ano novo

Cacos da vida

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Cacos

Final do ano é tempo de balanço. Estamos nós a pesar as coisas para lá e para cá para checar se na balança da vida o ano foi mais para lembrar ou mais para esquecer. O conjunto das boas coisas que vieram é posto lado a lado com o conjunto das coisas que gostaríamos de esquecer. Aí vem o veredito: terminamos o ano felizes, soltando os fogos de artifícios da vida junto com os da virada, ou terminamos o ano tristes, desejando ardentemente que o que chega chegue logo e traga com ele os ventos haraganos.

Se você está feliz, leitor querido, que bom! Que essa felicidade se multiplique no ano vindouro. Mas eu queria falar mesmo com você, que anda triste. Foi para você que eu escrevi este texto.

Você sabe por que a gente fica triste? Porque a gente começa a viver uma vida que, de alguma forma, começa a ficar cheia de coisas que carecem de sentido. A vida tem de ter sentido. As minhas leituras na psicologia têm me ajudado a compreender isso. Deixa eu compartilhar um pouco do que já aprendi.

As tristezas são tributárias ao tempo. Na época de Freud, as neuroses eram causadas por questões de sexualidade, bastante reprimida na Europa pós-vitoriana. Um outro psicanalista, Alfred Adler, que trabalhou com Freud, achava que o pai da psicanálise superestimava a questão sexual. Aí ele propôs uma teoria dizendo que o meio social e a preocupação contínua do indivíduo em alcançar objetivos preestabelecidos eram os determinantes do comportamento humano. Isso incluía a sede de poder e a notoriedade. Quando essa busca falhava, eram gerados complexos de inferioridade, transformando a incapacidade numa dinâmica patológica, numa tristeza. A neurose não era mais por causa do sexo reprimido, mas por causa da inferioridade de uma expectativa social frustrada.

O tempo foi passando, o mundo foi mudando. Para enfrentar as demandas do mundo contemporâneo, a pessoa precisa se ancorar em algo. Até um tempo atrás, esse algo costumava ser a tradição. Se não soubéssemos o que fazer, bastava olhar para o que a tradição determinava para nós, nos encaixarmos nesse sistema como uma engrenagem e seguir a vida até morrer. A vida normalizada também gerava neuroses, mas o encaixe social e o conforto sobre o que fazer aliviavam os conflitos. E o mundo mudou de novo.

Vivemos em uma época pós-moderna em que as tradições têm se esfarelado. Antes os homens trabalhavam fora, as mulheres cuidavam da cria e tudo que fugia ao script não podia vir à luz. Hoje todas as possibilidades caminham na praça em plena luz do sol. Tudo saiu do armário e as possibilidades ganharam vida plena. Mulheres conquistaram seu espaço, a sexualidade explodiu para todos os lados, aquela tradição confortadora virou apenas uma dentre centenas de outras possibilidades vivas. O que nos resta fazer, então, sem a tradição para nos agasalhar e nos dar conforto?

Logicamente, nos restam alguns caminhos. Ou fazemos o que os outros querem que nós façamos – e aí eu caímos num conformismo – ou fazemos o que os outros nos mandam fazer – aí caímos num totalitarismo. Seja um ou outro, vamos acabar fazendo aquilo que não nos interessa, vivendo uma vida que não é nossa, e isso vai esvair o sentido do que fazemos, levando à tristeza e ao adoecimento psíquico. Resta, no entanto, um terceiro caminho, que me parece o mais interessante: fazermos o que queremos e, ao fazer o que queremos, preencher a vida de sentido.

“Ain, mas nem sempre dá para fazer o que a gente quer!” Verdade, nem sempre. Mas o “nem sempre” tem de virar um “quase sempre”. Quase sempre temos de fazer o que nos causa alegria, prazer, paz. O resto inevitável deve ser preenchido com a chatice inerente à vida, com os sapos engolidos no trabalho, com a aula porre daquele professor medíocre na faculdade que somos obrigado a assistir, com uma ou outra situação que temos de encarar e que, de fato, foge da nossa escolha. Resumindo: se não houver mais alegria e prazer do que tristeza e desprazer, a vida está errada, parceiro. Aí é preciso reagir e sair do conformismo ou do totalitarismo. Senão nós vamos adoecer, vamos ficar tristes, infelizes, deprimidos. vamos viver sem sentido.

Qual é o sentido? É essa a pergunta que temos de nos fazer todos os dias. Qual é o sentido de continuar em uma relação afetiva que nos machuca, que nos oprime, que não nos dá alegria? Qual é o sentido de continuar trabalhando em um lugar que nos adoece só de pensar, quando acordamos, que temos de ir para lá? Qual é o sentido de insistir em coisas que acabaram e que, mesmo que voltassem, não seriam a mesma coisa? Qual é o sentido de preencher nosso tempo atrapalhando a vida dos outros em vez de cuidar com carinho da nossa própria, rota e maltrapilha psiquicamente? Qual é o sentido de movermos mundo e fundos para ter o melhor carro, o iPhone mais fuderoso, a festa mais cara de aniversário para o nosso filho só para ganhar o like da sociedade que valoriza a aparência? Black Mirror, temporada 3, episódio 1: “Queda Livre”. Vá lá assistir e depois a gente conversa.

Vida sem sentido bom é vida triste, mambembe. Você que está terminado o ano triste e que me leu até aqui: qual é o sentido de continuar alimentando essa tristeza ou essa situação que lhe causa a dor? Mova-se, mexa-se, não dê moral para a melancolia. Feche ciclos que se arrastam. Corte relações com quem faz mal. Se não der conta sozinho, procure um psicólogo para ajudar a virar a mesa, a virar o jogo, a virar do avesso. Porque a vocação do ser humano é a felicidade. De cada um. Porque cada um é único, com sua história, suas glórias, seus segredos, suas batalhas perdidas. Com a dor e com a delícia de ser quem se é. Faça a sua história valer a pena. É preciso se mexer e se movimentar. A vida se ajeita quando a poeira do movimento baixa. E segue porque tem de seguir. Se uma parte de nós caiu e quebrou, é preciso juntar os cacos para ir adiante.

Na década de 40, a cidade de São Paulo tinha duas indústrias de cerâmicas. As peças que quebravam eram jogadas fora. Um operário de uma delas, sem dinheiro para construir sua casa, pediu para ficar com os pedaços das cerâmicas quebradas. A fábrica consentiu. Ele então fez o pátio da sua casa com os cacos. Mas como não tinha sempre cacos da mesma cor, misturava uns amarelos e pretos aos mais comuns, vermelhos. Logo, a moda se espalhou e pátios feitos de cacos de cerâmica viraram a coqueluche da classe média paulistana, em uma época em que a coqueluche ainda era uma doença endêmica e a expressão faz mais sentido. Muitas casas em Sampa até hoje possuem pátios lindos feitos de cacos coloridos.

A vida feliz é um pátio bonito feito com nossos cacos quebrados. De todas as cores. Na sua maioria composto dos vermelhos felizes, mesmo que pontuado aqui e ali de alguns cacos de outras cores e outros tons. A vida é feita múltiplas cores. O importante é a arte que se tece e o resultado final dos cacos juntados: a felicidade. Que seu balanço lhe traga os ventos haraganos ao rosto. Seja feliz, leitor. Seja feliz, leitora. É o desejo sincero de alguém que juntou muitos cacos nesse 2016 e que tem fé na vida, fé no homem e fé no que virá em 2017. Faz sentido?

Lista de Desejos para 2011

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“Sonho que se sonha só é sonho. Sonho que se sonha junto é realidade”.Dom Helder Câmara

As festas de ano novo dobrando a esquina. Queima de fogos, lista de intenções.

Falando em intenções, quero então fazer uma lista de desejos para o ano que se aprochega. E ao contrário do que se acredita, desejos a gente revela, sim, para que os outros desejem conosco olhando para a mesma estrela. Assim podemos dar vida às palavras de Dom Helder, aí em cima na epígrafe.

Então, que em 2011 a meta primeira de todas as pessoas seja atingida. Ticar mais um xiszinho nas tarefas a realizar na vida é sempre gratificante. Muitas vezes, dessa meta dependem outras metas, metas-corolárias – corolária é uma palavra difícil, mas linda.

Que em 2011 as pessoas amem mais e sofram menos por causa de outras. Que entendam que há sempre um caminho para felicidade, mesmo que o que as leve para lá não seja aquele trajeto tão cuidadosamente planejado. Que descubram, no novo e por vezes improvisado caminho, o riacho límpido que perderiam se não houvesse o desvio feito a contragosto. E que não destruam o caminho caminhado, pois foi ele que lhes trouxe até aqui.

Que em 2011 possamos dar continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo no nosso espaço profissional. Há uma sede desértica e uma fome de mudança africana por mudanças qualitativas na sociedade. Que possamos nos regozijar com uma esperada justiça social – regozijar também é uma palavra linda.

Que em 2011 quem se perdeu se ache. Quem se achar, se curta. Quem se curtir, que sonhe. Que use como barômetro da vida não as pequeninas coisas do dia-a-dia, as más e mesquinhas, mas as pequeninas coisas do dia-a-dia, as boas e agradáveis. Que, assim, nosso bem-querer e nossa disposição em viver nossa vida, única e nossa, beijem a boca e despertem do sono a Pollyana bela e adormecida que existe em cada um de nós. Robertocarlianamente, é preciso saber viver. Sonhar não custa nada, frase trivial e tão verdadeira. É da trivialidade que surgem os geniais insights. Devemos olhar com cuidado o comum que nos cerca, pois ele guarda surpresas inimagináveis e mudanças de vida impensáveis.

Que em 2011 as inevitáveis lágrimas que rolarem em nossas faces sirvam para enxágue da alma. Que sirvam para limpar os olhos dos travos de amargura que porventura tenham tocado a boca de nosso espírito. Que as lágrimas vertidas sirvam para regar o verde do jardim de nossa alma, por vezes cinzentas. A dor é o maior aprendizado do ser humano. Sempre haverá algo a doer. Quanto mais cedo reagimos e aprendemos a domesticá-la, mais cedo creio que seremos mais serenos e lépidos diante das drummondianas pedras no meio do caminho.

Que em 2011 novas pessoas especiais surjam em nossas vidas. A cada ano, acredito, um bom punhado delas é colocado a dedo no traçado de nossa existência com alguma missão que só muito mais tarde descobriremos. Ou não. Pessoas que simples e profundamente nos fazem bem. Pessoas cujo simples cruzar de olhar já dá um tom especial à melodia do nosso dia até então desafinado. Pessoas que fazem o coração jovializar surpreso e agradado ao vê-las inesperadamente e que levam esse mesmo coração a esperar ansioso pelo próximo encontro. Pessoas que atrasam nossas programações mais mundanas por conta de suas inestimáveis companhias, quase divinas. Pessoas especiais a quem nossa linguagem chama autonomamente de amigas, independente do tempo de convívio. Pessoas como essa em quem você está pensando agora.

Que em 2011 as velhas mágoas se aposentem e vão curtir a vida em qualquer outro lugar. Que abram vaga nova no coração, onde nunca deveriam ter ocupado assento. Que em seus lugares, alegrias joviais e cheias de gás, recém-nascidas ou formadas, assumam e sintam o prazer em servir doses sem medida de paciência, tolerância e carinho em relação aos que nos circundam.

Que em 2011 aquele velho amigo que se pôs distante ponha-se achegado. Que as gargalhadas e risadagens compartilhadas e registradas no amarelado álbum do tempo, e suspensas pelos rumos da vida, retomem seu viço e seu som estridente de então, quando lágrimas corriam soltas lavando a alma de felicidade. Uma amizade resgatada é como uma nota de cem achada no bolso daquela bermuda que há muito a gente não usa: alegra e permite a retomada de planos. E que também aquele amigo que se porá distante no ano que entra não se desachegue. Que vá, mas fique, deixando sua presença fraterna no lugar de sua presença física. Deixando seu cheiro em nossa alma para a lembrança eterna.

Que em 2011 aquele velho projeto secreto tenha sua vez. Ele sempre esperou quietinho por ela. Chegou a hora. Desengavete-o!

Que em 2011 seja o Ano Internacional do Reencontro. Reencontro consigo, com seus amigos, com sua família. Reencontro com aqueles de quem nos desencontramos por causa da teia dos acontecimentos cotidianos. Reencontro com aqueles de quem nos perdemos no tumulto da multidão dos fatos. Reencontro com nossos valores mais pueris de solidariedade, afetividade e humildade. Reencontro com Deus, grande maestro do show da vida e de vida que nos cerca.

Que 2011 seja o ano da virada. Seja lá qual for essa virada. Desde que seja para melhor. Que seja o ano do recomeço, seja lá o que for que precise ser recomeçado. Rupturas virão, ao certo, mas novos laços imediatamente surgirão para não deixar o entremeado tecido da vida roto e maltrapilho. A roupa que veste a vida espelha a aura que reveste a alma. E vice-versa.

Que 2011 seja o ano da coragem. Da coragem de rever autocriticamente nossas pisadas de bola e nossas mancadas, sem punições ou autoflagelos. Quem não dá testadas nessa vida de quando em vez? Que sejam momentos de introspecção positiva. Momentos de rever nossos planos, conceitos e preconceitos daninhos. Coragem para, tudo revisto, assumir posturas claras. Coragem para não esquecer que ninguém é eterno e que a vida é efêmera como uma florzinha no campo. Exatamente por isso não vale a pena ficar ruminando em cima daquela questiúncula miudinha e pequena. Coragem para dizer diretamente o que tem a ser dito, mas de forma tranquila, serena e verdadeira, como só os corajosos sabem fazer. Os fracos de alma sentem a necessidade de dizer por terceiros, de mandar recados. Aliás, não é necessidade: é falta de opção. É a única forma que sabem fazê-lo. Então, que aprendam outras formas em 2011.

Que em 2011 aquele dia anual de cabeça quente sirva para aquecer o coração. Explodir para quê? Que o calor da cabeça gere energia termoelétrica para processar as perguntas sem respostas, refletir a vida, refletir as tomadas de rumos, refletir os novos momentos e sua significação. Refletir a reflexão. Dormir antes de decidir.

Que 2011 seja um ano de tolerância. Que se perceba que as pessoas são diferentes e que nessa diferença reside a beleza de uma relação. Mapear o amor que sentimos e que funda nossa relação com os outros é uma das tarefas mais primordiais e gostosas de qualquer relação. É bom demais construir nossa história, riscar nossos corações nas árvores dos fatos, nas calçadas da mente. E lembrar, sem dramas, que cada um às vezes precisa de um minuto sozinho no seu cantinho. Não é nem preciso verbalizar essa necessidade para o outro. O amor proficiente no amor aprende a ler silêncios, textualizar olhares, significar sorrisos e gestos. Enfim, compreende a necessidade de transcender as palavras enunciadas. O não-dito grita o que as palavras calam.

Que em 2011 aquele velho conselho de Victor Hugo prevaleça: tenha dinheiro, mas não esqueça quem manda em quem. Dinheiro é consequência e não meta. Pense nisso, mas não se desvalorize enquanto profissional. A felicidade no trabalho é elemento importante para o equilíbrio da felicidade global, mesmo que por vezes ela pareça encurralada por desânimos e sensações de imobilidade. Os ritmos das pessoas para a cadência da vida são diferentes: alguns sambam, outros valsam. Alguns dão uma fugidinha com o Telon, outros viajam na mais deliciosa MPB de Bruna Caram. Ninguém muda tudo, mas alguma coisa se muda. Concentre-se nesse alguma coisa e toque a canoa que o chibé lhe espera.

Que em 2011 as pessoas façam algo que nunca fizeram. Ou porque não gostam ou porque não tiveram chance. Que descubram nessas coisas diferentes um prazer diferente. Que tomem Guaraná Baré, comam tucumã no pão, bife com ketchup. Que criem coragem para provar Yaksoba e beringela. Que assistam filmes do Almodóvar , experimentem uma bala de araçá-boi. Que se desapoquentem ouvindo Jorge Aragão ou Carpenters. Que assistam ao Domingão do Faustão e se deliciem com aquelas velhas videocassetadas de dez anos atrás. Que tome um delicioso banho de chuva a dois ao som de “Que maravilha”, cantada pelo Toquinho. Que leia um livro à cama, trocando calorzinho pelos pés que se chamegam por baixo do edredom. Que comam o doce abio e riam juntos do beijo de boca grudenta que a fruta proporciona. Que riam dos outros e, acima de tudo, riam de si. Aprender a ri de si é fundamental.

Que em 2011 a saudade venha e venha forte. Só sente saudade quem viveu intensamente. Que haja vida intensa no ano que rebenta. Que essa intensidade não signifique assoberbamento, mas compactação, viçosidade e viscosidade ao vinho da celebração aos fatos. Que brindemos à vida sem ficar de porre, mas apenas levemente felizes.

Que 2011, enfim, seja seu ano. Ao desejar um 2011 maravilhoso, peço a você que me lê para não esquecer algo fundamental: de bater um papo com Deus nas suas mais diversas formas. Sempre faz bem.

Meu último mas nem por isso menos importante desejo é o de que em 2012 minha lista de desejos tenha apenas uma frase: um 2013 igual a 2012: feliz. Aliás, feliz é uma palavra muito linda.

Sérgio Freire


Vamos pecar em 2012

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Nesta época, nossas caixas-postais se enchem de reflexões. Particularmente, espero que cada um de nós exercite seu lado pecador em 2012. Um mundo novo sempre é possível se capricharmos nos pecados capitais.

Que a ira acometa o coração de todos nós. Que nos iremos contra as injustiças, contra o terror, contra as formas de fazer o mal. Que a cólera nos tome em acessos para que, com os dons a nós dados gratuitamente pelo bom Deus, possamos fazer diferença na defesa dos fracos e humildes. Que o furor de cidadania guie nossas ações contra um mundo indignamente famélico num planeta farto.

Que em 2012 tenhamos gula. Gula de amores, de carinhos, de solidariedade. Que sejamos vorazes em nosso consumo de bom humor. Glutões de paz, que possamos rir soltos juntos às crianças, ajudar a um desconhecido, abrir a porta para alguém, devolver uma carteira forrada de grana ao dono. Que consumamos mais amizades, de todas as cores e sabores.

No ano que nasce, que brote em cada de um nós uma luxúria desenfreada. Por que não se esbaldar sem rédeas de vez em quando? Por que não deixar as crianças pisarem na areia, comerem uma barra inteira de chocolate? Que tenhamos um tempo para pequenos prazeres com nossos irmãos. Que resgatemos o gosto do sorvete de domingo. Que o viço retorne à nossa vida, se por acaso tivermos permitido que ela tenha desbotado.

Um ano novo começa. Que tenhamos muita inveja nos próximos 366 dias. Inveja de quem faz trabalho voluntário, de quem vive pensando no outro, de quem cuida de si, de quem cresce sem derrubar os outros. Invejemos a pureza e a inocência das crianças. Permitamo-nos cobiçar a mulher do próximo para querê-la bem e para aproximar mais o próximo da gente. Muita inveja da capacidade de catalisar o bem para todos nós em 2012.

Que a virada do ano nos traga momentos de muita preguiça. Preguiça na hora de fazer atos ou praticar omissões que só façam mal, na hora de corromper o guarda, de praguejar, de cometer o menor dos delitos. Que cada vez que formos convocados para o mal em suas várias formas possamos usar nossa mandriice como álibi. E se o malvado que lhe convidou lhe perguntar o que que significa mandriice, mande-o pastar.

2012 é um bom ano para ser avaro. Sejamos econômicos com nosso mau-humor e com nossos momentos nervosinhos. Sejamos morrinha quando as situações conspirarem para sermos mesquinhos: que nessa hora pensemos somente em nós. Pensemos que não vale a pena fazer nada contra os outros. Pensemos em suas coisas em 2012: na nossa família, nos nossos filhos, nos nossos amigos, no nosso mundo. Sejamos sovinas de fofocas, de maledicências, de derrubações.

Sejamos, por fim, bastante orgulhosos no ano novo. Tenhamos orgulho de nossos aprendizados, de tal forma que possam servir de exemplo para os que vêm depois de nós. Sejamos presunçosos quanto à nossa capacidade de fazer um mundo melhor. E não nos acanhemos em sermos arrogantes com os que não acreditarem em nós quanto a isso. Assoberbemo-nos de boas intenções para o raiar do primeiro dia do ano.

“Pecar” significa “errar o alvo”. Pois que erremos o alvo. Desejo que pequemos muito e com fervor. E sejamos felizes. É o que lhe desejo para 2012: doces pecados capitais para uma vida melhor e mais feliz. E quem não quer ser feliz que atire a primeira pedra.

Vamos pecar em 2010!

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Nesta época, nossas caixas-postais se enchem de reflexões. Particularmente, espero que cada um de nós exercite seu lado pecador em 2010. Um mundo novo sempre é possível se capricharmos nos pecados capitais.

Que a ira acometa o coração de todos nós. Que nos iremos contra as injustiças, contra o terror, contra as formas de fazer o mal. Que a cólera nos tome em acessos para que, com os dons a nós dados gratuitamente pelo bom Deus, possamos fazer diferença na defesa dos fracos e humildes. Que o furor de cidadania guie nossas ações contra um mundo indignamente famélico num planeta farto.

Que em 2010 tenhamos gula. Gula de amores, de carinhos, de solidariedade. Que sejamos vorazes em nosso consumo de bom humor. Glutões de paz, que possamos rir soltos juntos às crianças, ajudar a um desconhecido, abrir a porta para alguém, devolver uma carteira forrada de grana ao dono. Que consumamos mais amizades, de todas as cores e sabores.

No ano que nasce, que brote em cada de um nós uma luxúria desenfreada. Por que não se esbaldar sem rédeas de vez em quando? Por que não deixar as crianças pisarem na areia, comerem uma barra inteira de chocolate? Que tenhamos um tempo para pequenos prazeres com nossos irmãos. Que resgatemos o gosto do sorvete de domingo. Que o viço retorne à nossa vida, se por acaso tivermos permitido que ela tenha desbotado.

Um ano novo começa. Que tenhamos muita inveja nos próximos 365 dias. Inveja de quem faz trabalho voluntário, de quem vive pensando no outro, de quem cuida de si, de quem cresce sem derrubar os outros. Invejemos a pureza e a inocência das crianças. Permitamo-nos cobiçar a mulher do próximo para querê-la bem e para aproximar mais o próximo da gente. Muita inveja da capacidade de catalisar o bem para todos nós em 2010.

Que a virada do ano nos traga momentos de muita preguiça. Preguiça na hora de fazer atos ou praticar omissões que só façam mal, na hora de corromper o guarda, de praguejar, de cometer o menor dos delitos. Que cada vez que formos convocados para o mal em suas várias formas possamos usar nossa mandriice como álibi. E se o malvado que lhe convidou lhe perguntar o que que significa mandriice, mande-o pastar.

2010 é um bom ano para ser avaro. Sejamos econômicos com nosso mau-humor e com nossos momentos nervosinhos. Sejamos morrinha quando as situações conspirarem para sermos mesquinhos: que nessa hora pensemos somente em nós. Pensemos que não vale a pena fazer nada contra os outros. Pensemos em suas coisas em 2010: na nossa família, nos nossos filhos, nos nossos amigos, no nosso mundo. Sejamos sovinas de fofocas, de maledicências, de derrubações.

Sejamos, por fim, bastante orgulhosos no ano novo. Tenhamos orgulho de nossos aprendizados, de tal forma que possam servir de exemplo para os que vêm depois de nós. Sejamos presunçosos quanto à nossa capacidade de fazer um mundo melhor. E não nos acanhemos em sermos arrogantes com os que não acreditarem em nós quanto a isso. Assoberbemo-nos de boas intenções para o raiar do primeiro dia do ano.

“Pecar” significa “errar o alvo”. Pois que erremos o alvo. Desejo que pequemos muito e com fervor. E sejamos felizes. É o que lhe desejo para 2010: doces pecados capitais para uma vida melhor e mais feliz. E quem não quer ser feliz que atire a primeira pedra.

Um 2009 alado.

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Que 2009 seja um ano alado! Que as asas dos desejos e das vontades lhe levem aos melhores momentos de sua vida. 2008 foi-se. Que vá, levando as coisas ruins e chatas. Que passe o bastão dos novos desafios e das mudanças para o ano que entra tomar conta e correr feliz para a linha de chegada. Viva! Intensamente. Sem arrependimentos e pleno de novas emoções, sensações e descobertas. E que aquele plano secreto, que você não contou pra ninguém, também se concretize. É o que quero para mim. É o que eu desejo para você que me lê, daqui do meio do mato, nos arredores de Campinas. Beijo gordo e feliz. SF.

Lista de desejos 2009

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[Outro texto antigo (de 2005) adaptado para 2009, mas com votos tão sinceros quanto os da época. Feliz Ano Novo!]

“Sonho que se sonha só é sonho. Sonho que se sonha junto é realidade”.
Dom Helder Câmara
As festas de fim de ano estão dobrando o canto. “Canto” é esquina, para quem não fala Amazonês. Lá vêm elas, serelepes. O Natal com seus papais-noéis, saiuns-de-Manaus, suas luzinhas amarelas e suas inefáveis músicas de harpa. O comércio vibra com o seu melhor momento no ano. Todo mundo correndo atrás dos agrados e mimos. Shopping centers lotados. Amigos-secretos pululam nas repartições. Limite de dez reais, claro. O que vale é que ele venha cheio de boas intenções. Logo depois do Natal vem o novo Ano Novo, com seus brancos nas roupas, taças para o champagne do brinde e a uníssona contagem regressiva. Queima de fogos, lista de intenções.
Falando em intenções, quero então fazer uma lista de desejos para o ano que se aprochega. E ao contrário do que se acredita, desejos a gente revela, sim, para que os outros desejem conosco olhando para a mesma estrela. Assim podemos dar vida às palavras de Dom Helder, aí em cima na epígrafe.
Então, que em 2009 a meta primeira de todas as pessoas seja atingida. Ticar mais um xiszinho nas tarefas a realizar na vida é sempre gratificante. Muitas vezes, dessa meta dependem outras metas, metas-corolárias – corolária é uma palavra difícil, mas linda. A minha primeirona para o ano que vem é ter meu filho com saúde e tranqüilidade.
Que em 2009 as pessoas amem mais e sofram menos por causa de outras. Que entendam que há sempre um caminho para felicidade, mesmo que o que as leve para lá não seja aquele trajeto tão cuidadosamente planejado. Que descubram, no novo e por vezes improvisado caminho, o riacho límpido que perderiam se não houvesse o desvio feito a contragosto. E que não destruam o caminho caminhado, pois foi ele que lhes trouxe até aqui.
Que em 2009 possamos dar continuidade ao trabalho que estamos desenvolvendo no nosso espaço profssional. Há uma sede desértica e uma fome de mudança africana por mudanças qualitativas na sociedade. Que possamos nos regozijar com uma esperada justiça social – regozijar também é uma palavra linda.
Que em 2009 quem se perdeu se ache. Quem se achar, se curta. Quem se curtir, que sonhe. Que use como barômetro da vida não as pequeninas coisas do dia-a-dia, as más e mesquinhas, mas as pequeninas coisas do dia-a-dia, as boas e agradáveis. Que, assim, nosso bem-querer e nossa disposição em viver nossa vida, única e nossa, beijem a boca e despertem do sono a Pollyana bela e adormecida que existe em cada um de nós. Robertocarlianamente, é preciso saber viver. Sonhar não custa nada, frase trivial e tão verdadeira. É da trivialidade que surgem os geniais insights. Devemos olhar com cuidado o comum que nos cerca, pois ele guarda surpresas inimagináveis e mudanças de vida impensáveis.
Que em 2009 as inevitáveis lágrimas que rolarem em nossas faces sirvam para enxágüe da alma. Que sirvam para limpar os olhos dos travos de amargura que porventura tenham tocado a boca de nosso espírito. Que as lágrimas vertidas sirvam para regar o verde do jardim de nossa alma, por vezes cinzentas. A dor é o maior aprendizado do ser humano. Sempre haverá algo a doer. Quanto mais cedo reagimos e aprendemos a domesticá-la, mais cedo creio que seremos mais serenos e lépidos diante das drummondianas pedras no meio do caminho.
Que em 2009 novas pessoas especiais surjam em nossas vidas. A cada ano, acredito, um bom punhado delas é colocado a dedo no traçado de nossa existência com alguma missão que só muito mais tarde descobriremos. Ou não. Pessoas que simples e profundamente nos fazem bem. Pessoas cujo simples cruzar de olhar já dá um tom especial à melodia do nosso dia até então desafinado. Pessoas que fazem o coração jovializar surpreso e agradado ao vê-las inesperadamente e que levam esse mesmo coração a esperar ansioso pelo próximo encontro. Pessoas que atrasam nossas programações mais mundanas por conta de suas inestimáveis companhias, quase divinas. Pessoas especiais a quem nossa linguagem chama autonomamente de amigas, independente do tempo de convívio. Pessoas como essa em quem você está pensando agora.
Que em 2009 as velhas mágoas se aposentem e vão curtir a vida em qualquer outro lugar. Que abram vaga nova no coração, onde nunca deveriam ter ocupado assento. Que em seus lugares, alegrias joviais e cheias de gás, recém-nascidas ou formadas, assumam e sintam o prazer em servir doses sem medida de paciência, tolerância e carinho em relação aos que nos circundam.
Que em 2009 aquele velho amigo que se pôs distante ponha-se achegado. Que as gargalhadas e risadagens compartilhadas e registradas no amarelado álbum do tempo, e suspensas pelos rumos da vida, retomem seu viço e seu som estridente de então, quando lágrimas corriam soltas lavando a alma de felicidade. Uma amizade resgatada é como uma nota de cinqüenta achada no bolso daquela bermuda que há muito a gente não usa: alegra e permite a retomada de planos. E que também aquele amigo que se porá distante no ano que entra não se desachegue. Que vá, mas fique, deixando sua presença fraterna no lugar de sua presença física. Deixando seu cheiro em nossa alma para a lembrança eterna.

Que em 2009 aquele velho projeto secreto tenha sua vez. Ele sempre esperou quietinho por ela. Chegou a hora. Desengavete-o!

Que em 2009 seja o Ano Internacional do Reencontro. Reencontro consigo, com seus amigos, com sua família. Reencontro com aqueles de quem nos desencontramos por causa da teia dos acontecimentos cotidianos. Reencontro com aqueles de quem nos perdemos no tumulto da multidão dos fatos. Reencontro com nossos valores mais pueris de solidariedade, afetividade e humildade. Reencontro com Deus, grande maestro do show da vida e de vida que nos cerca.
Que 2009 seja o ano da virada. Seja lá qual for essa virada. Desde que seja para melhor. Que seja o ano do recomeço, seja lá o que for que precise ser recomeçado. Rupturas virão, ao certo, mas novos laços imediatamente surgirão para não deixar o entremeado tecido da vida roto e maltrapilho. A roupa que veste a vida espelha a aura que reveste a alma. E vice-versa.
Que 2009 seja o ano da coragem. Da coragem de rever autocriticamente nossas pisadas de bola e nossas mancadas, sem punições ou autoflagelos. Quem não dá testadas nessa vida de quando em vez? Que sejam momentos de introspecção positiva. Momentos de rever nossos planos, conceitos e preconceitos daninhos. Coragem para, tudo revisto, assumir posturas claras. Coragem para não esquecer que ninguém é eterno e que a vida é efêmera como uma florzinha no campo. Exatamente por isso não vale a pena ficar ruminando em cima daquela questiúncula miudinha e pequena. Coragem para dizer diretamente o que tem a ser dito, mas de forma tranqüila, serena e verdadeira, como só os corajosos sabem fazer. Os fracos de alma sentem a necessidade de dizer por terceiros, de mandar recados. Aliás, não é necessidade: é falta de opção. É a única forma que sabem fazê-lo. Então, que aprendam outras formas em 2009.
Que em 2009 aquele dia anual de cabeça quente sirva para aquecer o coração. Explodir para quê? Que o calor da cabeça gere energia termoelétrica para processar as perguntas sem respostas, refletir a vida, refletir as tomadas de rumos, refletir os novos momentos e sua significação. Refletir a reflexão. Dormir antes de decidir.
Que 2009 seja um ano de tolerância. Que se perceba que as pessoas são diferentes e que nessa diferença reside a beleza de uma relação. Mapear o amor que sentimos e que funda nossa relação com os outros é uma das tarefas mais primordiais e gostosas de qualquer relação. É bom demais construir nossa história, riscar nossos corações nas árvores dos fatos, nas calçadas da mente. E lembrar, sem dramas, que cada um às vezes precisa de um minuto sozinho no seu cantinho. Não é nem preciso verbalizar essa necessidade para o outro. O amor proficiente no amor aprende a ler silêncios, textualizar olhares, significar sorrisos e gestos. Enfim, compreende a necessidade de transcender as palavras enunciadas. O não-dito grita o que as palavras calam.
Que em 2009 aquele velho conselho de Victor Hugo prevaleça: tenha dinheiro, mas não esqueça quem manda em quem. Dinheiro é conseqüência e não meta. Pense nisso, mas não se desvalorize enquanto profissional. A felicidade no trabalho é elemento importante para o equilíbrio da felicidade global, mesmo que por vezes ela pareça encurralada por desânimos e sensações de imobilidade. Os ritmos das pessoas para a cadência da vida são diferentes: alguns sambam, outros valsam. Alguns bregam no Calypso, outros viajam na mais deliciosa MPB. Ninguém muda tudo, mas alguma coisa se muda. Concentre-se nesse alguma coisa e toque a canoa que o chibé lhe espera.
Que em 2009 as pessoas façam algo que nunca fizeram. Ou porque não gostam ou porque não tiveram chance. Que descubram nessas coisas diferentes um prazer diferente. Que tomem Guaraná Baré, comam tucumã no pão, bife com ketchup. Que criem coragem para provar Yaksoba e beringela. Que assistam filmes do Almodóvar , experimentem uma bala de araçá-boi. Que se desapoquentem ouvindo Jorge Aragão ou Carpenters. Que assistam ao Domingão do Faustão e se deliciem com aquelas velhas videocassetadas de dez anos atrás. Que tome um delicioso banho de chuva a dois ao som de “Que maravilha”, cantada pelo Toquinho. Que leia um livro à cama, trocando calorzinho pelos pés que se chamegam por baixo do edredom. Que comam o doce abio e riam juntos do beijo de boca grudenta que a fruta proporciona. Que riam dos outros e, acima de tudo, riam de si. Aprender a ri de si é fundamental.
Que em 2009 a saudade venha e venha forte. Só sente saudade quem viveu intensamente. Que haja vida intensa no ano que rebenta. Que essa intensidade não signifique assoberbamento, mas compactação, viçosidade e viscosidade ao vinho da celebração aos fatos. Que brindemos à vida sem ficar de porre, mas apenas levemente felizes.
Que 2009, enfim, seja seu ano. Ao desejar um Natal maravilhoso, peço a você que me lê para não esquecer algo fundamental: de dar os parabéns ao aniversariante.
Meu último mas nem por isso menos importante desejo é o de que em 2009 minha lista de desejos tenha apenas uma frase: um 2010 igual a 2009: feliz. Aliás, feliz é uma palavra muito linda.

Sérgio Freire

Vamos pecar em 2009!

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[Um texto de 2007, desejando muitos pecados em 2008, adaptado para 2009…]

Nesta época, nossas caixas-postais se enchem de reflexões. Particularmente, espero que cada um de nós exercite seu lado pecador em 2009. Um mundo novo sempre é possível se capricharmos nos pecados capitais.

Que a ira acometa o coração de todos nós. Que nos iremos contra as injustiças, contra o terror, contra as formas de fazer o mal. Que a cólera nos tome em acessos para que, com os dons a nós dados gratuitamente pelo bom Deus, possamos fazer diferença na defesa dos fracos e humildes. Que o furor de cidadania guie nossas ações contra um mundo indignamente famélico num planeta farto.

Que em 2009 tenhamos gula. Gula de amores, de carinhos, de solidariedade. Que sejamos vorazes em nosso consumo de bom humor. Glutões de paz, que possamos rir soltos juntos às crianças, ajudar a um desconhecido, abrir a porta para alguém, devolver uma carteira forrada de grana ao dono. Que consumamos mais amizades, de todas as cores e sabores.

No ano que nasce, que brote em cada de um nós uma luxúria desenfreada. Por que não se esbaldar sem rédeas de vez em quando? Por que não deixar as crianças pisarem na areia, comerem uma barra de chocolate? Que tenhamos um tempo para pequenos prazeres com nossos irmãos. Que resgatemos o gosto do sorvete de domingo. Que o viço retorne à nossa vida, se por acaso tivermos permitido que ela tenha desbotado.

Um ano novo começa. Que tenhamos muita inveja nos próximos 365 dias. Inveja de quem faz trabalho voluntário, de quem vive pensando no outro, de quem cuida de si, de quem cresce sem derrubar os outros. Invejemos a pureza e a inocência das crianças. Permitamo-nos cobiçar a mulher do próximo para querê-la bem e para aproximar mais o próximo da gente. Muita inveja da capacidade de catalisar o bem para todos nós em 2009.

Que a virada do ano nos traga momentos de muita preguiça. Preguiça na hora de fazer atos ou praticar omissões que só façam mal, na hora de corromper o guarda, de praguejar, de cometer o menor dos delitos. Que cada vez que formos convocados para o mal em suas várias formas possamos usar nossa mandriice como álibi. E se o malvado que lhe convidou lhe perguntar o que que é isso, mande-o pastar.

2009 é um bom ano para ser avaro. Sejamos econômicos com nosso mau-humor e com nossos momentos nervosinhos. Sejamos morrinha quando as situações conspirarem para sermos mesquinhos: que nessa hora pensemos somente em nós. Pensemos que não vale a pena fazer nada contra os outros. Pensemos em suas coisas em 2009: na nossa família, nos nossos filhos, nos nossos amigos, no nosso mundo. Sejamos sovinas de fofocas, de maledicências, de derrubações.

Sejamos, por fim, bastante orgulhosos no ano novo. Tenhamos orgulho de nossos aprendizados, de tal forma que possam servir de exemplo para os que vêm depois de nós. Sejamos presunçosos quanto à nossa capacidade de fazer um mundo melhor. E não nos acanhemos em sermos arrogantes com os que não acreditarem em nós quanto a isso. Assoberbemo-nos de boas intenções para o raiar do primeiro dia do ano.

“Pecar” significa “errar o alvo”. Pois que erremos o alvo. Desejo que pequemos muito e com fervor. E sejamos felizes. É o que lhe desejo para 2009: doces pecados capitais para uma vida melhor e mais feliz. E quem não quer ser feliz que atire a primeira pedra.