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Inteligência Artificial e Educação

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A popularização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), como o ChatGPT (Chat Generative Pre-trained Transformer), vai requerer um movimento necessário no processo educacional.

O Chat-bot de IA, como ChatGPT, é um chat de inteligência artificial treinado e projetado para simular conversas entre humanos. O modelo de rede neural utiliza em seu treinamento e aprendizado um enorme banco de dados de textos. Por isso, aprende a gerar conteúdo, frases e parágrafos naturais e compreensíveis para os humanos, com respostas detalhadas. Se se escrever: “Escreva um artigo sobre a importância da água para a vida humana”, o GPT gerará um artigo sobre o assunto automaticamente, com detalhes.

“Como isso pode impactar o processo educacional?”

No processo metodológico, o GPT pode produzir respostas para conteúdos estudados, auxiliando o aluno no aprendizado sistemático de sala de aula. Teria, assim, função parecida com os vídeos do YouTube no reforço do aprendizado. Assim, é um recurso a mais para se trabalhar naquilo que temos chamado de sala de aula aumentada, o ambiente de aprendizagem que vai além do espaço físico e sistemático de aprendizado. Ponto positivo.

“Como o GPT pode impactar positivamente o processo de ensino-aprendizagem?”

1. Gerando conteúdo de alta qualidade: o GPT pode ser usado para gerar conteúdo educacional de alta qualidade, como artigos, resumos, perguntas de múltipla escolha e mesmo aulas inteiras. Isso pode ajudar os professores a economizar tempo e esforço, enquanto fornecem aos alunos conteúdo relevante e atualizado;

2. Melhorando a personalização da aprendizagem: o GPT pode ser usado para personalizar a aprendizagem de acordo com as necessidades e habilidades individuais dos alunos. Isso pode ajudar os alunos a progredir em seu próprio ritmo e aumentar a eficácia da aprendizagem;

3. Gerando feedback automático: o GPT pode ser usado para gerar feedback automático para os alunos, o que pode ajudar os professores a fornecer orientação rápida e precisa;

4. Ajudando alunos com dificuldades de leitura ou escrita: o GPT pode ajudar os alunos com dificuldades de leitura ou escrita, gerando textos simplificados, crítica à produção do aluno (ele corrige produz e corrige códigos de programação, por exemplo), ou traduções;

5. Aumentar a eficiência de ensino: O GPT pode ser usado para aumentar a eficiência do ensino. Por exemplo, automatizando tarefas de ensino como a correção de provas e a elaboração de relatórios.

“Mas e os impactos negativos? É uma ferramenta e como tal pode ser utilizada de forma ruim. Como o GPT pode impactar negativamente o processo ensino-aprendizagem?”

O GPT pode impactar negativamente o processo ensino-aprendizagem de várias maneiras:

1. Encorajando a cópia: o GPT é capaz de gerar textos muito semelhantes aos textos de humanos, o que pode levar a cópia de conteúdo sem compreensão, crítica ou reflexão;

2. Reduzindo a motivação para pesquisar: o GPT pode fornecer respostas rápidas e precisas, o que pode levar a uma diminuição na motivação dos alunos para pesquisar e aprender por conta própria;

3. Desencorajando a criatividade: o GPT é capaz de gerar conteúdo com muita rapidez e precisão, o que pode desencorajar os alunos a serem criativos e a pensar de forma independente;

4. Falta de pensamento crítico: o GPT pode fornecer respostas precisas, mas sem questionar a veracidade ou relevância do conteúdo, o que pode levar a falta de pensamento crítico dos alunos. Lembrando: são bancos de dados e dados são produzidos por humanos.

É importante lembrar que o GPT é uma ferramenta e como qualquer ferramenta agregada ao ensino é preciso que seja utilizada de forma consciente e orientada para que os alunos possam se beneficiar do potencial sua utilização de forma crítica.

“Mas o que nós, professores, podemos fazer agora, agorinha, enquanto a gente aprende o que é isso e como incorporar a ferramenta em nossos processos metodológicos? E como avaliar? E o plágio?”

O primeiro movimento para os educadores é conhecer o que é um chat-bot IA e cartografar seu uso potencial, positivo e negativo, para o processo ensino-aprendizagem. Não me parece inteligente negar que sua existência e seu potencial de afetar o processo de ensino-aprendizagem.

Penso que a primeira reação, em urto prazo, vai ser a alteração do processo avaliativo. Deverá haver uma volta para avaliações presenciais, como forma de garantir a autoria da produção do aluno. Produções em grupo e fora da sala de aula serão evitadas por redução drástica de controle de plágio. É um movimento reativo de controle. Se eu, professor, não posso controlar a produção de cópia de textos, ainda mais com sua potencialidade aumentada por uma ferramenta de IA, vou tentar reduzir os danos controlando o ambiente de produção do aluno…

Uma opção mais inteligente, mas mais trabalhosa, em médio prazo, é incorporar a avaliação da interação do aluno com o GPT no processo de produção. Fazer o aluno trazer o relato dos caminhos que percorreu para que o GPT produzisse, sob sua demanda, o texto. Meta-aprendizagem.

Há muita coisa a se pensar sobre isso. Há questões éticas, teórico-metodológicas, de política de acessibilidade digital, de formação de professores… enfim, um grande desdobramento para os pensadores da educação e para os sujeitos da sala de aula.

Isso aqui é só um pequeno texto provocativo. Mas o fato é que mais uma vez educadores são demandados pela vida real para que repensem suas práticas, tarefa, convenhamos, necessária e diária. A meu ver, isso deve ser feito sem demonizar as novidades, mas as deglutindo antropofagicamente.

É o desafio.

Para experimentar o ChatGPT: https://openai.com/blog/chatgpt/

Administração da pessoalidade

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Uma amiga pedagoga me disse, triste: “professor, acabaram com o Prosed”.  O Processo Seletivo de Escolha de Diretores – Prosed – foi o mecanismo criado pelo ex-prefeito Serafim Corrêa, a partir de nossa proposta quando estávamos na Secretaria de Educação, para eliminar a indicação política como critério de escolha de diretores de escolas. Isso foi em 2005. Sempre acreditamos que é preciso despoliticar a educação para politizá-la, o que passa por instituir a impessoalidade na administração.

Em 2007, o Governo Federal editou o Decreto 6.094 , criando o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. São 28 metas a serem cumpridas por Estados e Municípios para que os índices da educação brasileira melhorem. A meta 18 diz: “fixar regras claras, considerados mérito e desempenho, para nomeação e exoneração de diretor de escola”. Antecipamo-nos em dois anos. A convite da Secretaria de Educação Básica do MEC, a proposta de Manaus foi por mim apresentada em reuniões de secretários de educação em Brasília como uma das experiências exitosas em gestão. Algumas cidades implementaram processos parecidos, como Recife, cuja equipe nos visitou para conhecer melhor o modelo.

Pois bem. A Prefeitura de Manaus acabou com o Prosed. Na contramão da história, revogou a escolha de diretores por mérito, com avaliação participativa da comunidade, e reintroduziu o apadrinhamento político para quem vai dirigir a educação. A secretária de educação justificou a mudança com o argumento de que ela “precisa confiar nos diretores”. Isso, ao bom entendedor, significa que a competência e o mérito acadêmico que levaram à posse dos atuais diretores são critérios menos confiáveis do que a indicação política. Diz mais: “Não se seguia a lista dos aprovados”. Posso assegurar, até o momento que lá estive, que esse critério era intocável por ordem expressa do ex-prefeito e do ex-secretário. Que o digam vereadores, que por várias vezes contrariei. A questão de fundo é que de novo se subjetiva o processo de escolha que antes era objetivo, por mais que a secretária faça jogos de retórica.

Para o sistema que volta, o prestígio do diretor indicado é a medida de sua “competência” e a fidelidade partidária o parâmetro de seu “compromisso”. Essa decisão retrógrada, que não surpreende pelo modelo político do prefeito, vem no conjunto de medidas como a recentralização de procedimentos que foram acertadamente descentralizados para a Secretaria de Educação para dar rapidez aos processos, como a criação da comissão de licitação e do setor de projetos de construção de escolas, que existiam na Semed e agora desaparecem. O material escolar vai entrar na fila de licitação geral da cidade, atrás das bolas do Fabrício Lima. Os projetos de novas escolas vão também para a fila da Secretaria de Obras, sem prioridade em relação aos boxes das feiras. No caminho inverso do administrador moderno, a Prefeitura está puxando para dentro em vez de delegar para fora.

Fato é que o anacronismo administrativo, político e paradigmático que se instalou na administração municipal está aparecendo. A sociedade organizada tem de estar atenta para as medidas desta administração que é, sem dúvida, uma administração da pessoalidade.