O Correto e o Justo

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Dois juízes encontram-se no estacionamento de um motel e reparam que cada um estava com a mulher do outro. Após alguns instantes de ‘saia justa’, em tom solene e respeitoso, um diz ao outro:
– Nobre colega, creio eu que o CORRETO seria que a minha mulher venha comigo, no meu carro, e a sua mulher volte com Vossa Excelência no seu.
Ao que o outro respondeu:
– Concordo plenamente, nobre colega, que isso seria o CORRETO. No entanto, não seria JUSTO, levando-se em consideração que vocês estão saindo e nós estamos entrando.

Comparação

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Recebi isso por e-mail e achei genial.

Comparação.

Denúncias de Corrupção.

De dois candidatos a prefeito, você vai escolher um.

Um teve vários aliados envolvidos no escândalo das licitações no Amazonas, em 2004.

O outro…

Um é acusado de manter empresas, jornais, rádios e supermercados no nome de amigos “laranjas”.

O outro…

Um foi denunciado pelo MPF por corrupção passiva, no escândalo da compra de geradores da CEAM.

O outro…

Um virou manchete nacional pela Mansão do Tarumã, avaliada em R$ 5 milhões, e cujo valor declarou ser R$ 300 mil.

O outro…

Um foi acusado de pagar R$ 200 mil por cada voto pela reeleição de FHC, em 1997.

O outro…

Um é o Amazonino, o outro… é o outro.

Vote no outro. Vote na honestidade. Vote na honradez. Vote SERAFIM – 40.

Mais Quintana…

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EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mario Quintana – A Cor do Invisível

Fugacidade

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Para os que procrastinam as belezas da vida, uma dose de Mário Quintana.

“O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.”

Mário Quintana

Aniversário do meu pai

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Hoje é aniversário do meu pai. Posto um texto que escrevi pra ele, no dia dos pais. Te amo, meu querido, meu velho, meu amigo.


PAI

Que me desculpem os outros filhos, mas o meu pai é o melhor pai do mundo. Podem discordar, mas continuarei achando. É porque vocês não são filhos do meu pai. Se fossem saberiam do que falo.

Meu pai tem um coração maior do que amor pelo seu Botafogo. Jamais conhecerei alguém tão bondoso. Seu corpo é feito de coronárias: um grande coração no qual circula bondade.

Do seu jeito pouco falante para essas coisas, meu pai sempre desejou, como na música, ver seus filhos pisando firme, sorrindo alto, cantando livres. Nós, cada um a seu modo, pisamos firme porque tivemos sua mão a nos segurar em vários momentos em que mais precisávamos. E não a tivemos na hora em que, paciente e sabiamente, ele e a mãe saiam de cena para que pudéssemos crescer. Sorrimos todos, paizinho, bem alto. Somos uma família feliz. Cantamos livres, cada um no seu tom, as músicas de respeito ao próximo, de sacação do mundo.

Pai, obrigado por mostrar que filho é filho. E o que importa é a felicidade dele. Essa lição eu vou levar para a vida da Ana Clara e da Marina. Não esqueço, paizinho, de quando tu me esperavas no carro, enquanto eu estudava, para que eu não voltasse de ônibus tarde. Quanto amor e dedicação. Que pai invejável! Que pai lindo!

Agradeço a meu pai pela torcida nas grandes e pequenas coisas. Nos campeonatos de futebol, lá estava seu Jefferson atrás do gol com a camisa do time. Nas gincanas, seu Jefferson corria atrás de ouriço de castanha, objeto da prova, como se fosse sua vida. E era. Eram seus filhos que estavam ali. Nos jogos de futebol de mesa, seus gritos de gol ao ver a bola bater na rede dos adversários rasgavam a sala. Torcia para fazer gol só para ver meu pai vibrar. Era melhor que próprio gol. Nas vitórias, seu punho cerrado no ar, como a dizer “eu sabia! Esse é o meu filho!”. Guardo com carinho seus olhos gordos de alegria quando falei ter sido aprovado no doutorado na Unicamp. O orgulho de missão cumprida, a despeito das dificuldades dessa vida que tanto o maltratou. Mas as dificuldades foram, sabiamente, transformadas em lições de vida e não em amargura.

Fico fascinado com sua capacidade de saber o nome de todas as repórteres bonitas da tv. Fico encantado com suas soluções para situações nas quais todos jogariam a toalha facilmente. Fico deslumbrado com seu pensamento rápido, que em dobradinha com seu senso de humor, fazem a vida mais feliz.

Aprendi o amor recebido do meu pai para dar a duas coisinhas que dependem de mim, frágeis, inseguras, começando a vida. Que minhas filhas tenham o privilégio de brincar de carneirinho-carneirinho contigo. Se eu conseguir ser dez por cento seu Jefferson nesse papel de pai, minhas meninas vão viver no mundo pisando firme, cantando alto e sorrindo livre. Fica aqui por muito tempo, meu pai, meu querido, meu velho, meu amigo. Ainda há muito mais a aprender contigo.

Eu te amo, pai. E vou te dizer todos os dias até quando Deus disser que está na hora do nosso vôo solo. Aí eu e minhas filhas, olhando para a estrela mais brilhante do céu, diremos, dedinhos apontados para cima, “eu te amo, pai”, “nos te amamos, vovô”. E nos encontraremos em sonhos. Do filho que os outros filhos dizem, ingrata e injustamente, ser o preferido. Dinho.


Soneto da Ana Clara

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Este é o da Clara.

ANA CLARA

Minha alegria, és o meu futuro
Tu que habitas da tua mãe o ventre
Com tua imagem toda dor eu curo
Felicidade chega e eu digo: entre!

Por ti transponho o mais alto muro
Por ti repouso meu coração dentre
As agonias, tua presença centre
Tua clara luz sobre meu mundo escuro

O teu relevo alto me anuncia
Um som que em breve a boca balbucia
Em incompreensíveis sílabas de amor

E me amorteces toda e qualquer dor
Pois tua vinda, filha, prenuncia
O meu jardim em minha primeira flor

Soneto da Marina

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Gosto muito de escrever sonetos. Este eu fiz para a Marina, minha caçula.

SONETO PARA A SEGUNDA FILHA

Soneto para a segunda filha (01.12.2006)

Tu, que chegas sem nenhum alarde
Vens de repente numa alquimia
No meio do dia, era ainda à tarde,
A tua irmã ainda nem dormia

Tu, que te apresentas para ser amada
Por conta própria cruzaste muralhas
Chegou bem de mansinho e bem calada
E no ventre da tua mãe te agasalhas

Tu, pequena coisa ousada e destemida
Veio rasgando espaço atrás de vida
Sabes que tu terás senão amor

E trazes na tua vinda aguerrida
Escrito nas pétalas da margarida
“Do teu jardim, pai, sou a segunda flor”

Eu no tempo

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Olha quão interessante eu teria sido em diversas épocas. O site que fez o túnel do tempo é o http://www.yearbookyourself.com.

A cintilante linguagem das crianças

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Diálogo entre a Bia, minha mulher, e a Ana Clara, minha mais velha, de dois anos e três meses:

BIA – “Filha, a gente tem de se vestir para ir para a festa do dia dos pais“.
CLARA, depois de refletir sobre a frase – “Mãe, eu tenho dois pais?”

Do fundo do baú de novo

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sMais um texto dos antigos. Um meio fora do meu estilo, mas é meu. Eu juro.

O DIA DA CAÇA

Aproveitou que tinha que pagar a casa no banco que ficava no shopping e resolveu passear. Entrou pela porta próximo à papelaria e, pasmo, se deu conta do quanto é amargo ao ver duas mulheres se espocando de rir, quase às lágrimas de cartões do Garfield para todas as ocasiões. Como poderiam rir daquilo? Tudo bem, vá lá que se ria de cartões engraçados, mas daquele jeito ao frouxo?! Aproximou-se para confirmar as suspeitas e confirmou: era amargo mesmo. Saiu da papelaria e olhou no relógio. Tinha que buscar a mulher na casa da mãe. Dela, lógico.

Passou em frente à Drugstore, uma drograria de importados, e percebeu uma gorda vomitando ódio e humilhação em cima da vendedora que tinha falado bruti, dissilabicamente e sem sotaque, para o desodorante Brut, que ela, a gorda, usava. Talvez o dela fosse bruti mesmo. Cheirou alguns perfumes franceses de 2a. linha (alternativos, para os politicamente corretos), imitações que traziam na caixa o nome dos imitados. Não perdeu a oportunidade de perfumar-se com as amostras até os cotovelos e saber que Eternally é o primo pobre do Eternity. Ao ver a cena, ele pensou em rir, mas lembrou que na infância usou calção Adibas para fazer educação física e mudou de idéia e de rumo.

Loja de discos. Parou e olhou o relógio: tinha que apanhar a mulher. Tinha tempo. “Pois não, posso ajudá-lo?”, perguntou a vendedora, mal sabendo que ele detestava ser cerceado em sua liberdade de olhar as coisas sem ninguém fungando em seu cangote, vendedor atrás de comissão, urubu atrás da carniça. Ignorou e disse, dispensando-a: “Só estou olhando”, frase clássica de quem detesta hienas sedentas por comissões. Percorreu as promoções, olhando CD a CD. Teco-teco-teco-truuuu. (puxa CD, puxa CD, puxa CD, empurra os CD’s de volta). Tinha uns a nove paus. Comprou três. Música clássica. Não gostava de música clássica, mas pelo menos engordara sua coleção de CD’s (o número de CD’s na coleção é um dos parâmetros do nível social entre os pequenos burgueses). Saiu, não sem antes dar uma olhadinha para vendedora com um ar triunfante de quem escolheu, pegou, pagou, enfim, fez tudo sozinho, sem ajuda.

Olhou o relógio. Tinha que recolher a esposa. Tinha tempo. Parou em frente à loja de calçados. Viu um doquissaide beleza. Viu também um vendedor vindo. Fuzilou: “Só estou olhando”. Viu o preço. Pensou no aparelho de ar-condicionado do quarto que precisava consertar e nas peças do carros para pagar. Esqueceu o doqui. Podia comprar um Le Chaval na Riachuelo, a prazo, ou um Caribu, hecho en Venezuela, nas Lojas Americanas, parcelado em dez vezes. Resolveu descer. A escada rolante estava subindo. Teve que andar até o outro lado para descer.

Parou na banca. Aproveitou que a mulher não estava ali (pois tinha que pegá-la em breve), olhou quem era a capa de Playboy, VIP, Sexy, Newsweek e Time. Tinha que disfarçar. Com elegância poliglota, lógico. Riu de revistas como Gula, para glutões, Fluir para garotões. Percebeu que uma gorda ria da Info, a revista sobre informática (seu hobby) que ele estava folheando. Era a gorda da drogaria. Sem perceberm, se vingara. Olhou o relógio. Tinha que catar a patroa. Desceu as escadas. A de descida não estava rolante. Resmungou algo e desceu. Um garotão riu e disse: “que coroa mais boko-moko, meu!”. Vingança dos garotões.

Fixou os olhos, como que encantado, num som PIONEER NSX HIGH POWER 2000 MPO WITH BBE. Na noite anterior tinha sonhado com um som assim. Tinha quase certeza que era um PIONEER NSX HIGH POWER 2000 MPO WITH BBE. Chegou tão perto do vidro que fez bafinho. Recuou. Lembrou das peças do carro. Tinha que continuar com seu CD player que, para abrir, precisa usar uma caneta para puxar a gaveta. Olhou o relógio. Tinha que pegar a esposa. Tinha tempo. Tinha que pagar a casa no banco. Fora ali para isso.

Entrou no banco, entrou na fila, entrou bem. Tinha um só caixa para uma fila de 25 pessoas fora os velhinhos e três caixas para os clientes especiais. Não se sentiu especial. Ficou deprimido. O cara da frente falou: “É um desrespeito!”, a mulher de trás (já havia gente atrás para seu consolo) disse: “Vou à gerência!”. “Isso!”, pensou, voltando-se para solidarizar-se com a mulher. Era a gorda. Passou a gostar da gorda. Começou a rolar um sentimento. Olhou o relógio. Tinha que buscar a esposa na casa da sogra com hora marcada. Já não tinha tanto tempo assim. “Próximo”, gritou a caixa, não lhe tratando nem um pouco como o próximo do preceito cristão. Pagou. Saiu. Mas antes, olhou um a um os que estavam na fila como quem dizia: “Fiquem aí que eu, o bom, já vou, galera!”. Apenas aquele momento perverso de que somos acometidos de vez em quando naquele sadismo de fila. Olhou o relógio. O tempo estava escasso. Tinha que pegar a esposa.

Ia entrar na livraria, lembrou-se do ar-condicionado. Deu meia-volta. Devia subir e pegar o carro no estacionamento. A única escada rolante que rolava agora estava descendo. Lusitanamente descendo. Resmungou algo e subiu. Olhou de novo a garota da capa, tranqüilo por saber que seu primo já tinha comprado. Ele, o primo, não perdia uma.

Olhou o relógio. Pensou em fazer um lanche. Uma coxinha e uma coca. Olhou o relógio. Pensou: “Não vai dar. Não vou deixar meu amorzinho esperando. Tenho consideração com minha general!”. Ficou orgulhoso do amor que nutria por sua cara-metade, por seu outro eu.

Caminhou para saída. Olhou o relógio. Tava quase na hora. Tinha que pegar a esposa. Abriu a porta do shopping. Entendeu, na pele, o conceito abstrato de choque térmico das aulas de química. O bafo quente de fora e frio polar de dentro brigavam numa pororoca invisível. Os óculos embaçaram. Ficou com medo que a boca entortasse, igual a do Ayrton Senna. O carro estava mais quente que o sol no verão. Suou. Ligou o ar-condicionado do carro. Mas não gelou. Estava sem gás. Tinha de escolher: ou dirigia ou dormia no friozinho. Preferiu dormir. Olhou o relógio. Estava na hora. Saiu do shopping.

Chegou na casa da sogra. Buzinou, assobiou o som característico (cada casal tem seu código assobiado). Ninguém. Surge Paula Toller, a empregada (ela nasceu na época do New Wave, daí o nome), que lhe vê e diz: “Ah, é senhor… Ela saiu agorinha, agorinha. Disse pro senhor esperar”. Lembrou da coxinha.

Esperou. Esperou. Esperou. E então, sem opção alguma, esperou ainda mais. A esposa, que ele tinha que apanhar, chegou. Abraçou-lhe o pescoço e beijou-lhe. Parou. Afastou-se. Perguntou: “De quem é esse perfume? E pra quem são esses CD’s de música clássica que eu sei que tu não gostas? Tu tens outra!!”, decretou. Partiu como uma louca para cima dele que, sem poder explicar, correu em direção ao carro. Quando estava a caminho, com a esposa, a mãe, o pequinês neurótico, todos correndo atrás e latindo, ouviu o barulho de um carro batendo em outro. “Só pode ser no meu!”, pensou para completar. Era. A motorista da Brasília 79 perdera a direção e entrara no dele. Literal e metaforicamente. Parecia machucada. Que dia! Ainda teve que socorrer a gorda.

20 de dezembro de 2003