eterno em si, será um sentimento meio démodé, cheirando a mofo, coisa de uma gente que apostava num para-sempre e que não tem mais lugar nos tempos de uma vida que passa em vapts e vupts”. SF

Um comentário em “Démodé

    Kelley disse:
    10/05/2015 às 14:31

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