Os aís da vida

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Os aís da vida. Aí, no começo, bebês, a gente acha que é a nossa mãe. Aí vem a primeira pancada: não é. Aí, crianças, a gente acha que é o centro do mundo. Aí vem a segunda pancada: não é. Aí, na adolescência, a gente se rebela contra tudo e quer fazer tudo diferente achando que vai, com isso, mudar o mundo. Aí vem a terceira pancada: não vai. Aí, na meia-idade, quando as primeiras contas chegam, a gente se recusa a entrar no sistema e despiroca mochilando pelo mundo para fugir disso. Aí vem a quarta pancada: não foge. Aí vêm casamentos e filhos e você jura que com eles vai fazer as coisas bem diferentes. Aí vem o Belchior e joga na nossa cara que a gente faz igualzinho a nossos pais. Aí vem a quinta pancada: não cumpre. Aí vem a meia-idade e você tenta juntar todas as forças para fazer a vida ser mais do que uma mera sobrevivência, afinal depois de tanto investimento de vida, é apenas justo, não? Aí vem a sexta pancada: não é nada justo. Aí vem a velhice. O tempo passou, a gente olha para trás e dá um estalo. Aí percebe que a vida não era o que a gente tentava ser ou conseguir. Aí a gente percebe que a vida era o próprio processo de tentar. Aí vem a última pancada: não dá mais tempo. Aí só na outra agora.

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