Um certo alguém

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um certo alguémPai e mãe são escolhas de Deus. Caímos na vida de um casal e dele dependemos de toda sorte na formação de nosso caráter, na consolidação de valores humanos, no modo de ver o mundo e a relação com o próximo.  Assim é com irmãos e irmãs. Não os escolhemos. Calhamos de co-existir e nessa relação inevitável aprendemos a compartilhar, a dividir, a brigar por espaço, a brigar pelo sangue, a tomar dores pelo amor que atravessa a convivência e as cicatrizes na pele e na alma. Assim é com filhos. O bebê que vem habitar o ventre da mãe e o sonho do pai, num primeiro momento, e o berço no quarto e o espaço mais nobre no coração dos pais, num segundo, é posto em nossa existência também por escolha direta de Deus. O livre-arbítrio não chega ao ponto de definir qual filho queremos. Filho vem, nasce e se demora por toda a vida.

Contudo, com a pessoa com quem dividimos a vida é diferente. Essa somos nós que escolhemos. Por ser nossa, não faz sentido ser infeliz se a escolha tiver sido infeliz. Por isso as pessoas casam e descasam às vezes. Erro humano de análise. Há ex-maridos e ex-mulheres, mas não há ex-pais, ex-filhos, ex-irmãos. Eu, por exemplo, passei por três escolhas, sendo as duas primeiras equivocadas às suas formas. Por inversão, este texto se apresenta para dizer que a terceira foi a escolha certeira, feliz e inequívoca. Se Deus não mete o bedelho como faz no caso dos pais, irmãos e filhos, ele certamente trisca no traçado que nos permite encontrar um certo alguém que, dentre 6,6 bilhões de pessoas, vai mexer com você, fazer você perder o ritmo da respiração, causar suor nas mãos e fazer seu corpo cair morto de prazer. Alguém com quem você dividirá alegrias, comida, sorrisos, vitórias. Alguém com quem você amargará tristezas, vazios, lágrimas, derrotas. Alguém de quem você conhecerá segredos. E cada forma de olhar.  Alguém que saberá no tom da sua voz que algo ameaça a ordem das coisas.

Não somos perfeitos. Acertamos no atacado e erramos no varejo. Por isso, entre as belas paisagens de nosso trajeto a dois, vez por outra escorregamos e magoamos esse certo alguém. Sem querer deixar de chegar ao objetivo conjunto – repousar lado a lado no sono eterno – , desviamos por caminhos estranhos, desaconselháveis pela censura social. O que nos resta é lembrar que nosso certo alguém é escolha nossa e, por isso, somos responsáveis por sua proteção, por sua impermeabilização dos sofrimentos do mundo. Nas falibilidades humanas, saber cair antes para poder amortecer a queda do nosso certo alguém passa a ser a arte da convivência feliz, a condiçào da permanência da escolha certa.

Meu certo alguém é uma linda mulher de 35 anos hoje. De público,  eu peço que tome as minhas eventuais cambaleadas como passadas passadas no passado. Espero e desejo, como na música, que você me dê a mão, porque é ela que me dá a firmeza mais firme. Venha ser a minha estrela, para iluminar o que nos resta de percurso a dois no caminho da existência. Com você, toda complicação é tão mais fácil de entender. Hoje é seu dia: vamos dançar? Vamos luzir a madrugada? Porque eu desejo com todas as minhas forças que você seja a inspiração para absolutamente tudo que eu viver. Pai, mãe, irmãos, filhos: não escolhemos. Mas você eu escolhi. Meu certo alguém, que cruzou o meu caminho, que me mudou a direção. Mais do que meu certo alguém: o meu alguém mais certo. A minha melhor escolha na vida. Parabéns, Bi.

5 comentários em “Um certo alguém

    Lou disse:
    26/04/2009 às 13:47

    Parabéns aos quatro.

    Andrea Roy disse:
    26/04/2009 às 21:39

    Sergio,
    “Aquele que encontra uma esposa, acha o bem,e alcança a benevolência do Senhor”. Pv 18:22
    Parabéns pelo presente. Linda mensagem.

    Suelen de Andrade Viana disse:
    28/04/2009 às 10:57

    Que lindo!

    Lindo! Lindo!

    Parabéns para os dois, que certamente são um para o outro aquele ‘ certo alguém.’

    S.

    VÂNIA NOVOA TADROS disse:
    29/04/2009 às 14:07

    SÉRGIO FREIRE, TOME TENTO! QUE CRÔNICA MAIS PIEGAS! PARECE TEXTO DE ADOLESCENTE!

      Sérgio Freire respondido:
      29/04/2009 às 21:40

      Vânia,
      A paixão pela minha mulher é adolescente. Mesmo fogo, mesmo suor na mãos, mesmo tesão. Valeu. S.

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