política

Artigo Censurado

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Pela primeira vez meu artigo foi censurado no jornal. É a força do poder simbólico. Quem mandou eu falar do vice-prefeito eleito… Vai, então, para os leitores do blog:

PARÁFRASES

Amazonino Mendes é o prefeito eleito de Manaus. Ao repetir o óbvio, gostaria de acenar para as paráfrases contidas nessa frase. O que está sendo dito ao se dizer que Amazonino ganhou?

Está sendo dito, entre outras coisas, que Serafim Corrêa perdeu. Serafim sai fortalecido para o futuro, mas inequivocadamente derrotado no presente, repetindo a história da sua eleição. Naquele 2004, não foi Serafim que levou, mas Amazonino que foi derrotado para sua rejeição. Em 2007, Serafim perdeu pela incapacidade de transformar a boa política em resultado eleitoral. Ainda que o discurso político não lhe permita falar em derrota, o que é compreensível, o prefeito foi vencido pela comunicação pífia no início da administração e por algumas escolhas políticas equivocadas quando das divergências internas de seu grupo. Registre-se que Serafim fez uma administração admirável do ponto de vista republicano: concurso, transparência, moralidade, bom uso do nosso dinheiro. Acusaram-no de lentidão, mas quando a coisa é feita direita é lenta mesmo. Sei porque participei de sua administração e lembro o quanto sofremos pelos trâmites demorados da legislação. Por esse prisma, aliás, espero que a administração do novo prefeito não seja tão rápida se o preço for o arrepio da lei.

Mais paráfrase: Ari Moutinho vai para a Câmara dos Deputados no lugar de Carlos Souza. Até quando a legislação brasileira vai permitir esses esquemas de acomodação de políticos sem mandatos ou que ainda devem esclarecimentos à justiça? Até quando ficaremos tentados a fazer trocadilhos de imunidade com impunidade? Quem ganha com isso, não sei. Mas quem perde somos nós, população.

Outra paráfrase que se escuta na frase: Carlos Souza vai ser prefeito por dois anos. Não precisa ser futurólogo para saber como caminha o xadrez político. Minha discordância com o futuro prefeito Souza é de visão de mundo e de sociedade. Não consigo pensar em usar o mundo cão como paradigma de ações. Quem pensa assim não consegue agir para reduzi-lo, pois perde o próprio referencial. Ao contrário: quanto pior, melhor. A miséria fortalece quem dela se sustenta. Ainda me queima a retina a cena de Souza e Sabino de braços dados com o bandido Paulinho Perneta, parecendo uma quadrilha. De São João, claro. Alguém que quer substituir a polícia e a justiça não me agrada com uma caneta tão pesada quanto à de prefeito na mão.

Um dado positivo: a oposição tão forte que se fez ao prefeito por ousar fazer uma política de outro modelo acabou por gerar uma sociedade mais atenta. Vamos esperar do Ministério Público a mesma vigilância. Vamos cobrar da imprensa os mesmos olhos de lince. No mundo midizatizado, promessas se registram. Para se ter mil creches é preciso fazer uma a cada um dia e meio. Quero meus 20% de desconto no IPTU. Vou cobrar o fim imediato do turno intermediário nas escolas e juro que vou morrer de inveja: quando fui subscretário o máximo que consiguimos em três anos foi reduzi-lo em 30%.

Meu desejo sincero é o de que o prefeito eleito conduza nossa cidade da melhor forma possível para a população. Um paráfrase positiva final: a Democracia funciona, a rotatividade faz parte. Quem venceu que administre. Quem perdeu que fiscalize. É assim.

Luto Político

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Pelo andar da carruagem das apurações, o prefeito Serafim não deve se reeleger. Como cidadão manauara, sinto muito e termino meu domingo em luto político. Quatro anos a minha cidade ficará nas mãos de um grupo pouco confiável. Minhas filhas moram aqui. Por isso, sinto mais ainda.

Contardo Calligaris

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Sou fã de carteirinha de Calligaris, que escreve às quintas na Folha de São Paulo. Reproduzo seu texto dessa semana:

A SEXUALIDADE DE QUEM GOVERNA


As fantasias que sustentam o desejo nos definem mais do que o gênero do parceiro



SERÁ QUE que a vida sexual de quem se candidata a governar é relevante para os eleitores? Há duas “escolas” de pensamento: a francesa e a dos EUA.
Para os franceses, em princípio, a vida amorosa e sexual dos governantes não tem relação com as qualidades morais que importam na vida pública. Portanto, é raro que, no debate político, apareçam “detalhes” privados (amantes, filhos fora do casamento etc.).
Nos EUA, ao contrário, a intimidade de governantes e candidatos é vasculhada. Talvez os norte-americanos sejam simplesmente mais moralistas do que os franceses. Ou talvez eles acreditem que uma vida privada libertina (ou não conforme a regra) prometa uma condução desregrada da coisa pública. Algo assim: quem não resiste à paixão (nem para compor o cartão-postal da campanha) colocará sua “tara” acima de seu dever.
É um enigma: os norte-americanos prezam a liberdade de cada um viver como ele bem entende, mas pedem que quem governa seja um exemplo de conformismo. E, em regra, o conformismo de quem governa (sobretudo se for só aparente) transforma-se em exigência de conformidade para todos.
O Brasil é outro enigma: a relevância política da vida amorosa e sexual dos governantes parece mínima, como se o público e o privado fossem domínios claramente distintos. Por outro lado, a esfera pública é brutalmente parasitada pelos interesses privados (corrupção, clientelismo).
Seja como for, nessa história, o que mais me impressiona é a ingenuidade com a qual é composto o “perfil” sexual e amoroso de candidatos e governantes. Nas campanhas eleitorais dos EUA, por exemplo, os candidatos levam consigo mulher e filhos; supõe-se que essa exibição valha como um atestado de “normalidade”, enquanto, no máximo, ela indica qual é orientação sexual do candidato (e olhe lá) e qual sua aptidão para multiplicar-se.
Ora, se nossa vida sexual e amorosa diz algo sobre quem somos, não é graças à nossa orientação ou à nossa capacidade de procriar. Do lado amoroso, seria mais significativo considerar qual é o respeito pela singularidade do parceiro, qual a virulência da idealização ou do ciúme, qual a parte de narcisismo etc. Do lado sexual, muito mais que o gênero do parceiro escolhido (ou exibido), o que define um indivíduo são as fantasias (implícitas ou explícitas, realizadas ou não) que sustentam seu desejo.
Ou seja, se quisesse conhecer a vida sexual e amorosa de um candidato, precisaria saber não tanto quem ele ama, mas qual é seu jeito de amar, e não tanto com quem, mas COMO ele “transa” – ou seja, o que o excita, quais pensamentos, quais situações, quais palavras. Também me perguntaria se o candidato tem mesmo uma vida sexual (com que freqüência e intensidade) e se ele aceita sua própria sexualidade ou a vive com nojo ou asco.
Tudo isso, caso eu quisesse saber um mínimo sobre a vida amorosa e sexual de um candidato. Mas será que isso me seria útil na hora de votar? E de que forma?
Michel Foucault talvez seja o pensador que melhor desmascarou e contestou os mecanismos do poder moderno (isso, apesar de sua histórica burrada ao avaliar positivamente o regime dos aiatolás no Irã). Como ele mesmo revelava, sua sexualidade se alimentava em fantasias e práticas sadomasoquistas. Pergunta: sua perspicácia e seu engajamento libertários se deram apesar de suas fantasias sexuais ou por causa delas? Não sei.
A pergunta não é urgente: infelizmente, no estado atual de nossa sociedade, é improvável que candidatos e candidatas a cargos de governo falem publicamente do que importa em sua vida sexual e amorosa.
Fico apenas com esta idéia: em geral, um governante que aceita e vive suas próprias fantasias é, para mim, preferível a outro que as reprime, pois a falta de indulgência consigo mesmo promete rigidez hipócrita para com os outros. Também, o exercício da sexualidade introduz em todas as fantasias uma descontinuidade: a “brincadeira” termina quando acaba a relação sexual. Voltando ao exemplo de Foucault, quem goza sexualmente com os apetrechos do sadomasoquismo dificilmente consegue não achar risível a face sisuda do poder.
Mais um ponto: salvo ilegalidade, em matéria de sexo, minha regra geral é que só o interessado tem o direito de falar. A voz de um terceiro sempre ressoa como uma denúncia que faz apelo ao preconceito -ou seja, certamente não ao que tem de melhor em nós.

Comparação

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Recebi isso por e-mail e achei genial.

Comparação.

Denúncias de Corrupção.

De dois candidatos a prefeito, você vai escolher um.

Um teve vários aliados envolvidos no escândalo das licitações no Amazonas, em 2004.

O outro…

Um é acusado de manter empresas, jornais, rádios e supermercados no nome de amigos “laranjas”.

O outro…

Um foi denunciado pelo MPF por corrupção passiva, no escândalo da compra de geradores da CEAM.

O outro…

Um virou manchete nacional pela Mansão do Tarumã, avaliada em R$ 5 milhões, e cujo valor declarou ser R$ 300 mil.

O outro…

Um foi acusado de pagar R$ 200 mil por cada voto pela reeleição de FHC, em 1997.

O outro…

Um é o Amazonino, o outro… é o outro.

Vote no outro. Vote na honestidade. Vote na honradez. Vote SERAFIM – 40.

Serafim na UFAM

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O prefeito de Manaus e candidato à reeleição, Serafim Corrêa, esteve hoje pela manhã na Universidade Federal do Amazonas. A ida do prefeito à Universidade se deu para participar de um encontro com a comunidade universitária para a apresentação e discussão de suas propostas para a cidade. No debate, mediado por mim, Serafim respondeu a perguntas feita por professores e alunos da UFAM sobre educação, saúde, trânsito, transporte coletivo, geração de emprego e política.

Um dos compromissos firmados pelo prefeito foi o de transformar o Processo Seletivo para Diretores de Escola – Prosed -, que alterou a forma de escolha de diretores da indicação política para o mérito acadêmico – em lei. Hoje o Processo Seletivo é regido por um Decreto Municipal. Serafim também comentou o nível da campanha eleitoral no horário gratuito, lamentando a falta de propositividade de seu adversário, o ex-governador Amazonino Mendes.

Na próxima quarta-feira, 22, no mesmo Instituto de Ciências Humanas e Letras, às 9:00h, será a vez do candidato Amazonino Mendes conversar com a comunidade universitária. O convite já foi feito ao Comitê de Campanha de Amazonino, mas ainda não havia sido respondido até ontem.

Mesmo com a voz meio prejudicada, valeu o evento. Nas fotos, eu e o Sarafa.

Serafim na UFAM

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Quarta-feira, 15, o prefeito Serafim Corrêa estará na UFAM para uma conversa com a comunidade universitária. Sarafa é candidato a reeleição e, como tal, se dispôs ir ao encontro. Fui escolhido para ser o mediador da conversa. Na próxima quarta, 22, é a vez de Amazonino falar de suas propostas para a cidade. Amazonino ainda não confirmou, mas, pelo bem da democracia, espero que vá. Todo mundo convidado. Hall do ICHL, às 9:00h. Não é segredo para ninguém que meu candidato é Serafim, mas por ter sido escolhido como mediador, tentarei atuar como um magistrado. Igual ao governador Eduardo Braga no segundo turno…

Eleições

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Hoje assisti à propaganda eleitoral do segundo turno pela primeira vez. Espero sinceramente que o Serafim leve essa. Vai ser dureza viver numa cidade administrada pelo Amazonino. Noto que muitos dos eleitores de Amazonino, amigos meus, foram fisgados pelo slogan “de volta ao trabalho”. Só faltou dizer que tipo de trabalho esse grupo faz quando está no poder. Vi cada coisa estranha quando assumi a subsecretaria na Secretaria de Educação. Um dia escrevo um livro sobre a experiência. Eu sou 40.