discurso

Um texto antigo para recordar

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Mudanças sofridas

Mudar dói...Um amigo perguntou-me: “tu que és doutor em discurso, explica por que as pessoas sofrem com mudanças?” Respondi que doutorado era um título acadêmico e não uma chave a um oráculo onisciente. O máximo que poderia fazer era explicar a questão sob o prisma da linguagem, que é minha praia.

Aprendemos e apreendemos o mundo por meio da linguagem. Ela é encharcada de conceitos e valores (as ideologias) que nos são repassados durante nossas experiências na vida. Assim, colocar a mão de um adolescente numa luva com formigas tocandiras pode ser entendido ou como tortura ou como um rito de passagem, o waumat, como ocorre na sociedade Satere-Mawé. Depende do lugar de fala. Para ficar na mesma cultura, cito o debate levantado pelas declarações do governador do Rio, Sérgio Cabral, sobre a descriminalização do aborto. Para os que sustentam um discurso religioso tradicional aborto é inconcebível, daí as reações. Nesse caso, o que há é uma disputa sobre o conceito: aborto é um desrespeito à lei divina ou é a possibilidade da mulher decidir sobre seu corpo e sua vida? Apesar de aparentar ser uma só, qualquer língua pode expressar diferentes discursos com as mesmas palavras. Às vezes, apesar de falarmos todos língua portuguesa, não nos entendemos: são discursos diferentes. No caso do aborto, o discurso religioso versus o laico progressista.

Nossas verdades religiosas, profissionais, políticas etc – os discursos – não são estáticas. Elas mudam e se redefinem com o desenrolar de nossas vidas. Como católico, aprendi que casamento era para sempre. “O que Deus uniu o homem não separa”. Por isso que quando me separei pela primeira vez, sofri muito. O sofrimento veio por eu estar confrontando um discurso fundante em mim, o do catolicismo. Casei novamente e sou feliz com duas lindas filhas e uma esposa fantástica. Deus desaprova isso? Acredito que não. É suficiente para refazer o conceito anterior de casamento e reconfigurá-lo. Mas até a mudança sedimentar houve sofrimento. Abandonar certezas por outras não é fácil. Toda ruptura dói.

Assim, um sujeito tem uma verdade que acredita inquestionável. A vida vem e algo acontece para que ele passe a duvidar dessa verdade. A verdade já não é mais tão inquestionável assim. De repente há outra verdade que parece mais verdade do que aquela. E agora? Abandona-se a ex-verdade e parte-se para a nova? Fica-se com a velha verdade capenga? Discursivamente dizemos que saímos da identificação com um discurso, passamos pela fase da dúvida (a contra-identificação) e chegamos ao rompimento (a desidentificação), que coincide com a identificação com uma nova verdade. O sofrimento é maior quanto maior a identificação com um discurso que se abandona. Conflito é quando dois discursos diferentes entram em choque em nossa cabeça.

Quem compreende essa dinâmica da vida, ainda que não conheça os termos teóricos que as designam, tende a sofrer menos. É como canta Marina: “pátria, família, religião e preconceito: quebrou não tem mais jeito”. Poderia parafrasear. Discurso quebrou não tem mais jeito: já se está em outro. A passagem causa conflito, mas termina em paz. A estagnação na zona de indecisão causa neuroses e assombra. Meu amigo entendeu que “tem que morrer pra germinar”. Toca aqui, Gilberto Gil.

Sérgio Augusto Freire de Souza
Jornal Em Tempo, 31 de outubro de 2007

Sentidos…

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Depende de quem interpreta...

Costurando verdades…

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Anyone who can handle a needle convincingly can make us see a thread which is not there.

( E. Gombich 1909 – )

O imaginário funcionando…

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A linguagem e os sentidos se constrõem pela mobilização do imaginário, daquilo que já está funcionando antes. Daí o humor genial do Niquel Náusea, na Folha de São Paulo de hoje, 18 de maio.

Uma boca espumante pode ser uma boca espumante...

Eni Orlandi em Manaus

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Eni P. OrlandiA profa. Dra. Eni Pulcinelli Orlandi, do Laboratório de Estudos Urbanos da UNICAMP, referência na área de Análise de Discurso no Brasil e no Mundo, estará fazendo uma palestra na UFAM, dia 28, às 09:00h, no auditório Rio Solimões. A profa. Eni falará como o dispositivo teórico da análise de discurso pode ser utilizado para a aproximação a objetos de estudo na área das ciências humanas. A promoção é do Instituto de Ciências Humanas e Letras, como parte da programação de seus cursos de pós-graduação stricto sensu. Eu coordenarei o encontro. Todos convidados.

O ouro e a madeira

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Diferente dos outros ou igual a mim?

O ouro afunda no mar/madeira fica por cima/ostra nasce do lodo/gerando pérolas finas/ Não queria ser o mar, me bastava a fonte/ muito menos ser a rosa, simplesmente o espinho/ Não queria ser caminho, porém o atalho/ muito menos ser a chuva, apenas o orvalho/ Não queria ser o dia, só a alvorada/ muito menos ser o campo, me bastava o grão/ não queria ser a vida, porém o momento/ muito menos ser concerto, apenas a canção.

 

Arrumando meus CDs, me deparei com um chamado Samba Bom Nunca Morre. Levei para o carro para ouvir e lá pelas tantas tocou “O ouro e a madeira”, de 1975, cantada pelo grupo Nosso Samba.

Como trabalho com discurso, aponto duas posições em jogo na música. A posição de quem quer, por um lado, estar em evidência, tem como ambições as expectativas do que é socialmente mais valorizado e, por outro, a posição de alguém cuja realização subjetiva está em ser, estar e permanecer em lugares simbólicos que podem não ter apelo social, mas satisfazem a subjetividade na sua simplicidade.

Há pessoas ouro e há pessoas madeira. Ambos reais e legítimos. Ser um ou outro é resultado das querências históricas que moldam as vidas. Onde habita a melhor da vida? Na fama, sucesso, prestígio social, com bastante dinheiro? Ou na realização pessoal de uma vida fora de tudo isso, no anonimato escolhido, no encaixe social previsível, no prestígio interno e com dinheiro o bastante para viver bem? Ser mar ou fonte? Rosa ou espinho? Caminho ou atalho? Chuva ou orvalho? Dia ou alvorada? Campo ou grão? Vida ou momento? Concerto ou canção? Até que ponto a busca pela provável grandiosidade simbólica não sombreia a paz de uma escolha simples pela felicidade? Quem define o tamanho das nossas ambições, materiais ou existenciais? Nós ou os outros?

Minha tese é a de que o valorativo não é inerente ao lugar, mas surge no encontro (ou desencontro) entre ele e o sujeito. Não há um lugar melhor do que outro a priori. Parece-me que o melhor/pior só aparece na coincidência ou não entre o lugar desejado e o desejo alcançado. Há pessoas que querem ser o mar, o são e são absolutamente felizes. Há pessoas que são o mar e prefeririam ser a fonte, como o eu-lírico da música. Há pessoas que são a fonte e prefeririam ser o mar. E há pessoas que são a fonte e estão realizadas em sê-lo. As duas pontas não são problemáticas. Os miolos sim, pelas não-coincidências.

Angústia, decepções, azedume, tristeza e incapacidade de viver feliz vêm dessa não-coincidência: o sujeito deseja um outro lugar, sofrendo por habitar o seu. O que fazer então? Há duas opções lógicas: continuar tentando migrar a todo custo ou redimensionar seus desejos em função dos limites. Desconhecer o que se quer e o que se é é o primeiro problema a superar. Ser feliz passa por refletir sobre a tristeza.

De que, afinal, estou falando? Estou falando que uma música me diz o que minha vó dizia: “Tudo é do tamanho que você faz. Se fizer pequeno será pequeno, se fizer grande será grande”. É isso. Não dá para criticar sonhos alheios. Nem que ele seja o de não sonhar. Cada um toca sua canção, carrega seu grão, faz o seu momento. A felicidade é escolha. Cada qual no seu quadrado.

 

SF, 15.03.2009, 7:45h

Um texto antigo para recordar

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A bunda da Siemens

Quem escreve adora feedback. Eu gosto de saber o que as pessoas pensam a respeito do que escrevo. Sempre recebo mensagens muito legais, como o gentil e-mail que me foi enviado pela mãe do meu cunhado se dizendo minha fã. Ganhei o dia. Mas na última semana, quando escrevi sobre reuniões de condomínio, uma resposta me surpreendeu.

O e-mail era da Siemens, a fábrica. Primeiro pensei que pudesse ser obra sacana do My Doom, o vírus que encheu o saco e as caixas de entrada semana passada. De repente poderia ter vindo atachado nas infinitas e pesadas apresentações de Powerpoint enviados pela Ana Célia. Mas como diria a Néia, que trabalhou para a minha mãe: O “peor” é que não era o vírus, não. Era um e-mail automático da empresa mesmo dizendo que meu texto havia sido sumariamente deletado assim que chegou a seus servidores pelo fato de conter a palavra “bunda”. Parece que essa é uma palavra proibida de circular na Siemens. Será que lá ninguém tem bunda? Curioso com o fato, analisei detalhadamente o e-mail e verifiquei que se tratava de um programa censor automatizado que se baseia numa série de palavras para vetar alguns e-mails recebidos pelos funcionários, no caso em tela uma aluna minha da pós-graduação que lá trabalha e que, suponho, não recebeu o texto e, por conseguinte, não viu minha bunda passar.

São duas as questões que tilintam nos meus dedos por causa desse episódio: os limites da liberdade de expressão e o controle da linguagem. As perguntas que se colocam são: até que ponto podemos selecionar previamente um conteúdo para outras pessoas, seja ele qual for? Até que ponto podemos decidir para terceiros o que é ou não desejável, bonito, ofensivo ou abominável, tirando-lhe assim o direito de conhecer para escolher ou, inclusive, para não escolher? Taí: se tem uma coisa que é abominável e ofensivo na minha opinião é a censura prévia. Não concordar com algo e fazer uso de qualquer nível de poder para forçar que outras pessoas também não concordem é uma violência simbólica ferrada. Não gosta, mermão? Então não lê, não assiste, não compra, não usa, muda de canal. Há quem goste, quem leia, quem compre, quem use e até quem grave o canal. Tem gosto para tudo. Tem gente que veste amarelo. Tem até quem seja Flamengo! O direito à escolha é uma prerrogativa do seres humanos e dos Flamenguistas e temos vários momentos na história da humanidade em que esse direito foi cerceado, estando a própria história aí para dizer como foram ruins esses momentos e como eles não deixam nenhuma saudade.

Escolher seja lá o que for não é um ato neutro. O programador – ou alguém que manda nele – listou uma série de palavras e decidiu por todos, como se tivesse procuração geral. Decidiu que eles não deveriam ler aquilo que ele acha indecente, imoral ou inapropriado, conceitos, aliás, bastante subjetivos e definidos por formações discursivas diferentes de formas diferentes. Sei não, mas eu estou mais na turma do “Deixa eu ver para ver se quero” do que na do “Vixe! Tira isso daqui! Deusulivre, mana! Pé-de-pato, mangalô, três vezes!” Recebo todo dia um monte de mensagens sobre coisas que não importam, muitas das quais não preciso, como aquelas mensagens de enlarge your penis . Eu passo a vista e decido se me útil ou não. Nesse caso, diga-se de passagem, não é. O importante disso tudo é que eu decido e não quero ninguém decidindo por mim.

Agora pára e pensa, leitor amigo: e se o programador – ou o chefe dele, ou o chefe do chefe etc – for Testemunha de Jeová e colocar “doação de sangue” na lista negra de palavras e expressões abomináveis? Quantos potenciais doadores não deixariam de participar, digamos, de uma campanha convocada pelo e-mail? Se for do PSTU e vetar “Estados Unidos”, quantos negócios a empresa não perderia? E se o censor for o meu primo Amaro Junior, webdesigner da Suframa, que enrola a noiva há treze anos, detonando toda e qualquer ocorrência de “casamento” ou “matrimônio”, como tem feito por mais de uma década? As possibilidades são infinitas. Basta fazer um rápido exercício mental e ver como é injusto o outro decidir por nós baseado em suas crenças, valores, conceitos e preconceitos. Já pensou se uma empresa chamada World Bunda Incorporated, de Singapura, digamos, manda uma mensagem a fim de encomendar negócios milionários em aparelhos de telefones da Siemens. Sua bunda não passa da porta digital. É barrada na chegada.

A empresa tem todo direito de ter suas regras, claro. Mas controlar a linguagem é uma das crenças mais pueris do ser humano. Linguisticamente, dizemos que mais do que falar a língua, é ela que nos fala através dela. Ninguém aprisiona o sentido, pois ele sempre escapa, ele é fluido, líquido. Pode-se, por exemplo, escrever b*u*n*d*a, em vez de bunda, para burlar o bedel digital. Ou, como diria o Didi dos Trapalhões, pode-se falar “região glútea”. Mais opções? Nádegas, popozão, anca. Enfim…

É preciso saber que se pode dizer muito através do silêncio, como faziam os jornais na época do regime militar. Censurados, eles publicavam um vazio ou uma receita de bolo na primeira página, no lugar da matéria cortada. Pode-se dizer dizendo de outra forma. As músicas duplex de Chico Buarque são obras-primas nisso. A “Bárbara” da música de Chico, mais do que um nome de mulher bonita – e estou pensando na minha prima Bárbara Cyrino, para ser sincero – era um adjetivo para a ditadura. “Cálice” falava pela homofonia: “Pai, afasta de mim este cálice/cale-se”.

A questão de fundo é: quem pratica a política do silenciamento linguístico fomenta o silenciamento da política, entendida como a capacidade do ser humano de tomar decisões. Hoje sabemos que o que se quer é gente no mundo e nas empresas para pensar e decidir a partir das informações que chegam – que chegam! – e não somente para executar tarefas mecânicas, como o Carlitos de Charles Chaplin em Tempos modernos. Há um grande choque de objetivo quando uma empresa decide que seu empregado não precisa decidir porque já decidiram. É um contra-senso, uma verdadeira pavulice para os tempos de hoje.

Penso sinceramente que gastar dinheiro em sistemas de censura é alocar mal os recursos que já são poucos em tempo de estagnação econômica. A propósito, a palavra bunda entrou na Língua Portuguesa através de mbunda, de um dialeto da Angola, trazida pelos escravos, segundo o honesto Houaiss. Censurar a bunda é coisa de gente bun… digo, gente nadegona. Ah, deixem minha bunda em paz. E minha aluna, coitada, que não vai ler essa de novo…

Sérgio Augusto Freire de Souza
05 de fevereiro de 2004

Memória discursiva ou Interdiscurso

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REBELIÃO NO IPATUm dos conceitos fundamentais em discurso é o de memória discursiva. Diferentemente da memória biológica, a memória discursiva é algo que funciona antes, em outro lugar e independentemente do sujeito, mas cuja mobilização ocorre todas as vezes que o sentido é produzido. A foto ao lado, de Clóvis Miranda, repórter fotográfico de A Crítica, tem o efeito que tem porque mobiliza no interdiscurso (a memória discursiva) o discurso religioso e remete à imagem do martírio de Cristo sendo retirado da cruz, possibilitando o sentido do martírio do preso, por deslizamento. Como estamos teorizando, lembramos essa ida à memória como necessária para a produção do sentido, mas quando estamos no dispositivo ideológico da interpretaçào, ou seja, no dia-a-dia da linguagem, esquecemos que precisamos da memória discursiva para fazer sentido. Em outras palavras: é preciso que já haja sentido para haver sentido. Estou com saudade das aulas de Análise de Discurso, como deu para notar.

Discurso: o sentido acha suas formas.

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O sentido acha suas formas. Essa história da história do Brasil é fenomenal. Do blog do JB.

13/12: 1968 – É decretado o Ato Institucional nº5

Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável.
O país está sendo varrido por fortes ventos.
Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras.

Jornal do Brasil

Sábado, 14 de dezembro de 1968.

Na noite da sexta-feira, 13, com o objetivo de administrar a crise política, o Governo do General Arthur da Costa e Silva baixou o Ato Institucional nº 5, e com base nele, o Ato Institucional Complementar nº 38, que decretou o recesso do Congresso Nacional, por prazo indefinido.

Entre as resoluções do AI-5, suspendia-se os direitos políticos, e proibia-se atividades e manifestações sobre assuntos dessa natureza, condicionando a infração a severas penalidades, desde a liberdade vigiada ao domicílio determinado. Para garantir a ordem, os quartéis mantiveram-se em rigoroso regime de prontidão, e mobilizaram-se integralmente as Polícias Federal, Militar, Civil e a Guarda Civil.

O ano de 1968 foi de grandes protestos contra o regime militar. No início do ano, artistas de teatro mobilizaram-se contra a censura. Em março, uma manifestação universitária no restaurante Calabouço terminou na morte do estudante Edson Luís. Greves e passeatas eclodiram em todo o país, culminando com a passeata dos 100 mil, em junho, no Rio.

Atentados, expropriações, paralisações prosseguiram no segundo semestre em diversas partes do país. Um dos momentos mais tensos foi o discurso do deputado Márcio Moreira Alves, no início de setembro, conclamando a população a boicotar os eventos programados para o Dia da Independência. A declaração elevou ao máximo o descontentamento dos militares, que pediram a cassação do deputado. O pedido foi rejeitado pelo Congresso (216 votos contra, 141 a favor e 24 abstenções) na véspera da instauração do AI-5.

Anos de chumbo e a censura
Nos dez anos de vigência do mais cruel dos Atos Institucionais, sua fúria consternou a sociedade brasileira e internacional. Impondo-se como um instrumento de intolerância aos contestadores do regime militar, promoveu arbitrariamente repressão e intervenção, cassação, suspensão dos direitos, prisão preventiva, demissões perseguições e até confisco de bens.

A censura federal, recrudescida, atuou veentemente na interdição de mais de 500 filmes, 400 peças de teatro, 200 livros, e milhares de músicas. Tudo sob a égide da segurança nacional.


– * – *

Roberto Quintaes era um dos copidesques do JB presentes naquela noite. É ele quem conta a história no blog do Pedro Doria.

O Editor-Chefe Alberto Dines, por volta da meia-noite, procurava soluções, com o Chefe de Redação Carlos Lemos, para as muitas intervenções dos militares que haviam ‘ocupado’ o JB naquela noite.

O editorial foi substituído por uma foto, vertical, em que o campeão mundial de judô era derrubado pelo seu filho, brincadeira doméstica. Muitas outras fotos com legendas ambíguas substituíram textos vetados.

Num certo instante, Dines me pediu que recriasse a previsão do tempo, usando o 5 do Ato Institucional e o 37 do Ato Complementar assinados naquele 13 Dezembro.

E saiu então a seguinte ‘previsão’:

Tempo negro. Temperatura sufocante. O país está sendo varrido por fortes ventos. Mínima – 5 graus, no Palácio Laranjeiras. Máxima = 37, em Brasília.

A primeira página foi vista e revista pelos militares ainda com a previsão do Serviço de Meteorologia. A ‘previsão0′ de que aqui se fala foi incluída na capa do JB depois de todos os vetos dos militares terem sido executados. A atenção deles não mais pousou, ao final, sobre a previsão do tempo, … e fez-se história.