Flifloresta

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Foi muito bom participar do Flifloresta ontem. Estive numa mesa sobre leitura junto com o professor Marcos Krüger, mesa essa mediada pelo Gabriel Albuquerque. De novo, eis que surge a Arca. Pena não ter dado tempo de debater, pois o auditório da UEA tinha de ser entregue a outro evento. Mas vou responder as perguntas aqui. Aguardem.

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Manaus vive nesta semana o Flifloresta, o Festival Literário Internacional da Floresta. O Festival, promovido pelo Instituto Valer e vários parceiros, discute duas grandes questões por meio de dois simpósios: o Simpósio de Cultura e Natureza na Amazônia e o o Simpósio de Leitura e Formação de Leitores.

A Amazônia está na agenda mundial. É necessário discutir e tomar ações propositivas em relação ao que queremos como cidadãos amazonidas, sem bairrismos imobilizantes e sem adesismo globalizantes. Assusta-me sobremaneira discursos xenófobos de proteção à Amazônia que ficam cegos aos inimigos internos, muitas vezes mais perigosos para a sustentabilidade da Região do que o perigo externo. Assombro-me igualmente com o descaso como regulador de destino, assim pensado por aqueles que acreditam não ser necessária nenhuma ação reguladora porque a coisa aconteceria numa dinâmica própria. Nem lá, nem cá. A virtude, diriam os gregos, está no meio.

Quanto à leitura, parece que o grande desafio é a ultrapassagem da tecnologia. Explico. A leitura ainda continua sendo vista e fortemente trabalhada como o processo de aquisição da tecnologia da escrita, a alfabetização. Por isso, a tristeza dos educadores com o baixíssimo nível de compreensão dos alunos em relação àquilo que lêem. Lêem, mas não entendem. Aprenderam a tecnologia, mas não sabem fazer uso dela. Segundo o IBGE, com dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, da população brasileira, 11% são analfabetos. Isto representa 20,8 milhões de pessoas. Assustado? Mas esse é o número das pessoas que não sabem ler e escrever nada. Há aqueles que sabem ler e escrever, mas não sabem fazer sentido algum do que lêem e nem escrevem algo coerente. Aí o número é um soco no estômago: 32% da população. Cerca 60,5 milhões de brasileiros são analfabetos funcionais, segundo dados do Índice Nacional de Alfebetismo Funcional, pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa. Detalhe: 2% das pessoas com nível superior são analfabetos funcionais. É para pensar e muito.

Como se altera isso? Minha aposta é na mudança conceitual. O conceito de leitura, como afirmei, deve ultrapassar o domínio da tecnologia da escrita. É preciso ir além. Além de alfabetizado, o aluno precisa ser sujeito de práticas de letramento que o introduzam na cultura da escrita não como um mero copista, mas como ele próprio produtor de textos. Assim, ele terá condições de discutir não só Amazônia e Leitura, mas também Democracia, Política, Cidadania e muitos outros assuntos constitutivos de sua subjetividade cidadã. Se sairmos da alfabetização para o letramento, o deslocamento será significativo. É necessário cada um assumir seu novo papel na mudança conceitual: professores, alunos, escola, governo, terceiro setor.

O Flifloresta é uma dessas atividades que fazem a diferença. E faz diferença porque ajuda a criar uma nova memória social sobre o ato de ler em Manaus. Sexta-feira à tarde , estarei participando de uma mesa sobre leitura juntamente com o professor Marcos Krüger, no auditório da UEA. E, claro, levarei minhas filhas ao Parque dos Bilhares para aproveitarem as atividades do Florestinha, com seus espaços dedicados às crianças. Imperdível.